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Ex-ministro diz que Operação Zelotes quer atingir Lula

Para Gilberto Carvalho, que foi chefe de gabinete de Lula, a operação mudou de foco para tentar atingir o ex-presidente

Operação investiga esquema de corrupção no Carf, onde lobistas teriam agido para reduzir multas de grandes empresas automobilísticas
Operação investiga esquema de corrupção no Carf, onde lobistas teriam agido para reduzir multas de grandes empresas automobilísticas
Foto: Ailton de Freitas

O ex-ministro Gilberto Carvalho afirmou nesta segunda-feira (25), em depoimento na 10ª Vara Federal de Brasília, que a Operação Zelotes mudou de direção para ter como foco o ex-presidente Lula (PT), de quem foi chefe de gabinete no período de 2003 a 2010.

Carvalho prestou depoimento como testemunha de dois réus acusados de participarem de suposto esquema de compra de medidas provisórias editadas no governo do petista – os lobistas Alexandre Paes dos Santos e Cristina Mautoni. Ambos estão presos.

“Não tenho dúvida nenhuma de que o presidente Lula virou alvo preferencial. É evidente que a Operação Zelotes ganhou foco de grande publicidade neste caso por conta do presidente Lula, quando, na verdade, a operação deveria estar preocupada, sobretudo, com a restituição aos cofres públicos daquelas empresas que fraudaram o Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais)”, disse Carvalho.

O ex-ministro afirmou, ainda, que o governo está tranquilo com relação às medidas provisórias, mas que ele não poderia responder sobre o que ocorreu no Legislativo, onde as normas são votadas para ser convertidas em leis.

“O foco dessa operação está completamente equivocado do ponto de vista do interesse do país. Quanto ao que aconteceu com as MPs no Legislativo eu não posso dizer nada. Eu não sei de nada. Não ponho a mão no fogo por ninguém. No caso do Executivo eu tenho a consciência tranquila e certa pela importância da MPs e seriedade das pessoas que eu conheço”, destacou.

Envolvimento

A Operação Zelotes foi deflagrada no ano passado para desarticular um esquema de corrupção no Carf, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda que julga recursos de grandes contribuintes a multas aplicadas pela Receita Federal. Grandes empresas pagaram a lobistas para ter multas reduzidas ou anuladas.

O nome de Gilberto Carvalho está registrado em papéis apreendidos com lobistas contratados por montadoras de veículos para conseguir no governo as normas que resultaram em prorrogação de incentivos fiscais.

Já o ex-presidente Lula assinou as MPs. O filho dele, Luís Cláudio Lula da Silva, foi contratado por R$ 2,5 milhões por uma consultoria investigada por integrar o esquema. 

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