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Cirurgiões transplantam orelha 'criada' no antebraço de soldado

Uma das principais vantagens apontadas pelos especialistas é que este método permite a formação de novos vasos sanguíneos

Orelha 'transplantada' no antebraço
Orelha 'transplantada' no antebraço
Foto: Reprodução | U.S. Army

Shamika Burrage, uma mulher do exército dos EUA, perdeu a orelha esquerda depois de ter sofrido um grave acidente de carro há cerca de dois anos. Ela não queria ter que viver com uma prótese e procurando por alternativas encontrou no Centro Médico do Exército William Beaumont, em El Paso, no Texas, uma forma inusitada de recuperar a orelha.

Os médicos propusessem crescer uma orelha no seu antebraço, antes de transplantá-la para a cabeça. A reconstrução total da orelha, a primeira desse tipo no Exército, cultivar uma nova orelha, na pele do antebraço, com cartilagens recolhidas das costelas de Shamika, de acordo com o site oficial do exército americano.

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"Todo o objetivo é que, quando tudo acabar, pareça bom, seja sensato e, em cinco anos, se alguém não a conhecer, eles nem percebam que a orelha foi feita em cirurgia", disse o tenente-coronel Owen Johnson III, chefe, Cirurgia Plástica e Reconstrutiva do centro médico. "Como uma jovem soldado de serviço ativo, todos merecem a melhor reconstrução que conseguirem", finalizou.

Uma das principais vantagens apontadas pelos especialistas é que este método permite a formação de novos vasos sanguíneos. Shamika ainda tem duas cirurgias pela frente, mas está confiante. Como a parte auditiva não foi afetada, falta apenas realizar o transplante final para que o processo de reabilitação fique completo.

Em 2016, ao retornar a Fort Bliss, no Texas, depois de visitar a família no Mississippi, uma explosão de pneu mudou a vida de Shamika. "Eu estava voltando da licença e estávamos próximo de Odessa, no Texas. Eu e minha prima estávamos dirigindo e meu pneu dianteiro explodiu, o que fez o carro sair da estrada e eu apertei o freio. Lembro de olhar para minha prima que estava no banco do passageiro. Apenas me lembro da primeira capotagem".

O veículo derrapou por cerca de 300 metros antes de capotar várias vezes e a soldado ter sido ejetada do carro. A prima de Shamika, que estava grávida de oito meses na época, só sofreu ferimentos leves, enquanto ela feriu a cabeça, fraturas por compressão na coluna, cortes e perda total de sua orelha esquerda.

"Eu estava no chão, olhei para cima e minha prima estava bem ali. Então eu lembro das pessoas andando até nós, perguntando se estávamos bem e então eu desmaiei", disse Shamika, cuja próxima memória foi acordar em um hospital.

No hospital, ela foi informada pelos médicos que se não tivesse recebido atendimento médico em 30 minutos, ela teria sangrado até a morte. Após vários meses de reabilitação, Shamika começou a procurar aconselhamento devido às emoções causadas pelo acidente e seus efeitos em sua aparência.

"Eu não me sentia confortável com a minha aparência depois do acidente, então o médico me encaminhou para a cirurgia plástica".

Quando o cirurgião explicou suas opções de reconstrução, Shamika ficou chocada e inicialmente resistiu a reconstrução total da orelha. "Eu não queria fazer a reconstrução, mas pensei um pouco e cheguei à conclusão de que poderia ser uma coisa boa. Eu usaria a prótese para evitar mais cicatrizes, mas queria uma orelha de verdade", disse ela, que tem agora 21 anos.

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