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Ouça na íntegra os áudios de grampos das conversas do ex-presidente Lula

O juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, incluiu os grampos no inquérito que tramita em Curitiba.

O ex-presidente Lula em encontro com sindicalistas e membros do PT em São Paulo após ser alvo da 24ª fase da Lava Jato

Áudios e transcrições de interceptações telefônicas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram tornados públicos nesta quarta-feira (16) pela Justiça Federal no Paraná. 

O juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, incluiu os grampos no inquérito que tramita em Curitiba.

Lula e Dilma

O primeiro áudio gravado mostra a presidente Dilma informando que enviou o "termo de posse" como novo ministro da Casa Civil, mas é orientado a só usá-lo "em caso de necessidade". Os investigadores da Lava Jato interpretaram o diálogo como uma tentativa de Dilma de evitar uma eventual prisão de Lula.

Lula, Dilma e Jacques Wagner

Em ligação gravada no dia 4 de março, Lula diz que deve viajar pelo país, convoca a militância e questiona o processo investigatório e a imprensa, o que chama de "espetáculo de pirotecnia".  Lula ainda diz que Suprema Corte, STJ e Parlamento estão acovardados. O ex-presidente ainda fala contra os presidentes da câmara e do senado.

Com Wagner, Lula fala sobre a ministra Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal), no momento em que a magistrada estava para decidir sobre o curso das investigações contra o ex-presidente. "Se homem não tem saco, quem sabe uma mulher corajosa possa fazer o que os homens não fizeram, disse.

Lula e Jacques Wagner

Lula fala com o então ministro da Casa Civil sobre a saída de José Eduardo Cardozo do Ministério da Justiça e desmarca uma viagem à Brasília "por conta da saída do rapaz". Na ligação, o ex-presidente diz temer que a viagem fosse associada à saída do ministro, apontada como decorrente de pressão de Lula e do PT. Wagner diz à Lula que a própria presidente havia manifestado preocupação, afirmando que "depois vão dizer que ele veio aqui comemorar o bota-fora".

Lula e José Guimarães

Em diálogo com o ex-presidente na noite de 10 de março, o líder do Governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que ‘o jeito’ da presidente Dilma Rousseff, ‘muito caracterizadamente como avesso a política’, é um problema. Dilma

José Guimarães demonstra a Lula, durante o diálogo, preocupação com um possível impeachment de Dilma. “Acho que, Lula, se você me permita, desde ontem que pessoas falam comigo, sentem essa conjuntura, tudo que tá acontecendo, essa violência de hoje”, afirma Guimarães.

“Acho que frente a essa conjuntura toda, necessidade de segurar o projeto, sem você não segura. O negócio tá indirigível, não há condições. Nós temos que dar a volta por cima, só dá se você tiver dentro, no dia a dia”. O ex-presidente diz que está ‘tentando pensar’ e que não é ‘uma coisa simples’.

Lula e Lindbergh Farias

Lula diz ao senador do Rio que as investigações da Lava Jato serão "uma farsa, uma mentira" se a delação premiada de executivos da Andrade Gutierrez não citarem o PSDB e o senador Aécio Neves. Nas gravações, Lula indicou saber que seu telefone pudesse estar grampeado e criticou um delegado da PF e o senador mineiro. "O Aécio não quer mexer em nada porque ele não quer que as coisas dele sejam mandadas para investigação", disse.

Lula e Edinho Silva

Lula pede ao ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, para "ficar atento, pois vai sair muita crítica sobre a nomeação do novo ministro, com o objetivo de encurralá-lo". A fala diz respeito a Eugênio Aragão, recém-nomeado ministro da Justiça por Dilma. "No fundo, no fundo, eles querem evitar que qualquer ministro acabe com os vazamentos da Polícia Federal".

Lula e Rui Falcão

Lula ouve do presidente nacional do PT, Rui Falcão, que "os jornais vão dar amanhã 'Lula lança candidatura'", em relação ao discurso do ex-presidente feito após ele ser levado para prestar depoimento à Lava Jato. Em resposta, Lula diz: "Eu quero que se foda. O Datafolha amanhã, com toda a merda, vai publicar pesquisa que eu fui o melhor presidente da história do Brasil".

Lula e Lindbergh Farias

Em conversa com o senador do Rio, Lula recebe os parabéns por um discurso. Diz a Farias que a bancada do PT "pode ser a redenção do nosso partido" e dispara: "É ir pro cacete, não tem mais jeito". Ao ouvir que a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) também dava os parabéns, Lula disse que "ela tem sido muito leal, muito companheira". Foi a deputada quem publicou um vídeo de Lula após seu depoimento à Lava Jato, em que o ex-presidente diz "eles que enfiem no c... todo o processo!".

Lula e Jacques Wagner

Lula diz ao então ministro da Casa Civil que a presidente Dilma "sabe que nós somos o Exército dela. Não tem muito o que ficar... Sabe? É que nem a mãe da gente: faz comida, a gente não gosta, mas come".

Depois o ex-presidente trata da votação do projeto de lei que permite reduzir o peso da Petrobras na exploração do pré-sal. Segundo Wagner, a ordem de Dilma à bancada petista era "só não pode dar o Serra".

O senador José Serra (PSDB-SP) é o autor do projeto, que acabou sendo aprovado depois com alterações acordadas com o governo. Lula disse ainda que, ao ficar sabendo que o PMDB ficaria a favor do projeto original na primeira votação, disse a Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, que "o PMDB não pode embarcar nessa porra. O PMDB pode até flexibilizar, mas garantindo que a decisão seja da Petrobrás".

Lula e Alberto Carlos

A ligação acontece entre o ex-presidente Lula e um cientista político chamado Alberto Carlos, aparentemente trata-se de Alberto Carlos Almeida, que escreveu o livro "A Cabeça do Brasileiro" e faz pesquisas qualitativas para o governo. Na ligação, o cientista político orienta Lula a aceitar o ministério.

"A acusação no país é montada para incriminar o acusado. Os pobres no Brasil conhecem isso muito mais. Tem uma paginação, tem fé pública, tem o Ministério Público, aquilo é feito debaixo da asa de um juiz. Eu li tudo que saiu com relação a ti. Quando você lê aquilo a luz do que eu aprendi, eles condenaram já, efetivamente. Não tem defesa jurídica que salve. Eu estou falando com alarmismo mesmo. É uma decisão individual daquele cara de Curitiba. Ele fez um balão de ensaio na sexta-feira (dia do depoimento). Como seria se ele tomasse a decisão? Você tem uma coisa na sua mão hoje, é ministério. Usa. Hoje vocês vivem numa guerra política. O cara lá é tucano. Ele tá ali e depende da cabeça dele.", diz o cientista político, orientando o ex-presidente a aceitar o ministério.

"Eu to vivendo uma situação de anormalidade, ou seja, esses caras podem investigar minhas contas que não vão encontrar um centavo. Eles sabem que não tenho apartamento, que não tenho chácara. Eles sabem que não só fiz muita palestra como fui o mais bem pago conferencista do começo do século. Agora, se o cidadão começa a levantar suspeita disso tudo, alguém tem que provar", retruca Lula.

Lula e Eduardo Paes

Em conversa com o prefeito do Rio de Janeiro, o ex-presidente diz que Eduardo Paes é um abençoado por ter as olimpíadas. Em contrapartida, o prefeito diz encontra dificuldades com o governador Pezão e a presidente Dilma.

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