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Obra em atraso: do cais das artes ao caos da promessa

Iniciado em 2010, projeto idealizado por Paulo Hartung fica para 2019

Obra do Cais das Artes. segundo promessas, deverá ser retomada em 2017
Obra do Cais das Artes. segundo promessas, deverá ser retomada em 2017
Foto: Guilherme Ferrari

Iniciado em 5 de abril de 2010, durante o segundo mandato do governador Paulo Hartung (PMDB), o Cais das Artes é um verdadeiro clássico, não por causa do que deveria ser exposto em sua área interna, mas por ser uma das obras mais antigas que ainda não foi concluída no Estado.

Entra ano e sai ano lá se vão sete e passagem por três governos diferentes consecutivos, dois do atual governador e um do ex-governador Renato Casagrande (PSB).

“Trabalho há dois anos aqui na região e essa obra não anda, não vejo nem um movimento aí dentro”, disse o motorista Willian Rocha, de 42 anos.

Segundo dados do portal Geo Obras do Tribunal de Contas do Estado (TC-ES), o espaço era previsto para ser entregue em 30 de outubro de 2015 após seu primeiro contrato ser reincidido em 2012 e um outro ter sido assinado em 2013. Não bastasse a demora, R$ 132 milhões já foram gastos e aproximadamente R$ 80 milhões ainda faltam para finalizar segundo o secretário estadual de Transportes e Obras Públicas, Paulo Ruy Carnelli. O valor total previsto inicialmente para o Cais era de R$ 115 milhões.

“A primeira empresa contratada iniciou a obra em 2010 e executou 42% dela. Ela porém, quebrou e não teve condição de ir adiante. Foi feita outra licitação e contratada uma empresa em 2013. Foram dois anos de trabalho e execução de cerca de 50% do que faltava para seu término (58%), mas o desempenho desta empresa estava pior, o contrato terminou e não quisemos renovar”, conta.

Segundo o secretário a obra deverá retornar entre o final de agosto e início de setembro, e deverá ser entregue em 2019, já em outro mandato.

“Uma parceria do governo com a Arcelor contratará uma empresa de engenharia para fazer um levantamento do que foi feito e o que falta na obra. Em paralelo vamos contratar uma gerenciadora para a obra afim de dar apoio técnico ao Iopes (Instituto de Obras Públicas do Estado), acompanhar e fiscalizar para que ela ande bem”, promete.

Grama cresce onde deveria haver centro esportivo
Grama cresce onde deveria haver centro esportivo
Foto: Edson Chagas

Centro esportivo de Goiabeiras: ginásio ainda não saiu do papel 

Outro exemplo clássico de demora do poder público são as obras da prefeitura de Vitória para o centro esportivo da Grande Goiabeiras. Iniciadas em 30 de abril de 2008 com o objetivo de se tornar um ginásio esportivo de padrão internacional, o projeto acabou mudando para uma praça de esportes. No lugar foram feitos um campo de futebol de grama sintética e uma academia para idosos, mas a construção do ginásio, uma piscina e um estacionamento subterrâneo previstos anteriormente para o lugar, hoje estão fora de cogitação.

Obras inacabadas da Grande Vitória - A área de... por GazetaOnline

Segundo a prefeitura o valor inicial de R$ 50 milhões previstos para realizar as intervenções foi replanilhado e passou para R$ 15 milhões, sendo que R$ 10 milhões e meio já foram utilizados. Considerados desnecessários, os itens de antes deram lugar a um edifício administrativo, uma pista de skate, a um parque infantil, pista de caminhada, estacionamento e vestiários, que o município promete entregar até 2018.

“Captamos R$ 4 milhões e meio no Ministério do Esporte há um mês e já no segundo semestre será licitado”, promete o secretário de esportes Wallace Valente.

Obras não caminham

Centro de eventos

O projeto previsto para ser construído na área da Infraero, próximo à Praia de Camburi, foi abortado pelo Governo do Estado por não ser prioridade. Uma parceria público-privada, porém, vem sendo estudada. Orçado em R$ 98,5 milhões, o empreendimento chegou a ter a obra licitada e montado o canteiro de obras. Foram gastos cerca de R$ 600 mil. O local foi planejado para contemplar um auditório com capacidade para 1.200 pessoas, pavilhão de exposições, prédio para realizar congressos, restaurante e estacionamento com cerca de 2 mil vagas. Em dezembro de 2014, o projeto recebeu licença da prefeitura de Vitória, mas a construção, sob a responsabilidade do governo não foi adiante.

Rio Itanguá

Iniciada em 02 de julho de 2008, a obra de canalização dos afluentes do Rio Itanguá pela prefeitura de Cariacica foi paralisada por rescisão contratual em 2012 e assim se encontra até o momento. Cerca de R$ 1 milhão e meio foram gastos e não existe previsão de retorno. A prefeitura alega falta de recursos, dificuldades de captação de receita e que o projeto será assumido pelo Governo.

Canal do Congo

A obra de macrodrenagem do canal prevista para beneficiar 13 bairros da Grande Terra Vermelha, em Vila Velha foi iniciada em agosto de 2013 e tinha previsão de ser entregue ainda em 2015. O projeto contempla a desobstrução dos canais minimizando o impacto das águas das chuvas e prevê a realização de obras de construção de galerias, drenagem, pavimentação, rede coletora de esgoto e urbanização. Porém, em outubro do ano passado as intervenções foram paralisadas por falta de recursos federais, segundo a prefeitura. Atualmente as obras estão em andamento, conforme a administração, mas seu planejamento está sendo reprogramado e será enviado a Caixa Econômica Federal para análise. Prevista para ser concluída até dezembro, a administração municipal, porém, já não promete mais para esta data o término e que um novo cronograma só poderá ser criado após o posicionamento da Caixa.

quiosquecamburi.jpg
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Entra verão, sai verão, quiosques estão à deriva

Era abril de 2012 quando, já na reta final de seu segundo mandato, o ex-prefeito de Vitória João Coser (PT) disse: “Os quiosques ainda serão motivo de orgulho”. A referência era aos sete módulos construídos na Praia de Camburi, alvo de muita polêmica e orçamento milionário.

Cinco anos depois, no entanto, só duas das sete unidades existentes estão funcionando como quiosque: as de número 1 e 4. O quadro predominante hoje é de unidades abandonadas ou com dificuldades de se manterem abertas.

A construção dos quiosques custou caro ao contribuinte. Após cinco revisões no orçamento, cada novo módulo saiu a um custo final de R$ 1,2 milhão, valor anunciado em 2013, já na administração de Luciano Rezende (PPS).

Os quiosques da orla de Camburi se tornaram uma novela que se arrasta por uma década, desde a assinatura do contrato das obras, em 2007, até a situação atual de abandono. Sucessivamente, empresários desistem do negócio por conta das altas taxas de concessão – é preciso desembolsar pelo menos R$ 13 mil por mês para manter o empreendimento. O resultado é o sucateamento das estruturas e a ocupação por usuários de drogas e moradores de rua.

 

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