Entrevista

"Ele não respeita o meu querer como mulher", diz vítima de agressão no ES

Vítima, que foi atacada na frente do filho de 3 anos, contou que convive com a violência doméstica e já foi estuprada pelo marido

Bernardo Coutinho | GZ

As marcas da violência estão por todo o corpo da dona de casa de 40 anos, espancada e esfaqueada pelo marido, na noite de domingo, em São Torquato, Vila Velha. Saber que o suspeito foi preso, e ela espera que por um bom tempo, ameniza a dor causada pelo relacionamento de cinco anos, marcado por agressões, estupro e humilhações.

Como ele estava antes de te atacar?

Alterado já. Percebi isso. Ele bebe muito e ontem (domingo) bebeu mais ainda. Passou o dia se drogando dentro de casa, até pedi a ele para sair porque a fumaça fazia mal para o nosso bebê de três meses. Mas, ele ignorou. Estava aborrecido porque minha filha estava comigo.

Como assim?

É, ele estava incomodado porque minha filha, que tem 15 anos, veio passar o Dia das Mães comigo. Ela é fruto do meu primeiro casamento e mora em Cariacica. Ele não gosta que eu fale com meus filhos do outro casamento.

Como foi o momento em que ele te atacou?

Ele Foi direito no meu peito, senti uma pressão e achei que tinha me furado. Mas, Deus agiu naquela hora e a facada não foi funda. Depois, tentou me furar de novo. Como não conseguiu, começou a me bater e dar socos na minha cabeça.

Você tentou fugir?

Não tive como, ele trancou tudo e colocou um sofá na porta. Fez tudo de caso pensado.

Seus filhos viram tudo?

Tudo. O de 3 anos levantou chorando e gritava pedindo para o pai parar e ele correndo atrás de mim, com a faca. Foi um pesadelo. Fiquei com medo de matar o menino também.

Ele já tinha te batido antes?

Já, várias vezes. Estamos juntos há cinco anos e ele sempre foi violento.

Já tentou se separar?

Várias vezes. Já mandei ele embora, mas ele não vai. Se recusa. Já me mudei e ele foi atrás de mim, invadiu a minha casa. Diz sempre que vai mudar. Mas, dependo dele para algumas coisas.

Você trabalha?

Não. Me sustento com R$ 400 de auxílio do Bolsa Família, que uso para pagar o aluguel e algumas contas. Ele trabalha e divide algumas contas comigo. Por isso se acha no direito de viver aqui.

Que outro tipo de violência ele já praticou com você?

Fez nosso filho mais novo, que hoje está com três meses, à força. Sei que isso é estupro. Eu não queria. Ele forçou. Não respeita o meu querer como mulher. Não sabe que não é não. Já sofri muito com isso. Mas, agora ele vai ficar preso e vou poder organizar a minha vida.

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