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João Coser é reeleito para presidir o PT estadual

Grupo do ex-prefeito de Vitória derrotou o do deputado federal Givaldo Vieira

Após um processo eleitoral conturbado, com troca de farpas, anulação de votos sob suspeita de fraude e até acusação de golpe, o ex-prefeito de Vitória João Coser foi reeleito e comandará o Partido dos Trabalhadores no Estado pelos próximos dois anos. Coser conseguiu os votos de 128 dos 250 delegados que participaram do congresso do partido, ontem, no Alice Vitória Hotel, no Centro da Capital, contra 122 de seu oponente, o deputado federal Givaldo Vieira.

João Coser foi reeleito presidente do PT no Estado
João Coser foi reeleito presidente do PT no Estado
Foto: Ales

O resultado contraria as previsões que se tinha nos dias pré-eleição, quando Givaldo chegou a obter 126 delegados contra 124 do ex-prefeito.

Após a divulgação dos votos, o deputado saiu rapidamente do local com cara de poucos amigos e não cumprimentou João Coser. Em entrevista à imprensa, ele disparou acusações contra o rival.

“Denunciei no dia anterior a abordagem aos nossos delegados feita por prefeitos de outros partidos, figuras estranhas, de fora. Houve pressão sobre delegados nossos que são funcionários dessas prefeituras, além de ofertas de emprego e dinheiro. A prova disso está no registro de todas votações abertas, que nós ganhamos, mas eles conseguiram cooptar, pressionar e comprar votos para virar o placar”, disse Givaldo, referindo-se às outras deliberações no congresso em que sua chapa venceu, inclusive a que decidiu pela saída do PT do governo Hartung.

Givaldo prometeu avaliar com o seu grupo político se recorrerá a executiva nacional sobre as supostas irregularidades que apontou.

Comemoração

Coser, que com seus apoiadores foi comemorar a vitória na Rua Sete, no Centro, disse, por sua vez, que o discurso de Givaldo é de quem não soube perder e cantou vitória antes do tempo.

“Ele não foi humilde o necessário. Trabalhei até o último momento, sabia que era uma eleição que daria diferença na faixa de cinco a dez votos. Eu trabalhei, eu confio na militância do PT, não sei se alguém fez alguma abordagem. Eu não fiz. Minha relação foi direta com todos os militantes, fiz uma defesa da minha candidatura aqui no Congresso, tenho certeza que ela reverteu posição e votos”, disse.

Sobre Givaldo ter dito que perdeu justamente a única votação que foi secreta, a para presidente da legenda, Coser aproveitou para também acusar o oponente de fazer pressão. “Nas eleições abertas estavam exercendo pressão sobre as pessoas, estavam de olho. Quando é voto secreto a pessoa fica livre”, disparou.

Sem prazo para sair do governo Paulo Hartung

Pouco antes da votação que selou a permanência de João Coser à frente do comando estadual do PT, os delegados do partido definiram outra questão espinhosa: sair ou não sair do governo Paulo Hartung (PMDB). O desembarque vez ou outra é sugerido, insuflado, principalmente, pela militância do partido no Estado. Apesar de várias tentativas, a sigla não havia deliberado a respeito até ontem.

Por fim, com um placar apertado, por 126 votos contra 124, os petistas decidiram sair do governo estadual, no qual ocupam postos até no primeiro escalão.

Mas a sigla deve permanecer nos cargos por tempo indeterminado, uma vez que os delegados também definiram que caberá ao novo diretório estadual, comandado por Coser, decidir a data de saída. “Nós vamos compor a nova direção partidária, a nova executiva, e a partir desta composição nós vamos discutir a forma de cumprir as resoluções. Isso não é tarefa exclusiva do presidente, é também da diretoria eleita, que vai dar conta de cumprir todas resoluções”, disse o presidente reeleito.

O próprio Coser já foi secretário de Hartung, era titular da pasta de Desenvolvimento Urbano. Aliado do ex-prefeito, Carlos Casteglione, que hoje é secretário estadual de Trabalho e Assistência Social, não sabe quanto tempo levará para sair do governo.

“Fui convidado pelo governador e quero que o PT me permita fazer um processo de transição em respeito a esse convite”.

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