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Motorista que caiu com carro no mar de Meaípe narra desespero

Apesar do susto, Rubens Luiz Kroedd, de 69 anos, não ficou ferido. Além do carro, ele perdeu alguns documentos e pequena quantia em dinheiro

Força do mar destrói parte de rodovia em Meaípe
Força do mar destrói parte de rodovia em Meaípe
Foto: Bernardo Coutinho

O motorista que caiu com o carro — um Ford EcoSport — no mar de Meaípe, em Guarapari, por volta das 4h desta segunda-feira (22) na altura da região de Porto Grande, na ES 060, conversou com a reportagem do Gazeta Online nesta tarde e descreveu os momentos de tensão que viveu ao ter o veículo levado pelas ondas de madrugada.

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De acordo com o administrador aposentado Rubens Luiz Kroedd, de 69 anos, estava chuviscando no momento do acidente e, como o mar já tinha levado parte do acostamento, a própria comunidade tinha colocado uma sinalização improvisada no local, com pedaços de pedra, de madeira, mato e terra.

Quando me deparei com aquilo, já era tarde. A visão estava muito ruim por causa da chuva. Estava sem sinalização adequada no local e, quando eu vi, já estava passando por cima do bloco de concreto. Para frear em cima do capim com terra, ficou impossível porque aquilo estava igual um sabão, fazendo o carro deslizar
Rubens Luiz Kroedd, aposentado

Rubens relembra que o carro foi deslizando e caiu de lado no buraco feito pela erosão, já na areia. Por estar com o cinto de segurança, o aposentado diz que não se machucou, pois estava firme e seguro dentro do veículo.

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"O carro caiu em pé, mais ou menos. Estava deslizando de lado e caiu no buraco, foi devagar. Quando caiu completamente, vi que as ondas estavam perto, abri a porta e saí correndo. Vieram as ondas e levaram ele na posição normal. Em seguida, veio outra onda e ele começou a deslizar ainda mais", disse.

Rubens passou momentos de desespero após carro cair em cratera na Rodovia do Sol
Rubens passou momentos de desespero após carro cair em cratera na Rodovia do Sol
Foto: Reprodução | TV Gazeta

No meio do desespero, Rubens disse que correu para o barranco para fugir das ondas — e foi quando ele conseguiu subir e se salvar.

Foi um desespero danado. Pensei: e se eu não aguentar subir esse barranco? A onda me leva junto. Ela estava batendo muito forte, parecia ter cerca de 3 metros de altura
Rubens Luiz Kroedd, aposentado

Rubens relatou que perdeu a documentação do carro, assim como outros documentos, um pouco de dinheiro e a bolsa da esposa. "Foi tudo literalmente por água abaixo. O carro tem seguro, mas ainda não sei se vai cobrir", brincou.

Natural de Santa Catarina, o aposentado disse que morou com a família em Minas Gerais, mas que estava sempre de passagem pelo Espírito Santo. Quando se aposentou, ele e a família se mudaram para Anchieta e, por conta disso, passava pela rodovia com uma certa frequência.

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"É um trajeto usual. Fazia um mês que eu não passava por ali. Hoje fui passar e fui pego de surpresa. Nunca tinha passado por nada parecido. É um negócio que a gente fica sem reação, impotente. O mar, quando bate a ressaca é uma coisa muito cabulosa. Não tenho nenhum pouco de sangue de surfista, então quero distância. Só queria sair daquele buraco o mais rápido possível. Se você encontrar um carro boiando por aí, me avise!", finalizou.

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