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De tanto receber "nãos", jovens estão desistindo de procurar emprego

Eles entraram pra a estatística dos nem nem, que não trabalham nem estudam

 

Gabriel Melo cansou de procurar por uma vaga e decidiu estudar para concurso
Gabriel Melo cansou de procurar por uma vaga e decidiu estudar para concurso
Foto: Guilherme Ferrari

A cada ano, diante da crise econômica que ainda assola o país, mais e mais jovens entram para a estatística daqueles que não estudam e também não trabalham. No Estado, no primeiro trimestre deste ano, 27,3% dos jovens de 15 a 29 anos estavam dentro dessa categoria, chamada “nem nem” – são 242.523 jovens nessa situação. Um ano antes, o percentual era 25,7%. E no mesmo período de 2015, era 22,1%. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), compilados pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).

De tanto receber “nãos”, muitos jovens acabam desistindo de buscar uma oportunidade no mercado de trabalho. Entre os que nem trabalham, nem estudam nem buscam trabalho, eram 135.920 jovens no primeiro trimestre deste ano no Estado, explica Victor Nunes Toscano, especialista em estudos e pesquisas governamentais do IJSN.

“Podemos dizer que o aumento dos ‘nem nem’ tem relação a não encontrar emprego. Até porque a taxa de desemprego entre jovens é superior ao restante da população. Tem muita gente que, com a crise e a dificuldade de entrar no mercado, vai desistindo ao longo do tempo”, analisa o especialista.

Enquanto a taxa de desocupação da população geral no Espírito Santo foi estimada em 14,4% no primeiro trimestre deste ano, entre os jovens de 18 a 24 anos ela sobre para 31%.

Outra questão é a das mulheres, já que boa parte dos “nem nem” são mulheres que geralmente tiveram filhos e trabalham em casa. “A média de carga de trabalho delas está em torno de 30h semanais, mas o trabalho dentro de casa não é remunerado”, diz Toscano.

Mercado de trabalho
Mercado de trabalho
Foto: Infografia/Marcelo Franco

O mercado fica mais difícil para o jovem por causa da falta de experiência, pondera a economista Danielle Nascimento.

É o caso de Gabriel Cola de Melo, 25, que se formou em Publicidade e Propaganda em 2014 e desde então não conseguiu uma vaga. De tanto procurar e não encontrar, desistiu do sonhado emprego para estudar para concurso público. “É o que eu vejo de mais possível em meio a tanto desemprego”.

Informalidade é o caminho que resta para muitos

Com os jovens enfrentando dificuldade para ingressar no mercado de trabalho, o único caminho que resta para muitos é a informalidade. Psicóloga e diretora da LINCE Psicologia e Gestão, Fernanda Carvalho destaca que o desemprego na juventude atinge em especial aqueles que buscam a primeira oportunidade. “Com a crise, muitas pessoas começaram a optar por trabalhos informais ou fontes alternativas de renda”.

A psicóloga da Verthag, Thaís Varejão Fagundes Barcelos explica que o jovem deve buscar um trabalho que goste. “Não adianta procurar emprego nas áreas que não possui afinidade e, depois, se frustrar”, completa Thaís.

A diretora da LINCE cita algumas atividades que estão em alta, e podem servir um estímulo: “gastronomia (como chefs de cozinha, food trucks, confeiteiros, barista etc), beleza (maquiadores, cabeleireiro, personal stylist, etc), blogueiro, transporte (uber), artesanato...”

Depois de receber vários “nãos”, Gabriel Bodart se agarra na possibilidade de trabalhar em uma loja no polo de confecções da Glória, em Vila Velha. Ele cursa História na Ufes e já tentou emprego e estágio.

 

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