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Jardim da Penha teme novas ações do bandido 'Homem-Aranha'

Afirmação é do coordenador de Segurança da Associação de Moradores do bairro; bandido acumula passagens na polícia e Justiça por crimes em Jardim da Penha

Jilsemar Oliveira Santana
Jilsemar Oliveira Santana
Foto: Carlos Alberto Silva

O coordenador de Segurança da Associação de Moradores do bairro Jardim da Penha, em Vitória, André Luis Alves, de 44 anos, se diz indignado com a soltura de Jilsemar Santana - o homem-aranha que escalava os prédios do bairro para realizar roubos. O homem, que já acumula quatro passagens na Justiça, havia sido preso pela última vez no dia 12 de junho do ano passado ao escalar três andares de um prédio e entrar em um apartamento. Solto, Jilsemar foi visto na noite desta segunda-feira (17) em uma movimentada avenida da Praia do Canto, na Capital. Ele pedia dinheiro em um semáforo.

"Os moradores de Jardim da Penha vêm tendo muita dor de cabeça por causa da presença desse criminoso. Agora, sabendo que ele foi solto mais uma vez, o medo volta a tomar conta do bairro. Recebi a informação de que o Jilsemar estava novamente pedindo dinheiro em um semáforo e, sem acreditar, resolvei ir até ao local para conferir. Realmente ele estava lá. Estamos revoltados em ver esse bandido na rua. Não entendo. O cara pega 4 anos e 9 meses de prisão, vai preso e do nada já está aí pelas ruas", comentou. 

UM TEMA, DUAS VISÕES | A polícia prende e a Justiça solta?

André Luis Alves afirma que a Polícia Militar faz um bom trabalho no bairro e os moradores de Jardim da Penha ajudam os policiais a identificar suspeitos através de denúncias, contudo, ele teme que novos casos de roubos voltem a acontecer com a soltura do suspeito.

"Com esse criminosos solto, nós moradores do bairro vamos ter que ficar ainda mais atentos. Afinal, é muito provável que ele volte a cometer os crimes. É uma rotina: ele vai para o semáforo pedir dinheiro para usar drogas e depois, durante a madrugada, sai pelas ruas cometendo crimes e invadindo casas. Queremos dormir tranquilos. Cadê a Justiça do nosso país? É para isso que pagamos nossos impostos?", desabafa.

TRÊS PASSAGENS PELA JUSTIÇA ATÉ 2017

Jilsemar coleciona quatro passagens pela Justiça, todas por crime contra o patrimônio. Posto em liberdade, em outras ocasiões, o "homem-aranha" voltava a entrar nas residências para cometer o mesmo tipo de crime.

Em julho do ano passado, depois de ser preso, ele chegou a ser condenado a quatro anos e nove meses de prisão por um roubo cometido em 2015, em decisão da juíza Gisele Souza de Oliveira, da 4ª Vara Criminal de Vitória. Segundo os autos, o acusado escalou três andares de um prédio no bairro Jardim da Penha e entrou em um apartamento. A proprietária estava dormindo e acordou quando o ladrão pegava dois relógios de pulso dela, que estavam sobre a mesinha de cabeceira.

VÍTIMA TEVE SÍNDROME DO PÂNICO APÓS TER CASA INVADIDA

Também no ano passado, uma reportagem especial da Rádio CBN Vitória conversou com uma moradora de Jardim da Penha que foi vítima de Jilsemar. Ela conta que o bandido cortou a rede de proteção da janela da área de serviço para entrar no apartamento dela.

"Moro no segundo andar, ele entrou levantando o portão da garagem. Pegou a lata de lixo, subiu por ela, entrou no apartamento do meu vizinho de frente, no segundo andar. Meu vizinho não estava em casa, estava viajando, e ele levou alguns pertences e uma mochila. Pegou uma faca no apartamento do vizinho, veio no meu aparatamento, cortou a tela de proteção da área de serviço e entrou", contou.

Sem se identificar, a mulher afirmou ter adquirido depressão e síndrome do pânico após a invasão do homem-aranha na casa dela. 

"Tenho uma filha de quatro anos, e ele foi na cabeceira da cama dela. Foi o que me deixou mais abalada. Se ele fizesse qualquer coisa com meu filho, tenho um menino de 16, acho que ele reagiria, daria um empurrão, meu esposo e eu também, mas minha filha de quatro anos ele poderia ter feito qualquer coisa com ela, até feito de refém. Realmente até hoje eu estou colhendo alguns frutos amargos", disse à reportagem na época.

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