Notícia

Empresários acreditam em mais empregos e novos investimentos no ES

Para empresas, novas regras vão conduzir retomada

Movimento no comércio: setor estima economia de 5% com encargos
Movimento no comércio: setor estima economia de 5% com encargos
Foto: Nara Paraná/Arquivo

O mercado de trabalho se transformou com as novas tecnologias, mas a lei trabalhista se manteve igual e antiquada em relação ao atual momento que o mundo vive. Com essa visão, os empresários do Estado defendem a aprovação da reforma trabalhista. Para eles, a nova lei é essencial para modernizar as regras que, hoje, têm impedido o país de sair da recessão econômica, de estimular investimentos e de abrir novos postos de trabalho.

A categoria empresarial ainda não consegue prever os impactos financeiros das medidas, caso as propostas desenhadas no Congresso entrem em vigor, mas estimam que haverá alívio para as organizações que ainda sofrem com os efeitos da crise e que novas vagas de trabalho serão abertas com essa atualização, ajudando a reduzir o número de desempregados que já alcança, de acordo com dados do IBGE, mais de 13 milhões de brasileiros.

Para o presidente da Federação das Indústrias Marcos Guerra, ainda é prematuro fazer cálculos sobre as mudanças nas economias das empresas, mas ele acredita que será a oportunidade de se criar um novo modelo de relação entre capital e trabalho. “Haverá mais segurança jurídica. A pessoa poderá trabalhar em casa, discutir a forma que vai organizar seus descansos com o empregador. Serão formadas alternativas boas tanto para as empresas quanto para os funcionários”, opina ao acrescentar ainda que a flexibilização será essencial para a retomada do país.

Visão semelhante tem o presidente da Federação do Comércio do Estado, José Lino Sepulcri. “A lei trabalhista está fora da realidade dos tempos atuais. Não queremos prejudicar o trabalhador, mas tudo na vida passa por modificações. O mercado de trabalho mudou. A lei do jeito que está inviabiliza o futuro”, argumenta. Sepulcri afirma ainda que, para o varejo, haverá uma economia de 5% nos gastos com encargos trabalhistas caso a reforma saia do papel.

A geração de mais empregos será uma das consequências da reformulação da Consolidação das Leis do Trabalho, segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil, Paulo Alexandre Gallis Pereira Baraona.

“Ela é crucial para a redução do desemprego. Junto com a terceirização, a reforma trabalhista vai criar janelas de oportunidades. Muitos trabalhadores vão decidir montar seus próprios negócios para prestar serviços para várias empresas ao mesmo tempo.”

Baraona também afirma ser difícil projetar o benefício da reforma nas contas das empresas, mas acredita que haverá uma boa desoneração com os encargos trabalhistas. “Será bom para as empresas e para os trabalhadores. Todos vão sair ganhando”, avalia.

“Sonegadores querem reformular leis”

Do lado oposto às reformas nas legislações trabalhistas, os trabalhadores acreditam que as novas regras vão trazer novamente o regime de escravidão ao Brasil. “Na verdade, o que o governo quer é voltar para os anos 1.800, quando não existia nenhuma lei para proteger o trabalhador e legitimar o trabalho precário”, critica o sindicalista, Jasseir Alves Fernandes, presidente da Central Única dos Trabalhadores no Espírito Santo (CUT/ES).

Segundo ele, a reforma trabalhista, assim como a PEC que muda a Previdência, estão sendo conduzidas por parlamentares moralmente impedidos para os processos que vão mudar a vida de todo a população. “Estamos falando de gente que está inadimplente com os encargos trabalhistas e que está devendo uma fortuna à Previdência. São sonegadores que querem reformular as leis”, rebate.

Em todo o país, as categorias estão se posicionando fortemente contra a modernização da legislação trabalhista. Um dos argumentos para tentar barrar a aprovação é o possível aumento da desigualdade social. “O que vai acontecer é que seremos um país rico, gerando grandes riquezas, mas com uma população pobre”, diz Fernandes.

Para ele, as novas regras vão promover um desmonte nos direitos dos trabalhadores. “Não podemos aceitar isso. Na mobilização de sexta vamos tentar atrair mais trabalhadores para protestar contra essa injustiça que está em andamento”.

Ver comentários