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Justiça ordena transferência de Hilário para presídio de Viana

Chamou a atenção do juiz o fato de Hilário ter conseguido, mesmo preso, agendar uma ida ao INSS para tentar obter a pensão de Milena, assassinada em setembro, crime pelo qual o Hilário é denunciado como mandante

Hilário vai ao dentista sem algemas e à frente da própria escolta
Hilário vai ao dentista sem algemas e à frente da própria escolta
Foto: Edson Chagas

A Justiça estadual ordenou a transferência de Hilário Frasson do presídio para policiais que funciona na Delegacia de Novo México para a Penitenciária de Segurança Média I (PSME I), em Viana. Frasson foi levado para o novo presídio às 16h20 desta quarta-feira (8). No entanto, ele ficará separado dos demais presos, no local em que ficam detidos os agentes penitenciários.

Na decisão, o juiz da 1ª Vara Criminal de Vitória, Marcos Pereira Sanches, escreve que chamou atenção dele o fato de Hilário ter conseguido, mesmo preso, agendar uma ida ao INSS para tentar obter a pensão da médica Milena Gottardi, sua ex-mulher, assassinada na saída do trabalho, crime pelo qual o Hilário é denunciado como mandante.

"Como se não bastasse - e para maior surpresa -, verifico que o réu solicitou à autoridade policial responsável pela unidade prisional autorização de saída para comparecer ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, a fim de requerer em favor das filhas benefício previdenciário de pensão por morte da própria vítima que é acusado de ter matado", disse o juiz na sentença.

O magistrado se surpreende ainda mais com o fato de o agendamento, que só pode ser feito pela internet ou pelo telefone, ter sido autorizado pela direção do presídio onde ficam detidos os policiais civis. "Tal situação é inadmissível", escreveu. O fato será investigado pela Corregedoria da Polícia Civil. 

O juiz classificou como "absurdo" o fato de Hilário pedir o benefício de pensão por morte de Milena, sendo que ele é um dos acusados de mandar matar a médica.

A saída de Hilário para ir ao dentista, no último dia 30, também surpreendeu a Justiça. Segundo o juiz, o preso, mesmo provisório, tem o direito de comparecer em consultas odontológicas, o problema foi a maneira como a escolta foi feita.

"O réu saiu do veículo sem algemas e à frente daqueles que o escoltavam, chegando, inclusive, a ser abordado por um jornalista que o esperava (o que evidencia a facilidade de contato e acesso a terceiras pessoas), bem como foi quem acionou o interfone para ingressar no consultório odontológico, dando a impressão de que se encontrava em total liberdade.", escreveu.

Nos autos, o magistrado ressalta ainda que a Unidade Prisional da Polícia Civil não tem estrutura ou segurança suficientes para um preso da periculosidade de Hilário. O local, que era uma delegacia, foi adaptado para receber presos e conta com televisão para os detentos. "Existe apenas uma grade, de fácil transposição, separando o interior do estabelecimento prisional da rua. A vigilância do local, por sua vez, é extremamente precária, notadamente no período noturno", afirmou.

Segundo o juiz, esses fatores facilitam o contato e obtenção de informações exteriores, das quais Hilário deveria estar privado.

TRANSFERÊNCIA

A Polícia Civil informou por meio de nota que atendeu determinação judicial e transferiu o preso Hilário Frasson para o complexo penitenciário de Viana, na tarde desta quarta-feira (8). A PC ressalta que, antes de sua transferência, o preso pediu autorização para buscar atendimento no INSS, o que foi negado de imediato pela direção da unidade.

O documento com a solicitação feita por Hilário Frasson foi enviado ao juiz, assim que recebido, para apreciação e conhecimento. Sobre os questionamentos quanto à infraestrutura da 19ª Delegacia, a Polícia Civil lembra que o local abriga presos provisoriamente enquanto o presídio para policiais, que está em reformas, fique pronto. Ainda segundo a polícia, a unidade de Novo México é vistoriada mensalmente pela Vara de Execuções Penais de Vila Velha.