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Em Presidente Kennedy, prefeitura vira briga de família

Prefeita Amanda Quinta rompeu com tio e cedeu sala a namorado

Na política, uma boa oposição é tão importante quanto a boa administração. Contudo, se faltam esses dois fatores – seja por uma administração medíocre, seja por uma oposição que não diz a que veio, quem paga a conta é a população, refém de um vácuo de projetos.

Foi o que A GAZETA constatou, na última semana, ao visitar Presidente Kennedy, Anchieta e Linhares, municípios que lideram na arrecadação de royalties e participação especial do petróleo, mas onde sobra pobreza.

Nas três cidades, mais vivos que os projetos para os eleitores estão os escândalos de corrupção, obras inacabadas e brigas familiares. Também há sintomas de incompetência administrativa.

Quem chega a Kennedy e procura pela prefeita Amanda Quinta (PSDB), de 25 anos, não deve bater à porta da sede do Poder Executivo municipal. Desde o final do ano passado, ela dá expediente na Secretaria de Cultura, na mesma rua.

Essa era a pasta que ela ocupava na gestão do ex-prefeito Reginaldo Quinta (PSDB), seu tio e, agora, rival político.

Caso de família

No lugar de Amanda, quem despacha na prefeitura é José Augusto Paiva, 40, chefe de gabinete e namorado da prefeita. A mudança de endereço vai ao encontro de uma convicção que existe nas ruas: quem realmente comanda o município que mais recebe royalties no Espírito Santo é José Augusto.

Até antes do ex-prefeito Reginaldo Quinta (PMDB) ser preso na Operação Lee Oswald, em 2012, Amanda morava com ele e a avó, de 94 anos. “Ela começou a namorar esse homem sem a gente saber”, diz o tio.

Ao desistir da reeleição, em 2014, e lançar a sobrinha, Reginaldo queria continuar dando as cartas mesmo preso. Mas Amanda criou asas próprias e passou a criticar a administração do tio.

Reginaldo conta que menos de um mês após a posse, acabou influenciada pelo namorado a deixar a casa do tio.

Foto: Carlos Alberto Silva - GZ

Amanda Quinta, prefeita de Presidente Kennedy

Cadê Amanda?

Na última segunda-feira, Amanda e José Augusto não compareceram ao local de trabalho e ninguém soube informar o porquê. Também se negaram a falar à reportagem por telefone. Sabe-se que José Augusto tem alguma influência junto a lideranças de Cachoeiro de Itapemirim.

A explicação da prefeitura, em nota, para o fato da prefeita não despachar no prédio-sede, e sim na Secretaria de Cultura: “O local é mais acessível, amplo e arejado”. O gabinete fica na “sala anexa à Coordenadoria de Comunicação e ao Cerimonial”.

Minientrevista

“Vivemos uma ditadura em Kennedy”

Reginaldo Quinta, ex-prefeito de P. Kennedy

Como espera terminar 2016?

Espero vir candidato, tomar posse em 1º de janeiro e avançar com Presidente Kennedy como fiz antes. Eu mudei a história de Kennedy.

Mesmo tendo sido preso por suspeita de desvio milionário?

O pessoal de Kennedy me conhece. Sabe com quem estão lidando. No caso dessa Operação, não tenho receio de não seremos inocentados.

Teme ser preso?

Não (silêncio). Sigo de peito aberto.

Qual seu projeto para a cidade?

Quero colocar energia solar nas casas menos favorecidas. A energia pesa na conta dos mais pobres. Seria a última disputa, para encerrar o que foi interrompido.

O rompimento com a Amanda foi por ela não permitir sua interferência?

De jeito nenhum. Eles proibiram todo mundo de falar com a gente. Se alguém vier na minha casa no outro dia está exonerado. Vivemos uma ditadura.

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