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Advogado preso na Lava Jato é um dos contratados por Hartung

Sócio de Willer Tomaz confirma a contratação do escritório. Prisão, porém, não tem relação com governador

Advogado Willer Tomaz
Advogado Willer Tomaz
Foto: Vlter Zica OAB-DF

O advogado Willer Tomaz, preso na última quinta-feira pela Polícia Federal na Operação Patmos, é um dos advogados que chegaram a ser contratados pelo governador Paulo Hartung (PMDB) em abril para defendê-lo perante a Justiça nos procedimentos resultantes da delação da Odebrecht na Lava Jato.

A informação foi confirmada à coluna Praça Oito, na tarde desta segunda-feira (22), pelo também advogado João Marcos Braga de Melo, que integra a equipe do escritório Willer Tomaz Advogados Associados. Ele também atua na defesa de Hartung ao lado de Willer. “Sim, [a informação] é verdadeira. A gente está advogando para ele, sim”, confirmou Braga de Melo.

A prisão de Willer Tomaz, contudo, não tem nenhuma relação com o governador Paulo Hartung nem com o contrato firmado entre ambos. O advogado foi preso na Operação Patmos, uma etapa da Lava Jato, por supostamente ter agido para obstruir a Justiça.

Sediado em Brasília, o escritório de advocacia contratado por Hartung tem uma filial na Praia do Suá, em Vitória.

A assessoria do Palácio Anchieta, porém, afirma que os advogados do governador são o procurador-geral do Estado Rodrigo Rabello e Rodrigo Lisboa. “O advogado Willer Tomaz, por ter escritório sediado em Brasília, tinha uma procuração para que levantasse as informações iniciais da peça que se encontra no STF. Willer não fez e não fará a defesa do governador Paulo Hartung em nenhum procedimento judicial”, afirmou, em nota, a assessoria do governador.

A assessoria enviou, ainda, a cópia de uma petição apresentada ao STJ, na última sexta-feira – um dia após a prisão de Willer –, estabelecendo que a defesa de Hartung será feita exclusivamente por Rabello e Lisboa.

No dia 12 de abril, contudo, Hartung deu procuração a Willer Tomaz e ao escritório chefiado pelo advogado para o representarem juridicamente. Pelo documento, Tomaz e seus associados ficaram autorizados a atuar em nome do governador nos procedimentos resultantes do pedido de abertura de inquérito apresentado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em face do governador. “O outorgante [Hartung] confere os poderes da cláusula ad judicia, para atuar nos procedimentos derivados da Pet nº 6.633/DF, em todas as instâncias judiciais.”

Segundo Braga de Melo, Willer Tomaz ainda é um dos representantes legais de Hartung no caso, mesmo após a prisão, e seu escritório segue atuando em nome do governador. “Ele [Willer] não foi destituído até o presente momento, e o escritório ainda conta com o aparato técnico completo. A equipe ainda está trabalhando. Todo o acompanhamento processual e jurídico tem sido feito”, disse, na tarde desta segunda-feira (22).

Por que Willer foi preso?

Em delação à Lava Jato, o dono da JBS, Joesley Batista, disse ter contratado Willer Tomaz por “serviços” a seu favor no âmbito da Operação Greenfield, que investiga esquema de corrupção relacionado a fundos de pensão. Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Tomaz receberia de Joesley para conseguir o arquivamento do inquérito contra o empresário e teria subornado o procurador da República Ângelo Goulart Villela, membro da força-tarefa da Lava Jato, para obter informações sigilosas de dentro da operação. Vilella também foi preso. Tomaz teria atuado, ainda, para atrapalhar a delação de Joesley, possivelmente em benefício dos senadores do PMDB Romero Jucá e Renan Calheiros.

 

 

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