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Do ES para a Nasa: capixaba narra trajetória e agradece professores

Briant de Oliveira tem 23 anos, mora nos EUA, trabalha na Nasa, mas não esquece do que vivenciou no ambiente escolar em Laranjeiras, na Serra

Engenheiro de Software e Cientista de Dados da Johnson Space Center Home - Nasa,   Briant de Oliveira
Engenheiro de Software e Cientista de Dados da Johnson Space Center Home - Nasa, Briant de Oliveira
Foto: Divulgação // Briant

Briant de Oliveira é um capixaba de 23 anos que sempre sonhou em tentar a vida nos Estados Unidos. Convidado pela professora de português do ensino médio, cursado no Sesi de Laranjeiras, na Serra, o jovem contou, por meio de um vídeo, a trajetória que o fez chegar longe, onde, segundo ele, "o céu não é o limite": Briant hoje trabalha para a Nasa.

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O capixaba, que cursa Engenharia de Software e Ciência de Dados nos EUA, acabou se destacando em virtude de um estudo que desenvolveu e que permitiu identificar 37 planetas fora do sistema solar.

"Eu saí do Brasil há oito anos, de última hora, resolvi vir para estudar. Naquela época, eu praticamente não tinha interesse em inteligência artificial. Queria seguir carreira na medicina, curso que cheguei a iniciar. Depois de três anos morando aqui, comecei a ser introduzido à programação e troquei meu curso. Durante meu período de estudos, trabalhava com projetos usando dados da Nasa e isso chamou a atenção deles e começaram a me seguir nas redes sociais", narrou.

CURIOSIDADE E AMBIÇÃO

Movido pela curiosidade e pela sugestão de um amigo, Briant se candidatou a uma vaga na agência espacial americana. Sem acreditar que seria aceito, foi contactado e o contrataram para trabalhar com inteligência artificial.

"Estou aqui para dar suporte à estação espacial internacional. Jamais esperaria chegar até aqui. Eles foram atrás da minha pesquisa e por meio dela, que basicamente me introduziu aos dados, fiquei muito curioso e comecei a pesquisar mais. Quando me contrataram, em dezembro do ano passado, me adicionaram a um dos times aqui em Houston, em que trabalho com informação, fazendo análise de tudo que concerne à Nasa, como sobre o que as pessoas falam a respeito dela, o que costumam procurar sobre, etc", contou. 

AGRADECIMENTO AOS PROFESSORES

O vídeo gravado pelo brasileiro mostra um Briant humilde e grato, que agradece aos professores do ensino fundamental e médio pela inspiração e contribuição pelo sucesso que alcançou. De acordo com ele, não foi um grande estudante à época, mas o diferencial dele foi ter ingressado em projetos importantes durante o tempo de escola.

"Carreguei o ensino do Sesi pela vida inteira. Participei da Mini ONU e de um projeto que incentivava a sustentabilidade na comunidade, que ajudava plantando árvores e fazia arrecadação de alimentos, participei de gincanas e de várias outras atividades que me inspiraram a ser a pessoa que sou hoje", comentou.

Para ser bem honesto, eu nunca pensei que hoje em dia estaria aqui. Estude, se dedique e nunca desista. Espero que esse vídeo tenha ajudado a inspirar um pouco, não desista. Foi basicamente a escola que me inspirou a seguir meus sonhos, sou muito grato a isso. Fui muito sortudo de ter tido os professores que tive

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A ROTINA NOS EUA

A vida nos Estados Unidos é bem diferente da do Brasil, segundo o ainda estudante. "Aqui tem muito mais oportunidade, tenho chance de evoluir sempre, cada dia mais. Eu sei que poderia ter terminado a faculdade aí no Brasil e só então ter vindo para cá. Mas sentia que o Brasil estava me prendendo, amigos faziam faculdade na Universidade Federal do Espírito Santo e se atrasavam por conta das greves e eu não queria passar por isso", revelou.

Para Briant sempre esteve claro o desejo de morar no país norte-americano, onde os pais moraram antes mesmo de ele nascer. "Acabou sendo uma decisão bem louca. Decidi vir pra cá, morei uns 8 meses com gente que tinha conhecido pelo Facebook, que estavam na Flórida. Vim e tentei a sorte", explicou.

No dia a dia, o jovem quase não fala português. No trabalho, não há outros brasileiros. O que mantém o vínculo com o país de origem mais frequente é o fato de a família residir em Vitória, à exceção de alguns tios. Por causa da família, o cientista tenta vir ao Brasil uma vez por ano, mas a última vez que esteve aqui já ultrapassa esse período.

MUDANÇA DE CURSO

Não tendo previsto o trajeto que seguiria na ciência, Briant chegou a cursar dois períodos inteiros de medicina. "No final foi uma mudança bem louca. Perguntavam se eu estava maluco, mas hoje sei que a troca foi a melhor decisão que eu fiz e não me arrependo. O curso deve ser concluído já no final de dezembro e já trabalho na Johnson Space Center Home, um dos centros de comando dos voos tripulados por equipes da Nasa. Recebo várias propostas de contratação a partir dessa experiência, não só aqui nos Estados Unidos. Até mesmo a ONU está tentando contato", concluiu.

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