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Hubble inicia nova busca pelas galáxias mais distantes do Universo

Campanha de observações usa fenômeno previsto por Einstein para encontrar e estudar objetos formados nos primeiros 800 milhões de anos após o Big Bang

O aglomerado de galáxias Abell 370 foi o primeiro alvo da nova campanha, intitulada Buffalo: localizado a cerca de 4 bilhões de anos-luz da Terra na direção da constelação de Cetus (Baleia), este maciço aglomerado composto por centenas de galáxias e enormes quantidades de matéria escura distorce e amplia a imagem de galáxias além dele, como a que forma o grande risco que pode ser visto abaixo e um pouco à esquerda de seu centro
O aglomerado de galáxias Abell 370 foi o primeiro alvo da nova campanha, intitulada Buffalo: localizado a cerca de 4 bilhões de anos-luz da Terra na direção da constelação de Cetus (Baleia), este maciço aglomerado composto por centenas de galáxias e enormes quantidades de matéria escura distorce e amplia a imagem de galáxias além dele, como a que forma o grande risco que pode ser visto abaixo e um pouco à esquerda de seu centro
Foto: Nasa/ESA/A. Koekemoer/M. Jauzac/C. Steinhardt/Equipe Buffalo

O telescópio espacial Hubble iniciou recentemente uma nova missão dedicada a buscar algumas das galáxias mais distantes do Universo, formadas nos primeiros 800 milhões de anos após o Big Bang. Nela, os astrônomos vão tirar vantagem de um fenômeno conhecido como lente gravitacional, previsto por Albert Einstein na Teoria da Relatividade, no qual gigantescos e maciços aglomerados de galáxias distorcem e ampliam a luz emitida por objetos “atrás” deles de nosso ponto de vista, permitindo que o telescópio enxergue ainda mais longe e no passado de nosso Universo.

Intitulado Buffalo (sigla em inglês para “observações além dos Campos de Fronteira ultraprofundos e seu legado”), o projeto dá sequência à missão Campos de Fronteira (Frontier Fields em inglês), na qual o próprio Hubble já tinha usado o fenômeno das lentes gravitacionais em busca semelhante. Imagens dos primeiros resultados da nova campanha de observações foram divulgadas nesta quinta-feira e mostram o aglomerado de galáxias Abell 370, localizado a cerca de 4 bilhões de anos-luz da Terra, “cercado” pelas imagens de numerosas galáxias além dele ampliadas e distorcidas por sua enorme massa.

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Um dos exemplos mais impressionantes deste fenômeno pode ser visto logo abaixo do centro do aglomerado. Apelidado como “o Dragão”, o “risco” de luz é formado pela distorção e multiplicação de imagens de uma grande galáxia espiral localizado além do Abell 370.

Ao todo, 101 órbitas do Hubble, correspondendo a 160 horas de observação do precioso tempo de uso do telescópio espacial, serão dedicadas a explorar o entorno de seis dos mais significativos aglomerados de galáxias da missão original Campos de Fronteira, ampliando a busca pelas imagens distorcidas e ampliadas de outras galáxias mais distantes.

Com o Buffalo, os astrônomos esperam melhorar a compreensão sobre a formação e evolução das galáxias no início do Universo, fundamental para também melhor entender o comportamento e a dinâmica das galáxias mais próximas da Terra e da nossa própria Via Láctea, bem como obter mais pistas sobre a natureza e os efeitos da misteriosa “matéria escura”, que apesar de compor cerca 80% de toda matéria do Universo parece só interagir com a chamada matéria bariônica, ou “comum”, da qual as estrelas, planetas e nós mesmos somos feitos, via gravidade.

"Ao expandir a área que vamos mapear em torno destes aglomerados, poderemos melhorar significativamente nossas estimativas sobre a magnificação proporcionada por suas lentes gravitacionais, uma passo necessário para estudar as galáxias distantes que o Buffalo vai descobrir", explica Mathilde Jauzac, pesquisadora do Centro para Astronomia Extragaláctica da Universidade de Durham, no Reino Unido, e uma das líderes do novo projeto.

"Além disso, o Buffalo nos permitirá mapear precisamente a distribuição da matéria escura nestes aglomerados maciços, e assim traçar a história de sua evolução, uma das peças de informação faltantes nas atuais teorias sobre a evolução (dos aglomerados de galáxias). O Buffalo e uma extraordinária oportunidade para entender como a matéria escura se junta, interage e evolui em alguns dos aglomerados de galáxias mais maciços presentes em nosso Universo".

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