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Para sindicato, botão do pânico deixa motoristas à mercê do crime

Temor é que os profissionais virem alvo de bandidos durante assaltos

Ônibus em circulação:  veículo exibirá mensagem de "socorro" em vez do  destino quando o botão for acionado
Ônibus em circulação: veículo exibirá mensagem de "socorro" em vez do destino quando o botão for acionado
Foto: Fernando Madeira

O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Espírito Santo (Sindirodoviários) tem receio da ideia de criar um botão do pânico dentro dos coletivos do Transcol, para ser acionado em casos de assaltos. O projeto, aprovado na Assembleia Legislativa, segue para sanção do governo do Estado.

O dispositivo seria acionado para mostrar uma mensagem na letreiro digital do veículo, com informações como “Socorro. Assalto. Ligue 190” para que uma pessoa veja na rua e entre em contato com a polícia.

> Projeto de botão do pânico em Transcol é aprovado

Segundo o presidente do Sindirodoviários, Edson Bastos, o principal medo da categoria é deixar um botão do pânico disponível apenas para os rodoviários, que podem acabar sendo alvo de criminosos após o acionamento das forças policiais.

“A sociedade também vai ter o botão do pânico nas cadeiras? Você tira a responsabilidade do trabalhador, que passa a não ser alvo. Sabemos que é um projeto complicado de se aplicar na íntegra. Ele deveria estar ligado ao Ciodes. Temos que rezar para alguém ver a mensagem na bandeira e ligar para o 190”, ponderou.

Para o presidente do sindicato, mesmo com o botão sendo implementado pensando também no acionamento pelos passageiros, muitas pessoas de má fé podem acabar acionando a polícia sem necessidade, com trotes.

Bastos espera que haja mais conversa com a categoria para a implementação de sistemas de segurança. Uma das ideias sugeridas pelo sindicato é a criação de um aplicativo para o acionamento do Ciodes dentro dos coletivos, que poderia ser baixado por qualquer pessoa.

O Sindirodoviários, por nota, pediu cautela. O sindicato acredita que essa ainda não é a solução porque haverá “acionamento de pessoas maldosas ou até mesmo curiosas que irão acionar o botão e desvirtuar o trabalho da polícia. Sem contar que vai depender da boa vontade de terceiros nas ruas para visualizarem os letreiros e ligarem para o Ciodes”. Para o Sindirodoviários, a solução seria criar um botão "linkado" direto ao Ciodes, devido ao monitoramento dos veículos pelo GPS.

O Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus) afirmou, em nota, que vai aguardar o desenrolar dos trâmites legais sobre o projeto de lei e a comunicação oficial para se manifestar. A Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (Ceturb-GV) também foi procurada, mas também preferiu não se pronunciar sobre o assunto.

NA CAPITAL

Em Vitória também foi aprovado um projeto parecido na Câmara Municipal, que trata do botão do pânico. A Secretaria de Transporte, Trânsito e Infraestrutura Urbana de Vitória informa que o projeto foi aprovado, no entanto, ainda há uma discussão sobre o tema. O órgão participou de uma audiência pública realizada pela própria Câmara Municipal em que o Sindirodoviários se posicionou contrário.

Nas ruas, passageiros aprovam a medida

Nadja e Maria da Penha preveem mais segurança
Nadja e Maria da Penha preveem mais segurança
Foto: Fernando Madeira

O projeto de lei foi bem recebido entre os passageiros do transporte coletivo. A maioria acredita que a medida iria inibir a ação dos bandidos nos coletivos, já que, segundo os passageiros entrevistados, “os bandidos pensariam duas vezes antes de anunciar um assalto”.

Para a auxiliar de contabilidade, Maria da Penha Cinelli, 61 anos, a instalação do botão do pânico valeria a pena. “Risco nós corremos constantemente, não tem pra onde correr. Com o botão do pâncico o ladrão vai saber do risco de fazer um assalto, por isso pensaria duas vezes”, disse.

Nadja Maria, 46, é auxiliar contábil e diz que a medida tem lados positivos e negativos, principalmente com relação aos motoristas, que se sentem mais expostos com a utilização do botão.

“É uma faca de dois gumes, estamos todos correndo riscos. Acho que o botão é uma boa ideia, mas não devem divulgar muito quem vai ter acesso a ele, é uma forma de trazer mais segurança”, disse.

O estudante de 19 anos, Hugo Oliveira, também acredita que a existência do botão iria inibir a ação de bandidos nos coletivos. “É muito bom porque vai evitar os assaltos. Isso aumenta a nossa sensação de segurança no ônibus”, afirmou.

PROJETO DE LEI

Determinação

O projeto de lei N°14/2017 determina que é obrigatória a instalação de “botão do pânico” ou outro dispositivo de alerta de crimes nos veículos destinados ao transporte coletivo do Sistema Transcol no Estado do Espírito Santo.

Localização

De acordo com o projeto, o botão deve ser instalado no interior do veículo e integrado ao painel digital externo

Funcionamento

Após acionado, deve constar no painel digital exterior a mensagem “SOCORRO ASSALTO – LIGUE 190”. A mensagem deverá ser exibida nos painéis digitais da parte frontal e na traseira dos veículos de transporte coletivo.

Acesso aos botões

Devem ser disponibilizados botões de acionamento no interior do veículo suficientes e de fácil acesso ao motorista, cobrador e usuários.

Tramitação

O projeto de lei foi aprovado na Assembleia Legislativa e aguarda sanção do Governador Paulo Hartung.

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