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OAB suspende advogado que agrediu ex-mulher no meio da rua em Vitória

O presidente da OAB-ES, Homero Mafra, informou que a suspensão da inscrição do acusado é de forma cautelar pelo prazo de 90 dias

Lucio Giovanni Santos Bianchi foi preso por agredir a ex-mulher nesta quarta-feira (20)
Lucio Giovanni Santos Bianchi foi preso por agredir a ex-mulher nesta quarta-feira (20)
Foto: Bernardo Coutinho

Como já havia antecipado o colunista Leonel Ximenes, do jornal A GAZETA, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Espírito Santo (OAB-ES) anunciou na tarde desta quinta-feira (21), por meio de nota, que suspendeu o advogado preso em flagrante por agredir a ex-mulher no meio da rua, em Jardim Camburi, em Vitória.

O presidente da OAB-ES, Homero Mafra, informou que a suspensão da inscrição do acusado é de forma cautelar pelo prazo de 90 dias. A ex-mulher de Lúcio Giovanni Santos Bianchi, uma enfermeira, de 37 anos, já possuía medida protetiva e, na hora do crime, o advogado roubou o botão do pânico da vítima, para evitar que ela o denunciasse à polícia.

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Ainda de acordo com Mafra, a decisão esclarece que o Artigo 70, inciso 3° da lei n°8.906/94, o Estatuto da Advocacia, estabelece o poder de cautela em casos de repercussão prejudicial à dignidade da advocacia.

“Com fundamento também nos artigos 69, II, VI e XII do Regimento Interno da OAB-ES, e diante da gravidade dos fatos, o presidente afirmou que as atitudes do profissional tomaram proporções assombrosas, repercutindo negativamente no conceito da classe que exige medida imediata, visando guarnecer a profissão e a credibilidade que os profissionais da advocacia nutrem perante a sociedade”, afirmou a nota.

Mafra informou ainda que o caso foi encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina da OAB para os trâmites necessários.

O CRIME

O advogado Lucio Giovanni Santos Bianchi, 35 anos, foi preso por agentes da Guarda de Vitória ao ser flagrado agredindo a ex-mulher, uma enfermeira, 37 anos, no meio da rua em Jardim Camburi, na manhã desta quarta-feira (20). A vítima, que possui medida protetiva e dispõe de botão do pânico contra o acusado, chegou a ter o equipamento retirado de suas mãos pelo ex durante a agressão, para que ela não acionasse a Patrulha Maria da Penha.

Lucio e a enfermeira, que estão separados há 3 anos, se relacionaram durante 10 anos, sendo um ano casados. Dessa união, eles têm um filho de 4 anos. Segundo a vítima contou para a reportagem do Gazeta Online no Plantão Especializado da Mulher, para onde o advogado foi levado, o comportamento do ex, segundo ela, começou a piorar durante o casamento, quando foi agredida fisicamente uma vez e várias vezes com agressões verbais. O casamento acabou depois que ela suspeitou de uma traição, ocasião em que o Lucio saiu de casa. No entanto, de acordo com a enfermeira, até hoje ele não aceitava a separação.

Segundo a vítima, durante o tempo em que estavam separados houve outra agressão, e o advogado invadiu a casa dela várias vezes, inclusive levando chaveiros ao local. Depois de tudo isso, ela conseguiu uma medida protetiva em maio de 2014 e, em março deste ano, conseguiu o botão do pânico, por causa das ameças que continuaram.

Ainda de acordo com a enfermeira, ela precisou utilizar o botão do pânico em maio, quando o Lucio foi na casa dela pegar o filho, mesmo não sendo final de semana reservado na guarda dele, com previsão de ver a criança de 15 em 15 dias.

Há alguns dias, a enfermeira recebeu um e-mail do advogado do ex afirmando que ele passaria o Natal com a criança, sendo que isso não estava determinado no acordo de guarda. No e-mail constava que ele pegaria a criança em uma creche municipal de Jardim Camburi nesta quarta-feira (20), às 11 horas.

Por causa disso, a enfermeira, imaginado que haveria confusão, não levou a criança à creche e foi até a unidade sozinha para entregar um e-mail para a professora do filho, explicando que o ex não pegaria o filho, no caso dele aparecer por lá.

Quando ela chegou na creche, às 7h, Lucio já estava na sala de aula. A enfermeira falou com ele que não iria arrumar confusão e deixou o local. A duas quadras da creche, próximo ao carro dela, ele partiu para cima dela por trás, derrubando a mulher no chão próximo à pracinha de Jardim Camburi.

O acusado roubou o botão do pânico da mão da ex, colocou na cueca, e tentou puxar a chave do carro da mão dela. Agentes da Guarda flagraram a agressão e impediram que ele continuasse. 

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