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Espírito Santo tem maior índice de mulheres com nome de Penha do Brasil

É comum mulheres capixabas se chamarem Penha em homenagem a Padroeira do Estado

Quem mora no Espírito Santo tem a clara percepção que Penha é um dos nomes mais comuns entre as mulheres capixabas. E isso é verdade, confirmado pelo Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Estado possui o maior índice de Penhas do Brasil. São mulheres que compartilham histórias de fé e devoção à Nossa Senhora da Penha.

A pesquisa de 2010 do IBGE disponível pelo programa "Nomes do Brasil", mostra que o Estado possui a taxa de 43,10 nomes simples ou compostos de Penha por 100 mil habitantes, o maior do país. Seguido por Rio de Janeiro com 14,38 e Minas Gerais, com 6,31. No Espírito Santo, os registros com o nome começaram a subir da década de 1930 até a 1960.

Espírito Santo tem maior índice de nomes Penha do Brasil
Espírito Santo tem maior índice de nomes Penha do Brasil
Foto: Ilustração IBGE

 

 

Quando Frei Pedro Palácios chegou a Vila Velha, trouxe consigo o quadro de Nossa Senhora das Alegrias. O frade morava em uma gruta e, segundo a lenda, a imagem sempre sumia e aparecia no alto do morro entre duas palmeiras, onde foi construído o Convento. Penha significa "grande massa de rocha saliente e isolada, na encosta ou no dorso de uma serra" e, por isso, a santa passou a ser chamada de Nossa Senhora da Penha. 

Em conversas com as Penhas capixabas, as respostas sobre o porquê do nome se repetem: foi dado pelos pais em homenagem ou agradecimento a graças concedidas por Nossa Senhora da Penha, padroeira do Espírito Santo. Uma delas é a dona de casa Maria da Penha Santos Correa, de 68 anos, que recebeu o nome após promessa da mãe feita antes dela nascer. 

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“Meu nome é Penha porque sou um milagre de Nossa Senhora. Quando estava para nascer, minha mãe estava doente, aí pediu que nós vivêssemos eu seria batizada aqui no Convento e meu nome seria Maria da Penha”, explicou, orgulhosa.

As Penhas: Jane da Penha Alcântara Spinassé, Maria da Penha Santos Correa, Penha Graziele e Penha Coradini.
As Penhas: Jane da Penha Alcântara Spinassé, Maria da Penha Santos Correa, Penha Graziele e Penha Coradini.
Foto: Ricardo Medeiros

Entre os nomes compostos “chovem” as Marias da Penha, que nas décadas passada confundiam até professores nas salas de aula. “Conheço várias Marias da Penha. Quando estudava tinha várias na minha classe. A gente se identificada pelo sobrenome”, relata a Santos Correa. 

A gerente Penha Graziele, de 38 anos, compartilha da mesma história de Maria da Penha. Foi também no parto que sua mãe pediu a intercessão de Nossa Senhora das Alegrias, como é conhecida Nossa Senhora da Penha. “Quando minha mãe estava grávida, no período do parto teve um dificuldade, então ela me entregou como filha à Nossa Senhora da Penha”, disse Penha Graciele, natural de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, que hoje mora em Cariacica, na Grande Vitória.

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“Quando eu era bebezinha minha mãe já me trouxe aqui no Convento em Vila Velha e ,depois no decorrer dos anos, por isso que vim morar aqui. Hoje não tenho a minha mãe próxima, mas tenho a mãe que me protegeu e me deu a vida”, concluiu.

Entre os voluntários que participam do oitavário há diversas Penhas. Na tarde desta quarta-feira (24), nossa equipe perguntou ao grupo que fazia a acolhida da missa se elas conheciam Penhas. Apareceram três. Entre elas a atleta Penha Coradini, de 51 anos.

Natural de Castelo, no Sul do Estado, ela mora em Vila Velha há 26 anos e se diz agraciada pelo nome dado pela mãe. “Minha mãe era devota de Nossa Senhora da Penha. Ela dizia que, quando eu era criança, bebê, ela me via dormindo, olhava, achava que eu estava morta. Acho que tem um milagre aí. Maravilhoso saber que você tem o nome de uma pessoa que é tão especial que é Nossa Senhora da Penha, que foi um exemplo”, afirmou a voluntária.

DEVOÇÃO QUE ATRAVESSA GERAÇÕES

A aposentada Jane da Penha Alcântara Spinassé, de 60 anos descreve o amor de sua família por Nossa Senhora da Penha como inspiração para seu nome. Amor que faz questão de compartilhar com seus dois filhos.

“Para mim é uma honra ter esse nome porque nós herdamos de nossa família todo esse amor e devoção. Então, toda vez que falo meu nome até me emociono, porque lembro do meu pai, de todo amor que ele Chamava Nossa Senhora de mãezinha e isso passou para mim como estou passando para minha filha”, descreve emocionada.

Devota, Jane recorreu à Nossa Senhora quando o filho acidentado tinha dificuldades de recuperação. “Todas minhas dificuldades, todas minhas tristezas a gente sempre recorre à Nossa Senhora. Meu filho fez uma cirurgia e demorou muito a cicatrizar e eu recorri à Nossa Senhora em oração e tenho plena certeza que foi o milagre nessa recuperação tão rápida dele”, conclui.

 

 

 

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