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Alimentos em Vitória têm maior alta do país

Preços da comida subiram 3,66% em janeiro, segundo IBGE

Os dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) confirmam a percepção do consumidor no supermercado: o ano nem bem começou e os alimentos estão bem mais caros. É que o custo da comida em Vitória apresentou alta de 3,66% em janeiro, o pior desempenho do país.

O indicador, medido pelo IBGE, ficou quase um ponto percentual acima da média brasileira. Em 12 meses, a inflação dos alimentos na capital capixaba atingiu 14%, enquanto que o índice no país ficou em 12%. O cenário preocupa e só ajuda a aumentar o pessimismo do mercado e da população.

“Está tudo tão fora do controle que perdemos a noção dos preços. Sinto que estou gastando mais a cada dia que faço compras”, conta a nutricionista Patrícia Caiado, de 38 anos.

Em janeiro, os itens mais pressionados pela inflação foram o tomate (50,86%, o repolho (48,03%), os tubérculos (26,87%), a batata (20,55%) e o peixe-dourado (17,88%).

Segundo o economista Bruno Funchal, professor da Fucape, a escalada nos preços tem fatores sazonais, mas também é influenciada pelas políticas precipitadas que culminaram com a elevação das tarifas de energia que agora são repassadas para a alimentação.

Um dos colaboradores do Índice da Cesta Alimentar do Centro de Estudos e Análises Econômicas (CEAE) da Fucape, ele explica que a inflação tem ainda mais impacto quando se analisa os preços de alimentos por grupos de consumidores. “A cesta de alimentos dos vegetarianos calculada pela CEAE, por exemplo, foi 4,72% mais cara em janeiro em relação a dezembro”, explica.

Responsável pela pesquisa de preços da Doctum, o professor Paulo Cezar Ribeiro revela que em janeiro os itens alimentares da classe média do Estado alcançou 6,63%, uma variação acima da calculada pelo IPCA. Os motivos de tanta pressão sobre os alimentos, na visão dele, são oriundas da crise econômica, do custo de produção, da instabilidade climática provocada pelo El Niño, mas há também um repasse anormal do comércio. Os estudos da faculdade mostram que até vegetais antes considerados baratos estão entre os vilões. “O quilo do jiló e quiabo chegou a custar R$ 1 e hoje tem o mesmo preço do tomate”, afirma o professor.

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Ele acrescenta que o indicador da pesquisa da cesta básica em dezembro e janeiro ultrapassou 12% de avanço. “Nos dois meses, os dados nos surpreenderam por serem os maiores percentuais de crescimento desde que a pesquisa foi criada em 2007”, analisa.

Esse aumento expressivo nos preços dos alimentos para janeiro, de acordo com o presidente do Conselho Federal de Economia, Júlio Miragaya, não era esperado, em especial nos artigos de hortifruti. “Foi um balde de água fria na expectativa de desaceleração dos índices inflacionários. A alimentação e o transporte juntos representam quase 70% no IPCA. Se não tivessem subido de forma tão exagerada, poderíamos ter visto uma inflação de 0,6% no país em vez de 1,27%”, frisa.

Inflação é a pior em 13 anos para o mês de janeiro

A administradora Eleonora Lessa, de 59 anos, diz que reduziu gastos no supermercado por causa da inflação
A administradora Eleonora Lessa, de 59 anos, diz que reduziu gastos no supermercado por causa da inflação
Foto: Marcelo Prest

O mercado previa uma inflação menos penosa para janeiro, mas a instabilidade econômica derrubou as boas expectativas e permitiu o índice atingir 1,27%, o pior desempenho para o período desde 2003.

Em 12 meses, o indicador oficial, medido pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) ficou em 10,71%, e se nada for feito, o Brasil pode voltar a rever o fantasma da hiperinflação que assombrou o país até a década de 90 só que numa escala um pouco mais grave: associada à crise econômica.

O doutor em Economia Bruno Funchal explica que a inflação atual apresenta características semelhantes ao do passado por estar em um tipo de inércia. “Não temos escassez de produto, no entanto, os preços podem continuar subindo mesmo que se reprima a demanda. É um alta gerada pela inflação passada”.

Neste ano, a busca pela reposição do poder de compra deve pressionar também os indicadores. “Com a inflação a 10%, o trabalhador vai reivindicar um reajuste que o permita recuperar as perdas salariais. A consequência disso será uma nova alta nos preços”, acrescenta Funchal, ao explicar que a previsão é de que o IPCA feche o ano acima da meta, com 7,3%.

Segundo o professor de Economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pedro Raffy Vartanian, o aumento das tarifas de energia, da gasolina e o reajuste do salário mínimo transbordaram para outros produtos e serviços, e, ao examinar a trajetória do índice oficial é possível perceber que a tarefa de combater esse avanço tem se tornado difícil. “Se continuar em expansão, a inflação pode prolongar a recessão”. Ele afirma que as medidas para estancar as elevações perpassam pelo aumento da taxa de juros, pelo Banco Central, mas também pela adoção de uma política fiscal de contenção de gastos.

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