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Tijolinhos vazados voltam à moda na decoração

Populares em meados do século XX, cobogós ajudam a tornar a casa mais sustentável

O cobogó também é uma boa aposta para fachadas, pois preserva a circulação do ar
O cobogó também é uma boa aposta para fachadas, pois preserva a circulação do ar
Foto: José daher/divulgação

Os tijolos vazados, que formam um cobogó, foram moda nos anos 1950, mas estão voltando com tudo para o mercado da decoração. Criado em Recife, na década de 1920, se tornou paixão do arquiteto e urbanista Lúcio Costa, criador do projeto piloto de Brasília. O cobogó ficou esquecido com a ascensão dos prédios de vidro e do ar-condicionado, hoje, volta como parte da decoração da casa, mas ainda tem seu valor arquitetônico.

Os cobogós fazem parte da arquitetura moderna brasileira e surgiram como uma solução para sustentabilidade climática. Segundo o arquiteto José Daher, a peça não é apenas decorativa. “O cobogó é um elemento de proteção térmica dos ambientes. Em uma varanda com sol da tarde, por exemplo, em vez de fechá-la com vidro e formar uma estufa, instala-se o cobogó, que deixa passar vento e retira o calor do sol. Cria uma circulação do ar natural”, explica.

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A arquiteta Letícia Finamore avalia os cobogós como peças coringas, tanto na arquitetura quanto no design de interiores, e que podem ser usadas como divisória de ambientes, com leveza e sofisticação. Agora, eles nem sempre são fabricados de concreto, podem ser de madeira ou de outros materiais. ”Aplicação fica por conta da criatividade, ou seja, pode ser instalado em qualquer cômodo”, explica.

NOVA FUNÇÃO

José Daher afirma que a mudança de caráter arquitetônico para uma pegada decorativa se deve ao seu formato. Os cobogós sempre tiveram desenhos diferenciados, mas isso não quer dizer que ele deixe de cumprir suas funções sustentáveis. Daher afirma que, se a intenção do dono da propriedade é transformar o imóvel em um ambiente mais econômico e ecológico, pode apostar nos tijolos vazados. “A sustentabilidade também inclui a circulação natural do ar”, ressalta. Ele lembra que uma casa com uma boa circulação do vento diminui o consumo de ar-condicionado e ventilador.

Ao refazer o projeto da área social de uma casa projetada há 35 anos, o arquiteto apostou em tijolos vazados. “A casa ficava de frente para um terreno baldio, mas o bairro cresceu, e os donos do imóvel me chamaram para fechar o jardim de forma que não deixasse o imóvel quente, nem escondesse sua arquitetura. Então, apostei em um muro de cobogós.”

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