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"Mandala" ganha as redes, mas promotor diz que esquema é de pirâmide

Promotor do Acre responsável por ação contra a Telexfree diz que as características da Mandala da Prosperidade são de pirâmide financeira.

Mandala da Prosperidade virou febre no Whatsapp
Mandala da Prosperidade virou febre no Whatsapp
Foto: Reprodução/ Whatsapp

Que tal investir R$ 100 em uma corrente entre amigos e em poucos dias receber R$ 800? É com essa proposta que a "Mandala da Prosperidade" vem ganhando cada vez mais adeptos no país. O sistema financeiro já é assunto em diversos grupos no Whatsapp e no Facebook.

A febre já chegou no Espírito Santo e divide opiniões. Para quem participa, o sistema é legal, pois funciona só entre pessoas conhecidas, sem a participação de empresas, mas promotores identificam indícios de crime de pirâmide financeira nas transações.

Segundo os divulgadores da "proposta", o sistema funciona em quatro etapas, que são denominadas de acordo com os "quatro elementos da natureza". O participante começa no elemento "Fogo" e deposita R$ 100 na conta de quem está na última etapa do processo. Cada vez que oito pessoas na etapa "Fogo" entram no grupo, os outros membros avançam no ciclo. Na segunda fase, denominada "Ar", o participante e outros três integrantes da Mandala precisam aguardar e indicar dois novos membros. 

Na etapa "Terra", o participante aguarda ou ajuda os membros da fase anterior a encontrar novas pessoas. Quando se fecha um novo ciclo em "Fogo", a Mandala se divide em duas e quem estava em "Terra" passa a fazer parte do último estágio do processo, na fase "Água", que é quem administra o grupo. Esse administrador recebe os R$ 800 dos participantes da fase "Fogo" e, após a Mandala "girar" (completar o ciclo), é eliminado do grupo. (Veja o esquema abaixo)

Funcionamento descrito pelos divulgadores da Mandala da Prosperidade
Funcionamento descrito pelos divulgadores da Mandala da Prosperidade
Foto: Reprodução/ Whatsapp

Responsável pela ação civil pública movida contra a Telexfree, esquema de pirâmide financeira que chegou a movimentar R$ 3 bilhões de reais em 2013, o promotor Marco Aurélio Ribeiro, da Promotoria de Defesa do Consumidor do Ministério Público do Acre (MP-AC) alerta, em entrevista ao G1, que as características da Mandala são idênticas a de pirâmides financeiras. O sistema já é investigado no Acre e pode ser criminalizado.

"Basta uma pessoa com a mínima noção sobre o sistema de pirâmides para ver que é impossível você dar R$ 100 e receber R$ 700 a mais. Alguém está pagando esse dinheiro por você. Quem vai entrando depois vai sustentando a rede de recurso, todo sistema piramidal é um crime contra a economia popular", acrescenta.

A Polícia Civil do Espírito Santo informou que não houve nenhuma queixa sobre o suposto esquema e que, por isso, não poderia opinar sobre algo que não é investigado. "Denúncias sobre o fato podem ser registradas na Delegacia de Repressão aos Crimes Eletrônicos", afirma a nota.

Um comerciante de 37 anos que prefere não se identificar é participante de uma mandala pela segunda vez. Ele revela que desconfiou quando lhe convidaram para fazer parte do grupo, mas defende a "corrente" e afirma que não há empresas envolvidas no negócio.

"Na época do Telexfree a gente sabia que tinha uma empresa por trás. Agora a Mandala é só entre as pessoas, quem participa deposita direto na conta de alguém conhecido e dá resultado. O dinheiro não sai do seu 'campo de vista', você sabe com quem está, se for o caso de cobrar depois. Não sou jurista, mas não acho que seja um caso de pirâmide. Se for ilegal, eu paro de fazer, obviamente, mas ninguém moveu nenhuma ação oficialmente contra esse procedimento", opina.

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