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"Setor energético foi destruído por Dilma", critica especialista

Adriano Pires criticou a fala da ex-presidente, que se mostrou contra a privatização da Eletrobras

Adriano Pires acredita que Dilma está desconectada da realidade
Adriano Pires acredita que Dilma está desconectada da realidade
Foto: Marcelo Prest | A Gazeta

A ex-presidente Dilma Rousseff fez duras críticas à proposta do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, de privatizar a Eletrobras e disse que a medida pode ameaçar o suprimento de energia elétrica do país e resultar em “uma conta de luz estratosférica” para os brasileiros.

“Vender a Eletrobras é abrir mão da segurança energética. Como ocorreu em 2001, no governo FHC (Fernando Henrique Cardoso), significa deixar o país sujeito a apagões”, escreveu a ex-presidente em seu perfil no Twitter.

O argumento foi rebatido pelo especialista em energia Adriano Pires, que acredita que ela está desconectada da realidade. “Se existe um setor que foi destruído por ela é o de energia. É inacreditável que a ex-presidente possa dizer que haverá apagões e aumento de tarifa após ela ter quebrado a Eletrobras e a Petrobras”, opina Pires ao lembrar da interferência do antigo governo no preço da conta de luz e da gasolina.

E complementou: “Em 2012, ela reduziu em 20% a tarifa de energia, mas em 2015 precisou elevar em 50% o preço ao consumidor, um prejuízo de R$ 230 bilhões para o país. Com a privatização da Eletrobras pode ser que haja um ajuste nos preços, mas nada como ocorreu na antiga administração do Brasil.”

Diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Pires é enfático ao dizer que o anúncio da venda da Eletrobras levará o país a viver um novo estágio, saindo de um Estado investidor para regulador. “Enquanto empresário, o governo mostra ineficiência. Vale dizer ainda que quando publicou a medida provisória reduzindo de forma forçada a tarifa de energia, houve desvalorização das ações da Eletrobras. Com o anúncio da privatização, os papéis começaram a valer quase 50% mais. Isso mostra que o atual governo acertou e o mercado reagiu de maneira espetacular.”

O modelo escolhido para concessão da Eletrobras à iniciativa privada será por meio da emissão de ações no mercado financeiro, o que deve gerar uma arrecadação entre R$ 20 e R$ 30 bilhões. A parte do governo será diluída e a empresa deve entrar no “Novo Mercado” da B3 (antiga Bovespa), transformando-a numa corporação com gestão e preocupada em pagar dividendo aos acionistas. “Hoje, quem são os donos das estatais? São os partidos políticos e as corporações. A Lava Jato mostrou isso”

Pires afirma que entre as principais vítimas das decisões equivocadas do antigo governo, na visão dele, estão o Espírito Santo e o Rio de Janeiro. “São Estados que ficaram sete anos sem leilão na área de petróleo e que ainda foram atingidos pelas ações de desinvestimento da Petrobras”, acrescenta.

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