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As cidades onde mulheres mais morrem no Espírito SAnto

Vila Velha e Cariacica lideram ranking de mortes no Estado

Flores são deixadas no estacionamento do Hucam, onde a médica Milena Gottardi foi morta
Flores são deixadas no estacionamento do Hucam, onde a médica Milena Gottardi foi morta
Foto: TV Gazeta

Amanda, Claudiana, Luzia, Deuseni e Milena. Todas assassinadas, a última há exatos 30 dias, no estacionamento do hospital onde trabalhava como médica, na Capital. Suas mortes brutais comprovam o aumento da violência contra a mulher no Estado. Há dois meses do fim do ano, só em 2017, 104 foram mortas. A Grande Vitória ficou com 40% dos casos.

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Vila Velha e Cariacica lideram o ranking de 2017, das cidades com o maior número de assassinatos contra mulheres. Em cada uma delas, 14 perderam suas vidas desde o primeiro dia do ano. Vitória e Serra empatam no segundo lugar, com 11 cada. No interior, quem lidera a triste estatística é Linhares, com nove registros.

Em relação ao ano passado, o aumento é significativo. No ano de 2016, 99 mulheres foram vítimas de morte violenta no Estado, dado superado até outubro de 2017. O aumento registrado, comparando o mesmo período de 10 meses, dos dois anos, já chega a 20%.

De acordo com o secretário de Estado da Segurança, André Garcia, havia uma redução destes indicadores, algo afetado pela greve da Polícia Militar em fevereiro deste ano. “Mas nada disso serve de desculpa para que tenhamos números tão alarmantes”, afirmou.

Apesar de Garcia citar a greve da PM como um dos fatores para o aumento de mortes de mulheres, vale destacar que fevereiro não foi o mês com o maior número de casos. No período da paralisação foram registrados 17 assassinatos do gênero, mesma quantidade de março e um a menos que o mês de agosto, líder, até o momento, com 18 mortes.

O Espírito Santo já foi, durante muitos anos, o primeiro colocado em mortes femininas no Brasil. Hoje, ocupa a quinta posição no ranking, de acordo com o Atlas da Violência, e, após anos sequenciais de queda nas estatísticas, volta a apresentar alta.

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A situação chegou ao ponto de fazer com que o governador Paulo Hartung anunciasse, na última terça-feira, um plano de enfrentamento à violência contra a mulher, onde destacou o engajamento de todas as áreas, na tentativa de conscientizar a população em relação ao assunto. “Temos a obrigação de desenvolver políticas públicas para combater a violência contra a mulher”, assinalou.

De acordo com Hartung, é preciso mudar a cultura de que o “homem é proprietário da companheira”. “Nosso desafio é mobilizar a sociedade para mudar a cultura, que muitas vezes é disseminada dentro de casa. O filho, muitas vezes, é criado assistindo ao pai agredir a mãe e vai repetir. Nós temos que quebrar isso”, frisou.

Segundo o secretário estadual de Direitos Humanos, Júlio Pompeu, vão ser reforçadas ações de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher em todas as regiões. “Colocamos o ônibus da mulher para rodar no interior, com equipes multidisciplinares falando sobre o assunto”, ressaltou.

Raio-X das mortes no Estado
Raio-X das mortes no Estado
Foto: Ilustração

 

 

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