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Idosa perde quase R$ 300 mil em golpe do sequestro no ES

A pensionista chegou a ficar mais de 12 horas em contato com os criminosos

Vítima de criminosos, a aposentada de 85 anos, contou que perdeu no golpe quase R$ 300 mil ,em dinheiro e joias
Vítima de criminosos, a aposentada de 85 anos, contou que perdeu no golpe quase R$ 300 mil ,em dinheiro e joias
Foto: Carlos Alberto Silva

Uma aposentada, de 85 anos, foi mais uma das vítimas do golpe do falso sequestro na Grande Vitória. Na última terça-feira (30), ela perdeu R$ 98 mil em dinheiro e cerca de R$ 200 mil em joias.

À reportagem, a mulher contou que recebeu a primeira ligação na noite de segunda-feira (29) e passou a noite em ligações telefônicas com os bandidos, que diziam estar com a filha dela. Por não conseguir falar com a filha, a idosa se desesperou e, em meio ao nervosismo, entregou tudo o que os bandidos exigiam na esperança de salvar a filha, que na realidade não era refém.

Durante o dia, dois homens foram ao apartamento dela e a levaram até o banco, onde a vítima realizou três transferências bancárias. Depois, a levaram ao antigo aeroporto, onde uma mulher que dizia ser funcionária da Infraero a levou para tentar comprar dólar e até um celular para os criminosos, tudo para tirar mais vantagens da idosa.

LIGAÇÕES 

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A primeira ligação telefônica que a idosa recebeu foi de um número do Rio de Janeiro. Segundo a polícia, grande parte desses golpes começaram dentro de presídios.

“Temos registros de ligações que vieram de dentro de presídios cariocas. Porém, também temos registros de ligações de Minas Gerais e São Paulo. São quadrilhas especializadas nisso, que utilizam até de cadastros espalhados em lojas”, explicou o delegado Fabiano Rosa, titular da Divisão de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio.

A orientação da polícia é estar atento ao momento de receber esse tipo de ligação. “Manter a calma e tentar falar com a suposta vítima. Tenha o celular fixo das pessoas para ter vários números de tentativa. Depois, não atenda mais”, observou o delegado.

ENTREVISTA 

Que horas eles entraram em contato com a senhora?

Quando eles me ligaram a primeira vez eram 22h de segunda-feira. Tinha uma mulher chorando no telefone, que falava igual à minha filha. Me pediram dinheiro e disseram que iriam me buscar em casa para que a gente comprasse dólares no aeroporto.

E a senhora foi com eles?

Sim. Por volta das 23h eu estava no aeroporto. Fiz uma transferência de R$3mil, era tudo que eu tinha. Mas eles queriam mais. Aí me levaram para casa e disseram que, no dia seguinte, iriam me buscar cedo para me levar no banco.

Eles ficaram a noite toda no telefone?

Ligaram para o meu celular e ficaram travando a linha. Enquanto isso, ficaram em contato comigo no fixo, e diziam que se eu desligasse, matariam a minha filha. Passei a noite em claro.

No dia seguinte buscaram a senhora?

Sim, no outro dia me levaram no shopping e pediram que eu comprasse R$35 mil em dólares. Não consegui. Aí me mandaram comprar dois celulares, mas o cartão não passou.

E o que aconteceu depois?

Como eu não consegui comprar, eles me passaram uma lista de contas para que eu fosse no banco e fizesse transferências. Fiz todas, quando eu estava terminando, minha filha me encontrou.

Como ela chegou até a senhora?

Eu não entendi nada. Quando eu a vi no banco, pensei que já tivessem liberado ela. Aí ela me disse que ligaram do banco dizendo que eu tinha tentado comprar os celulares, foi quando ela rastreou o meu aparelho e me encontrou no banco.

E que horas eram?

Quando nos encontramos já eram 11h30 de terça-feira. Só aí eles desligaram, porque o gerente do banco pegou o telefone e perguntou quem era na linha. 

Quando a senhora recebeu a ligação, tentou contato com sua filha?

Sim, eu liguei para ela e para o meu genro, mas ninguém me atendeu. Aí eu acreditei que eles pudessem mesmo estar com ela.

 

 

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