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Engenheira do Google bate recorde de cálculo do Pi

31,4 trilhões de dígitos foram calculados sem o uso de supercomputadores, com tecnologia em nuvem

Emma Haruka Iwao, engenheira do Google
Emma Haruka Iwao, engenheira do Google
Foto: Divulgação

No dia 14 de março, comemora-se o dia do Pi, a mais antiga constante matemática conhecida. Costumeiramente arredondado para 3,14, esse número é o resultado da divisão da circunferência de qualquer círculo por seu diâmetro. Como o Pi é um número irracional, tem uma quantidade infinita de dígitos após a vírgula. Na última quinta-feira, o Google anunciou a quebra de um recorde: calculou a maior quantidade de dígitos de Pi.

"Esse cálculo não tem uma aplicação prática para a ciência ou a matemática. Você só precisa saber o Pi com uma precisão de 100 dígitos para enviar foguetes para o espaço", explica Emma Haruka Iwao, a engenheira do Google que liderou a equipe recordista. "Porém o cálculo de Pi é uma referência para o teste de performance de um supercomputador", acrescenta.

Emma levou ao todo quatro meses para determinar nada menos que 31,4 trilhões de dígitos de Pi. No entanto, o recorde em si não é a novidade mais interessante dessa façanha, ela acredita. O mais impressionante do feito de Emma é como ela alcançou esse resultado, sem o auxílio de um supercomputador. Ela usou uma ferramenta chamada y-cruncher, criada por Alexander J. Yee, em 25 máquinas virtuais por meio do Google Compute Engine, um serviço que permite requisitar poder de processamento pela nuvem.

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"No passado, tínhamos que usar supercomputadores para realizar uma tarefa como essa, e quase ninguém tinha acesso a isso", conta Emma. "Hoje, qualquer um pode usar máquinas virtuais. Computação em nuvem é uma nova maneira de se calcular. Em vez de ir a uma loja e comprar, você pode pedir uma máquina por dez segundos, por exemplo. Não há necessidade de possuir todo o poder de processamento que você está usando."

Essa é a primeira vez que o recorde de cálculo do Pi é batido apenas por serviços em nuvem, mas Emma acredita que a marca deve ser batida em breve. "Tenho certeza de que esse recorde será quebrado, e isso é bom, porque significa que teremos computadores cada vez melhores."

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Por meio de ferramentas disponíveis para qualquer pessoa, Emma foi capaz de uma façanha que antes era reservada apenas a quem tivesse acesso a supercomputadores. Essa é uma boa forma de ilustrar o que se convencionou a chamar de Lei de Moore, uma observação de Gordon E. Moore que previa crescimento exponencial na capacidade computacional, e vem se mantendo mais ou menos precisa desde 1965.

O supercomputador mais potente do mundo em 1997 era o ASCI Red, projeto do governo americano que custou US$ 55 milhões, ocupava 150 metros quadrados e utilizava eletricidade equivalente a 800 casas. Nove anos mais tarde, a Sony lançou no mercado o Playstation 3, um videogame com capacidade de processamento comparável à do Red. "No período de uma década, um computador capaz de processar 1.8 teraflop passou de um dispositivo que só poderia ser fabricado pelo governo mais rico do mundo para finalidades que beiravam o impossível em termos de capacidade de processamento para algo que um adolescente poderia esperar encontrar na sua árvore de Natal", brincou o jornalista britânico John Lanchester, em um artigo no London Review of Books, em 2015. 

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