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Estelionato: prejuízo em João Neiva pode chegar a R$ 800 mil

Só em Aracruz, 200 pessoas foram vítimas dos crimes de estelionato praticados por Allan Dantas e Pamela Ohana

Allan Dantas de Azevedo foi preso no dia 2 de maio e encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Aracruz
Allan Dantas de Azevedo foi preso no dia 2 de maio e encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Aracruz
Foto: Divulgação

Aproximadamente 800 mil reais foi o prejuízo causado pelo ex-secretário da Prefeitura de João Neiva, Allan Dantas de Azevedo, juntamente com a esposa dele, Pamela Ohana Grippa, presos preventivamente na última semana acusados de estelionato. A estimativa foi dada pelo delegado Rodrigo Peçanha, titular da Delegacia de Investigações Criminais (DEIC) de Aracruz.

Em entrevista ao Gazeta Online, o delegado revelou que o montante adquirido por meio dos crimes é expressivo. “Existe uma estimativa de acordo com o número de vítimas e o preço médio cobrado por eles em cada trabalho que era feito. Acreditamos que tenha sido algo em torno de 800 mil reais”, ressalta.

Apesar dos crimes terem sido praticados majoritariamente em Aracruz, Peçanha afirmou que o golpe também era aplicado em outras cidades do Estado. “Somente no município de Aracruz ele fez cerca de 200 vítimas, mas sabemos que os crimes também foram cometidos em João Neiva e em Vila Velha”, afirma. Ainda de acordo com o delegado, tanto Allan quanto Pamela negam as acusações.

COMO ERAM PRATICADOS OS CRIMES

De acordo com o delegado Rodrigo Peçanha, cada um dos acusados tinha uma função na hora de aplicar os golpes. “A Pamela era a que fazia a parte burocrática de contratação, recebia os valores e ajudava a vender os produtos. Já o Allan era colocado como o responsável técnico pela empresa, teria capacitação técnica para conseguir fazer esse procedimento de legalização das propriedades”, explica.

Peçanha revelou ainda que o casal ia para as cidades que pretendiam aplicar os golpes e buscavam por lideranças de bairros para conseguir chegar às vítimas. “Eles instalavam a empresa em determinada localidade e faziam contato, geralmente com as lideranças de bairros, para tentar marcar um encontro que pudesse reunir a maior quantidade possível de pessoas, normalmente em uma quadra poliesportiva do local. Lá, eles entregavam os panfletos da empresa e prometiam conseguir a escrituração dos imóveis das pessoas junto ao município. Cobravam uma média de 4 mil reais e ofereciam parcelamento”.

Após abordar as vítimas, Allan e Pamela convenciam as pessoas a contratarem os falsos serviços de legalização de propriedades. “A pessoa assinava aquele contrato de adesão, parcelando, em muitos casos, em quatro prestações de mil reais. Eles, então, pegavam os quatro cheques das pessoas, uma entrada de mil reais e outras três parcelas do mesmo valor. Durante os três primeiros meses, eles ficavam enrolando as vítimas, exigindo mais documentos, fazendo determinadas imposições. No momento em que a vítima acabava de pagar o valor, eles paravam de atender o telefone, trocavam de número e depois, quando essas vítimas procuravam se informar, não tinha sido dada entrada em nada na prefeitura e em nenhum outro local”, destaca.

ENTENDA O CASO

Em decisão assinada na última segunda-feira (29), a Justiça atendeu ao pedido de prisão preventiva do casal, feito pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), pelos crimes de estelionato. Segundo a Secretaria de Estado da Justiça (SEJUS), Allan Dantas foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Aracruz na quinta-feira (2); e Pamela Ohana, ao Centro Prisional Feminino de Colatina, no sábado (4).

Ambos são acusados de ter enganado vítimas no momento em que estas tentavam regularizar propriedades fundiárias em Aracruz. Propositalmente, o casal alegava a falsa necessidade de documentos, que eram adquiridos por determinado valor junto à empresa Geomap Engenharia e Consultoria. Segundo o MPES, Allan e Pamela escolhiam vítimas com baixa escolaridade e situação financeira precária para aplicar o golpe.

SALÁRIO DE R$ 4,2 MIL

Allan Dantas de Azevedo exercia o cargo de Secretário Municipal de Planejamento e também acumulava a pasta de Obras e Serviços Urbanos na Prefeitura de João Neiva, no Norte do Estado desde janeiro de 2017. Ele recebia um salário de R$ 4,2 mil por mês.

SEM RELAÇÃO COM O CARGO PÚBLICO

Em nota, a Prefeitura de João Neiva esclareceu que a detenção de Allan Dantas de Azevedo não possui ligação alguma com a atuação dele junto à administração pública e que todas as medidas necessárias para a preservação do interesse público estão sendo adotadas.

Ainda de acordo com a Prefeitura, estão em análise os novos nomes que irão assumir as duas secretarias comandadas por Allan (de Obras e Serviços Urbanos, e de Planejamento, Habitação, Desenvolvimento Urbano e Projetos Especiais). A exoneração de Allan dos cargos que ocupava na prefeitura foi publicada na última quinta-feira (2).

DEFESA

O Gazeta Online tentou contato com as defesas de Allan Dantas de Azevedo e de Pamela Ohana Grippa, mas não obteve retorno.

 

 

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