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Astrônomos traçam origem de asteroides a uns poucos planetas antigos

Nova abordagem permitiu relacionar maior parte de objetos desgarrados a famílias conhecidas

Ilustração de uma colisão de asteroides no cinturão entre Marte e Júpiter: diferentes famílias têm diferentes composições e parâmetros orbitais
Ilustração de uma colisão de asteroides no cinturão entre Marte e Júpiter: diferentes famílias têm diferentes composições e parâmetros orbitais
Foto: Don Davis

Resquícios da formação do Sistema Solar, os asteroides se concentram em um vasto cinturão entre Marte e Júpiter, que abriga mais de 400 mil destes objetos de maiores dimensões com órbitas conhecidas, além de inúmeras rochas espaciais menores.

Destes, cerca de um terço está no chamado “cinturão interior”, a região mais próxima da órbita de Marte, e fonte da maior parte dos que se aproximam ou cruzam a órbita da Terra, eventualmente caindo em nosso planeta.

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E embora cerca da metade destes asteroides do cinturão interior já tivesse sido relacionada a cinco grandes “famílias”, compartilhando parâmetros orbitais que permitiram traçar sua origem a antigos planetas cuja formação foi “frustrada” nos primórdios do Sistema Solar – e cujos maiores representantes hoje existentes dão nome a estas famílias: Vesta, Flora, Nysa, Polana e Eulalia – muitos destes objetos “desgarrados” permaneciam “sem família”.

Diante disso, astrônomos da Universidade da Flórida, EUA, decidiram usar uma nova abordagem para classificar estes asteroides, conseguindo assim “encaixar” 85% deles nas grandes famílias conhecidas, com os restantes provavelmente também ligados a elas ou pertencendo a “famílias fantasmas” cujos maiores remanescentes também se perderam em sucessivas colisões ao longo dos mais de 4,6 bilhões de anos desde a formação do Sistema Solar. Segundo os pesquisadores, a classificação destes asteroides é importante diante do fato deles comporem o grosso dos que potencialmente atingiriam nosso planeta.

"Estes grandes objetos passam perto da Terra, então é claro que nos preocupamos em saber quantos deles existem e que tipos de materiais os compõem", destaca Stanley Dermott, professor emérito da Universidade da Flórida e líder do estudo, publicado nesta segunda-feira (2) no periódico científico “Nature Astronomy”. "Se um deles vier em direção da Terra e quisermos desviá-lo, teremos que saber qual a sua natureza".

Ainda segundo Dermott, embora o estudo tenha se focado nos asteroides do cinturão interior, a nova abordagem e seus resultados podem ser extrapolados para o restante do cinturão, ligando-os a uns poucos planetesimais (planetas em formação) antigos que orbitavam o Sol há mais de 4 bilhões de anos.

"Não ficaria surpreso se eventualmente traçarmos as origens de todos asteroides do cinturão principal, e não apenas os do cinturão interior, a um pequeno número de “objetos-mãe”", conclui.

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