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Maia: Nova denúncia contra Temer 'certamente' não paralisará Câmara

Nesta quarta-feira, em evento com prefeitos, Maia não quis comentar se a Casa deve voltar a barrar a denúncia contra Temer

Câmara e Senado têm pouco mais de um mês para aprová-la
Câmara e Senado têm pouco mais de um mês para aprová-la

O presidente interino Rodrigo Maia afirmou que uma eventual nova denúncia contra o presidente Michel Temer "certamente" não vai paralisar a Câmara. Nesta quarta-feira, em evento com prefeitos, Maia não quis comentar se a Casa deve voltar a barrar a denúncia contra Temer.

"Não posso falar sobre isso", limitou-se.

Quando questionado se os trabalhos da Câmara serão interrompidos por uma nova denúncia contra o peemedebista, Maia afirmou que, enquanto a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) estiver analisando o caso e definindo um relatório, o ritmo de votações no plenário da Casa não será afetado.

"Quando estiver na comissão, certamente o plenário vai continuar trabalhando e tentando pautar matérias que são relevantes para o Brasil. É o que a gente tem tentado fazer. A gente deve terminar votar a reforma política, pelo menos naquilo que tem consenso. Não é fácil, mas vamos continuar trabalhando", declarou, citando a reforma política, que está em discussão.

Câmara e Senado têm pouco mais de um mês para aprová-la, se os parlamentares quiserem que as mudanças valham já para as eleições do ano que vem.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tem até o próximo dia 17, fim do seu mandato, para denunciar o presidente, que ainda é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por organização criminosa e obstrução de Justiça. Janot já apresentou denúncia por corrupção passiva contra Temer há dois meses, mas a denúncia foi barrada pela Câmara. A Casa deve dar aval a denúncias contra o presidente, antes de o Supremo decidir se aceita a acusação e torna réu o chefe do Executivo, afastando-o do Planalto enquanto o caso é julgado ou em até seis meses.

Maia não mencionou a reforma da Previdência, que está pronta para ir ao plenário há três meses. O governo ainda não tem votos para aprovar o carro-chefe das reformas econômicas no Congresso. No começo do mês, depois que a denúncia foi enterrada pelos deputados, o Palácio do Planalto havia definido um calendário, mas os planos já têm atraso. O objetivo era que, agora, o texto já estivesse aprovado em primeiro turno na Câmara e que, no fim de outubro, recebesse aval definitivo do Congresso, no Senado.

O presidente interino até o próximo dia seis "por conta de viagem de Temer à China", afirmou que é necessário paciência com a reforma política, ainda sem consenso na Câmara. Duas propostas de emenda à Constituição (PECs) estão prontas para ir ao pleno: a de Shéridan (PSDB-RR), que tenta frear coligações partidárias e o número de siglas no Congresso; e a de Vicente Cândido (PT-SP), que tenta definir um novo modelo de eleição, como o distritão para 2018 e distrital misto para 2022, além do financiamento público de campanhas. A primeira tem menos resistência na Casa, mas ainda não há acordo.

- Reforma política é assim: cada hora a gente acha que vai sair alguma coisa. Tem que ter paciência.

Assim como a reforma previdenciária, as duas PECs da reforma política demandam uma fatia grande de votos nas duas Casas: dois terços.