Notícia

Financiamento negado? Saiba o porquê

Além da renda, características do imóvel ou vendedor podem atrapalhar

O cliente ao crédito é o primeiro a ser analisado. Ele não pode ter restrição nos órgãos de proteção ao crédito
O cliente ao crédito é o primeiro a ser analisado. Ele não pode ter restrição nos órgãos de proteção ao crédito
Foto: freepik

O financiamento imobiliário é a modalidade de pagamento mais utilizada para a conquista da casa própria no país. Apesar de bilhões de reais serem emprestados todos os anos por bancos públicos e privados, ter o crédito aprovado não é algo tão simples. O comprador, o imóvel e até mesmo o vendedor precisam atender a algumas exigências. Saiba o que pode impedir o seu financiamento.

Segundo o gerente regional da superintendência Norte do Espírito Santo da Caixa, Fábio Ronchi, o primeiro a ser analisado é o candidato ao crédito. Ele precisa ter idoneidade cadastral, ser maior de idade – ou menor emancipado - e ter capacidade de pagamento.

Leia também

“Isso quer dizer que a pessoa não pode ter restrição nos órgãos de proteção ao crédito, como SPC e Serasa. Também é necessário que a parcela do financiamento ocupe, no máximo, 30% da renda familiar. Este é um dos impedimentos mais comuns. Neste caso, o proponente pode oferecer uma entrada maior e reduzir o valor da parcela”, diz Ronchi.

Quem já teve o nome inscrito na lista de restrições dos órgãos de crédito não precisa desanimar. Se a dívida foi quitada, é possível recuperar o bom relacionamento com os bancos.

“Vamos analisar outros fatores, como a existência de outros empréstimos em andamento. E se, somando às novas parcelas, o pagamento dos créditos não vai comprometer 30% do salário. A maior dica para quem quer financiar no futuro é procurar um banco e iniciar um relacionamento, com conta corrente, o quanto antes. Isso acelera a aprovação do financiamento”, recomenda Ronchi.

Marcos Quadros, gerente-geral de Crédito Imobiliário do Banestes, alerta: é necessário comprovar o poder aquisitivo. “Para quem tem emprego com carteira assinada é mais simples, basta apresentar ou últimos seis contracheques. Quem tem renda informal ou variável precisa comprová-la. É possível apresentar contratos de aluguel, comprovante de imposto de renda, extratos bancários, entre outros documentos. É importante lembrar que, quando a renda é flutuante, nós consideramos uma média”.

IMÓVEL

Passando a primeira parte, é hora de verificar se o imóvel atende às exigências. Neste caso, os bancos querem garantir que o bem tem preço de mercado, condições de habitabilidade e se está desembaraçado judicialmente. “O imóvel precisa estar regularizado, sem ônus, dívidas ou penhoras. A escritura tem que estar no nome do vendedor. Além disso, a propriedade vai passar por uma avaliação feita pela equipe de engenharia do banco, que verifica o valor e avalia a condição de habitabilidade. Se estiver tudo correto, passamos para a próxima etapa”, explica Quadros.

PROPRIETÁRIO

O último passo é analisar o perfil do vendedor. “Ele precisa ser maior de idade e comprovar seu estado civil. Se for casado, ou foi quando comprou o imóvel, é necessário a aprovação do cônjuge. Também verificamos se há ações judiciais contra ele que coloque o bem em disputa ou penhora”, finaliza Fábio Ronchi.

É preciso ter atenção para não onerar os moradores
É preciso ter atenção para não onerar os moradores
Foto: freepik

HOME OFFICE NÃO PODE INCOMODAR OS VIZINHOS

Em tempos de crise, trabalhar em casa tem sido uma alternativa para garantir uma renda extra. Porém, no caso de condomínios, é importante se atentar às regras para não onerar os outros moradores em função de atividades comerciais particulares.

Segundo asíndica profissional e diretora da Realiza Administradora de Condomínios,KenyaMoreira,o primeiro passo é consultar o Regimento Interno . “É preciso saber se o documento autoriza a realização de serviços profissionais no prédio e quais são as regras”.

Ela ressalta que a maioria dos condomínios antigos proíbe atividades profissionais, principalmente quando as contas de água e gás são rateadas entre os moradores. “Quando não há medidores de consumo de água e gás individuais, existem restrições, como serviços de cozinha e salão de beleza, que fazem uso desses recursos”.

Kenya frisa que é injusto onerar os vizinhos. “Nenhum morador pode gerar despesa para o outro. Quem faz isso está agindo de maneira errada com os demais, pois a conta sobra para todos”.

Em relação aos empreendimentos novos, os especialistas afirmam que a maioria oferece espaço específico para atividades profissionais, como escritórios e salas de reunião. Mesmo assim, vale consultar as regras de cada condomínio, para não gerar atrito.

BARULHO

No caso de condomínios que permitem a realização de atividades profissionais na unidade, é preciso tomar alguns cuidados para não perturbar ou oferecer riscos ao vizinho. “O morador deve ficar atento ao horário de atendimento e às normas de segurança. E não incomodar o vizinho com barulho, tirando a tranquilidade e o sossego”, destaca a diretora do Grupo Atta Gestão Condominial, Lucilene Tenório.

Em caso de incômodo, quem se sentir prejudicado pode fazer o registro no livro de ocorrências e buscar a ajuda do síndico ou da administradora para as devidas providências. O vizinho que continuar fazendo o uso de água e gás de forma indevida pode ser penalizado. Se a ocorrência persistir, ele pode ser acionado judicialmente. (Tatiana Ribeiro)

Ver comentários