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Delator: pagamentos foram feitos a ex-chefe de gabinete de Hartung

Segundo ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, foram repassadas quatro parcelas de R$ 250 mil para Neivaldo Bragato em hotéis da zona Sul do Rio

Neivaldo Bragato foi chefe de gabinete de Paulo Hartung até fevereiro deste ano
Neivaldo Bragato foi chefe de gabinete de Paulo Hartung até fevereiro deste ano
Foto: Marcos Fernandez

Documento oficial da colaboração premiada de Benedicto Junior (o BJ), ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, resume a operação de caixa dois para aliados do governador a Paulo Hartung (PMDB) nas eleições de 2010 e 2012.

Veja o documento na íntegra (PDF, 874kb)

Assinado por dois procuradores da República da força-tarefa da Operação Lava Jato, o documento relata que a empreiteira pagou, a pedido de Hartung, R$ 1 milhão não contabilizado para candidatos apoiados pelo peemedebista na disputa eleitoral de 2010.

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Segundo declarou BJ, esse dinheiro do caixa dois foi todo entregue a Neivaldo Bragato, aliado antigo do peemedebista, em hotéis da área nobre e turística do Rio de Janeiro: a Zona Sul. São citadas quatro parcelas de R$ 250 mil em setembro de 2010.

Neivaldo Bragato foi chefe de gabinete de Paulo Hartung no Palácio Anchieta até fevereiro deste ano. À época dos fatos, ele era Secretário de Estado de Transporte e Obras Pública, na segunda gestão Hartung, em 2010. 

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Por meio do chamado Departamento de Operações Estruturadas da empreiteira (chamado de Departamento de propina), o contato da Odebrecht para esses pagamentos era o também delator Sérgio Neves. BJ afirma ter sido procurado por Hartung para a doação. O governador negou todas as acusações

Ainda conforme o Termo de colaboração, Bragato volta a aparecer como o indicado de Hartung encarregado de operacionalizar o pagamento de R$ 80 mil para candidatos do peemedebista na disputa municipal de 2012. BJ deixou claro que Bragato era homem de confiança de Hartung e sabia que se tratava de caixa dois.

Na noite desta quinta-feira (13), Bragato enviou nota na qual considerou absurda as informações apresentadas pelo delator. "Com 35 anos de vida pública no Espírito Santo, asseguro que é absurda e descabida a informação de que a empresa Odebrecht supostamente teria repassado, por meu intermédio, recursos para as campanhas eleitorais de 2010 e 2012. Não recebi nenhum recurso e sequer tive participação nas referidas campanhas. Estou convicto de que a verdade prevalecerá ao final do processo", diz o texto.

 

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