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Moradores invadem casas do Programa Minha Casa Minha Vida em Colatina

A invasão no Loteamento Nilson Soella 3 começou no fim de semana

As 433 casas do Loteamento Nilson Soella 3, em Colatina, Noroeste do Estado, ainda não foram entregues, mas a maioria já está ocupada. Moradores começaram a invadir as residências nesse final de semana. Aquelas que não foram ocupadas têm o nome do morador escrito, como se estivessem reservadas.

Entretanto, a maioria desses moradores não têm direito aos imóveis. É o caso da aposentada Maria Madalena da Silva. Ela veio de Alagoas para Colatina em 2012 e não fez a inscrição para o programa de moradia popular. Mas, mesmo assim, ocupou uma casa. "Surgiu uma oportunidade dessa ocupação. Então, eu estou pedindo a Deus que eu fique".

A aposentada Lina de Oliveira também soube da ocupação e foi para o local. "Eu ouvi falar que estavam invadindo aqui, que as casas estavam desocupadas. Eu falei assim: 'vou lá então ver se eu acho uma desocupada também'", afirmou.

A desempregada Vanessa Ramos disse que fez a inscrição e não foi sorteada, mas também decidiu ir para o loteamento. "Vou ficar aqui porque não tenho para onde ir. Eles têm que decidir para onde nós vamos. Eles têm que ver o que vão arrumar com a gente".

Invasão preocupa moradores que têm direito

As casas são do Programa Minha Casa Minha Vida e uma parte seria destinada para as famílias prejudicadas na enchente do final de 2013. São pessoas que saíram da casa própria e que até hoje recebem o aluguel social, como a doméstica Leontina Pereira. Ela teve a casa interditada em 2013 e teria direito a uma das casas invadidas.

"Minha casa foi condenada por causa da chuva. Tem dois anos que estou esperando a minha casa. Agora, estou morando no bairro Vila Amélia. Aluguei uma casa lá e a prefeitura paga o aluguel social. Mas o que eu quero é a minha casa", afirmou.

Outras pessoas que também fizeram a inscrição no Programa Minha Casa Minha Vida ficaram preocupadas. Elas não invadiram as casas e estão com medo de perder a moradia para essas pessoas.

"Só estou aguardando a chave porque falaram que seria no mês passado e não entregaram. Aí disseram que era neste mês e não entregaram. Como é que faz agora se as pessoas invadiram", questionou a auxiliar de serviços gerais Leila Souza.

"Eu espero que a Justiça resolva isso aí, dar as casas para nós como foi dito que foi sorteado", disse a costureira Vanilda Elias.

A construtora responsável disse que 99% das casas estão prontas. Os funcionários do loteamento até foram para a obra nesta segunda-feira (20), mas não trabalharam. A previsão da Caixa Econômica Federal era entregar as moradias ainda no mês de junho.

Obras serão retomadas após desocupação

A Caixa Econômica Federal informou que já acionou as autoridades competentes para garantir a posse das casas e a conclusão das obras. O banco já possui, inclusive, uma garantia judicial proibindo esse tipo de invasão.

A Caixa reforçou ainda que está aguardando as autoridades retirarem as pessoas dos imóveis e que só vai retomar as obras quando as casas forem desocupadas. (Com informações de Alessandro Bachetti)

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