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"Venda do Serenata de Amor é fofoca. Não existe acordo", afirma diretor

Diretor da Garoto diz que a empresa passa pela crise econômica com a mão firme nos custos e fala sobre andamento do processo de fusão com a Nestlé

Travada há 14 anos no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a novela da venda da Chocolates Garoto para a Nestlé deve ganhar novos contornos em breve. Quem afirma é o diretor-geral da companhia, Liberato Milo, em entrevista exclusiva para A GAZETA, onde também falou sobre a atual crise econômica e comentou a possibilidade de venda do bombom Serenata de Amor.

Entre as novidades que devem ser anunciadas em breve pela empresa está a criação de uma linha de chocolates produzida com o cacau exclusivo das lavouras capixabas. Essa é uma modalidade de negócio a qual a Nestlé já tem atuado com êxito, como, por exemplo, na área de cafés especiais.

Apesar da companhia já estar sendo tocada com investimentos da Nestlé - mas com operações, fabricação e administrações separadas -, a formalização da fusão é pretendida para dar maior segurança jurídica aos negócios do grupo.

Desde quando foi comprada pela Nestlé, a empresa capixaba deu um salto de produção e faturamento, com receita líquida crescendo 167% entre 2002 e 2015. Para 2016, o faturamento está estimado em R$ 2,5 bilhões.

Milo esteve no Estado ontem, onde participou da premiação 27ª edição das Dez Mil Milhas Garoto, em Vila Velha.

O ato de concentração entre as empresas Nestlé e Garoto foi julgado em 2004 pelo Cade, que decidiu pela desconstituição da operação. A que pé está a negociação?

A Garoto e a Nestlé estão juntas com o Cade para, de boa-fé, conseguirem o melhor acordo possível. E o melhor acordo é aquele que seja sustentável para a companhia, para Vila Velha e para o Brasil, pois a Garoto é emblemática não só para o Espírito Santo como para o país, pois você encontra produtos da marca em toda parte do mundo.

Mas o processo está sendo liderado pelo Cade de forma muito profissional. Os técnicos do órgão já vieram ao Estado visitar nossas operações. Acho que estamos no caminho certo. O chocolate não é meu, é de todos nós. De forma técnica, vamos solucionar esse impasse.

Como a oficialização dessa fusão pode impactar positivamente os negócios da Garoto?

Estamos tocando a Garoto de forma natural, há 14 anos, investindo na companhia sem deixar de gerar empregos e criar produtos. E não vamos fazer isso de forma diferente no futuro. Estamos pensando em questão de décadas, sendo que essa formalização vai dinamizar ainda mais nosso crescimento.

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E a história de que o bombom Serenata de Amor estaria sendo vendido para outra empresa?

Eu diria que é fofoca profissional. O processo é comandado pelo Cade, não por nós. Nós não temos nenhum acordo com relação a isso. Qualquer acordo que formos fazer é pensando no logo prazo.

Com os produtores do Estado ampliando a área plantada de cacau, devido ao bom preço, a Garoto pretende também aumentar o volume comprado da matéria-prima capixaba?

Sim. Eu diria que todo cacau produzido no Espírito Santo nós já compramos. Temos uma associação com o Incaper que premia os melhores agricultores, investindo em matas e melhorias do manejo. Queremos cada dia um cacau melhor, não somente em quantidade, mas em qualidade.

Temos comprado diretamente do pequeno produtor, sem intermediário. É mais complexo, mas é a única forma de garantir a qualidade do produto. E o consumidor quer estar seguro do que está comendo.

Como a companhia está enfrentando esse período de crise econômica?

Estamos passando com a mão firme nos custos, mas sem deixar de investir para o futuro. No segmento de chocolate, você tem uma virada do consumidor, que quer produto de melhor qualidade, pequeno, bom, e com menos açúcar. O brasileiro é um consumidor sofisticado.

Qual é a expectativa do setor de alimentos, especialmente o de chocolate, sobre todo esse cenário de crise?

O Brasil é uma economia que tem muito potencial. A gente olha a longo prazo. Temos uma marca que é espetacular, que é a Garoto, exportando para o mundo. Nosso potencial é muito grande. O Brasil é um país muito importante para o grupo. Podemos passar por momentos difíceis, mas não tenho dúvida nenhuma de que o Brasil é importante para o grupo e, a longo prazo, será ainda mais importante.

Existe a possibilidade de a Garoto apostar em um chocolate com cacau puramente capixaba?

Não só existe a possibilidade, como em breve você vai ver na prateleira. E a mesma coisa a Nestlé fez com o café. Assim como temos um plano para o cacau, temos para o café. E o cacau capixaba é interessante para isso. Há 30 anos, tínhamos uma produção muito elevada no Estado, que depois caiu por diversos aspectos, como a vassoura-de-bruxa. Mas, mais do que quantidade, estamos crescendo em qualidade. A Garoto compra o cacau em Linhares, transforma em Vila Velha e vende para o país inteiro e o mundo.

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