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Cientistas localizam oxigênio em ponto mais distante no Universo

Descoberta pode ajudar a explicar evolução química das galáxias

Detecção do oxigênio na galáxia aparece em verde na imagem
Detecção do oxigênio na galáxia aparece em verde na imagem
Foto: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), NASA/ESA Hubble Space Telescope

Uma nova descoberta do telescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (Alma) foi divulgada nesta quarta-feira (16). O equipamento, que fica baseado no deserto do Atacama, observou oxigênio no ponto mais distante do Universo identificado até o momento. O Alma registrou traços da molécula em uma galáxia que fica a 13,28 bilhões de anos-luz da Terra.

O achado é importante, porque pode trazer novas respostas sobre a formação do Universo. Após o Big Bang, as primeiras gerações de estrelas alteraram a composição química das galáxias, enriquecendo o meio interestelar com elementos como oxigênio, carbono e nitrogênio. Assim, identificar esses elementos no espaço pode ajudar a explicar a evolução química das galáxias.

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A partir da observação da molécula, os cientistas chegaram à conclusão de que a formação estelar na galáxia MACS1149-JD1 aconteceu cedo, apenas 250 milhões de anos após o Big Bang, o que é considerado muito cedo e indica que o ambiente rico quimicamente evoluiu de maneira rápida.

"Essa galáxia extremamente distante e jovem tem uma notável maturidade química. É notável que o Alma tenha detectado uma linha de emissão (a impressão digital de um elemento em particular) a uma tal distância recorde", afirmou o pesquisador Wei Zheng, astrônomo da Universidade Johns Hopkins, que liderou a descoberta da galáxia com o telescópio Hubble.

Logo após o Big Bang, não havia traços de elementos como oxigênio e levou algumas gerações de estrelas para que esse composto fosse espalhado no cosmo com quantidades detectáveis.

Reconstruindo a história de formação de estrelas na MACS1149-JD1, os pesquisadores identificaram que depois que as primeiras estrelas inflamaram, a formação de novos astros como esses ficou inativa e foi revivida cerca de 500 milhões de anos após o Big Bang.

"A população estelar madura da MACS1149-JD1 indica que as estrelas estavam se formando desde tempos mais antigos, além do que podemos ver atualmente com nossos telescópios. Isso tem implicações muito interessantes para encontrar o 'alvorecer cósmico' quando as primeiras galáxias surgiram", afirma Nicolas Laporte da Universidade College London.

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