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Cientistas criam 'nariz eletrônico' que fareja e tem maior precisão

Inclusão de bomba de ar e barômetro aumentam taxa de acertos para 95%

O TruffleBot mede pressão e temperatura dos vapores
O TruffleBot mede pressão e temperatura dos vapores
Foto: Amy Simmons/Brown University

O “nariz eletrônico” típico identifica odores pela detecção de compostos químicos que passam por uma rede de sensores monitorada por um software que reconhece padrões. A tecnologia já é utilizada em várias indústrias, como a agricultura, de produção de alimentos e militar. Em laboratórios, ela está sendo testada para a detecção de doenças, como o nível de glicose no sangue a partir do hálito e a presença de parasitas em amostras de fezes. Em trabalho apresentado este mês na conferência BioCAS2018, o engenheiro Jacob Rosenstein, da Universidade Brown em Rhode Island, apresentou um novo modelo de “nariz eletrônico”, que aumenta a precisão desses dispositivos de 80% para 95%.

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Batizado como TruffleBot, funciona como os dispositivos atuais, monitorando os compostos químicos, mas acrescenta mais duas informações: pressão e temperatura. De acordo com o pesquisador, essas duas características físicas dos vapores também auxiliam na identificação dos odores. Como exemplo, cita a cerveja. Por causa do álcool, o cheiro da bebida provoca uma leve queda da pressão e um aumento da temperatura.

— Parece uma coisa natural, uma extensão do nariz eletrônico que adiciona mais informações contextuais — explicou Rosenstein, ao site IEEE Spectrum.

Trata-se de um pequeno circuito integrado, de 3,5 por 2 polegadas, que roda numa placa Raspberry Pi com oito pares de sensores, divididos em quatro colunas. Cada par possui um sensor químico e um barômetro digital, que mede a pressão e a temperatura dos vapores. Um outro avanço em relação aos dispositivos atuais é a inclusão de uma bomba de ar, que puxa os vapores para a rede de sensores.

Quando os animais querem cheirar alguma coisa, eles não apenas se expõem passivamente aos compostos químicos. Eles farejam ativamente, capturando amostras do ar e se movimentando, para que os sinais recebidos não sejam estáticos
Jacob Rosenstein, engenheiro da Universidade Brown em Rhode Island

Nos testes, o nariz eletrônico cheirou nove odores, incluindo os de vinagre de cidra, suco de limão, vinho e vodca. Apenas o sensor químico conseguiu reconhecer os odores em cerca de 80% das tentativas. Com o acréscimo da bomba de ar, a precisão aumentou para 90%. E com as leituras de pressão e temperatura, o dispositivo conseguiu reconhecer os odores em 95% das tentativas.

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