Notícia

Pesquisadores descobrem nova espécie de anfíbio no Sul do ES

Os registros foram feitos inicialmente em Itapemirim, na Mata do Ouvidor, e a espécie não é conhecida em nenhuma outra parte do mundo até o momento

Nova espécie de anfíbio é descoberta no sul do estado
Nova espécie de anfíbio é descoberta no sul do estado
Foto: Reprodução/Iema

Pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em colaboração com alunos de faculdade particular fluminense, encontraram, no início de 2018, uma nova espécie de anfíbio, segunda do gênero Luetkenotyphlus, no Sul do Espírito Santo, em região de mata que abrange os municípios de Atílio Vivácqua, Mimoso do Sul e Muqui, conhecida como floresta do Monumento Natural Estadual Serra das Torres.

> Chuva de meteoros poderá ser vista do Espírito Santo

Os registros foram feitos inicialmente em Itapemirim, na Mata do Ouvidor, e a espécie não é conhecida em nenhuma outra parte do mundo até o momento. O responsável por liderar as avaliações genéticas e morfológicas do animal, até então desconhecido, foi feita pelo Doutor Adriano Maciel, do Museu Paraense Emilio Goeldi. 

Segundo a Doutora Jane de Oliveira, que coordenou a expedição na Serra das Torres, onde foi obtido o maior número de registros da nova espécie, a Serra das Torres já revelou, em pesquisas anteriores, também pela equipe, a importante biodiversidade que tem guardada nas florestas.

PRESERVAÇÃO

A pesquisadora afirmou ainda que a espécie nova encontrada na Serra das Torres a na Mata do Ouvidor parece estar associada a florestas preservadas, já que se trata de um anfíbio que vive enterrado entre as folhas e a terra e que depende, portanto, de uma camada de folhas e de umidade adequada para a existência.

> Infestação de cupins atinge casas em Cachoeiro de Itapemirim 

IMPORTÂNCIA DA DESCRIÇÃO

A espécie encontrada é, segundo tratam as pesquisas, típica da região em que foi encontrada, estando restrita, até o momento, à Mata do Ouvidor e à Serra das Torres, região de Mata Atlântica, bioma ameaçado pela intervenção humana. Ter encontrado o animal neste ambiente pode ser de grande importância, servindo a reforçar a necessidade de conservação do meio. O achado, de acordo com o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), indica que é possível que outras espécies tenham se perdido antes mesmo de serem identificadas.

Ainda de acordo com o Instituto, o nome dado à espécie, de Luetkenotyphlus fredi, é uma homenagem ao biólogo Doutor Carlos Frederico Duarte Rocha (Fred Rocha), pela contribuição aos estudos de ecologia de anfíbios e répteis no Brasil e no mundo e pelos significativos esforços para a conservação da Mata Atlântica.

CECÍLIAS

Devido ao hábito de se esconder no solo, as Cecílias são anfíbios difíceis de serem encontrados. O método eficiente para coletá-los, segundo descreveu o Iema, é por meio da escavação com enxadas, o que geralmente não se usa em levantamentos científicos. A Cecília encontrada é a de número 2013 no mundo, sendo que dez delas foram descobertas pelo taxonomista Adriano Marciel, vinculado ao Museu Paraense Emilio Goeldi e parceiro do estudo.

Antes dessa pesquisa, outros estudos importantes foram publicados entre 2009 e 2012, sob coordenação da Doutora Jane. Dentre eles, alguns destacam um dos menores sapos existentes e o menor do país, conhecido como Sapo-Pulga (Brachycephalus didactylus) e que, embora já fosse conhecido no estado do Rio de Janeiro, foi encontrado pela primeira vez no Espírito Santo.

De acordo com o Iema, a combinação de profundidade da camada de folhas depositadas no chão da floresta e a cobertura do dossel são fatores que permitem a manutenção de espécies de anfíbios sensíveis a mudanças na conservação da floresta.

Estudos também apontaram a existência de um dos menores sapos do mundo
Estudos também apontaram a existência de um dos menores sapos do mundo
Foto: Reprodução/Iema

Ver comentários