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No ES, governador do Rio diz que quer suceder Bolsonaro na Presidência

Wilson Witzel (PSC) está em Vitória, onde vai participar de encontro com outros governadores do Sul e Sudeste do país

Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro
Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro
Foto: Eduardo Dias

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou que tem vontade de suceder Jair Bolsonaro na Presidência do Brasil. Ele disse ainda que esse é um combinado entre os dois. A declaração foi dada na manhã sexta-feira (23), em Vitória, após Witzel participar de um evento de entidades que representam policiais militares e bombeiros militares.

Wilson Witzel deu uma palestra sobre a importância das instituições militares estaduais para a preservação da ordem pública. Durante o evento, o governador afirmou que, além do trabalho realizado no Rio de Janeiro, tem alternativas para um projeto de segurança do país.

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Segundo Witzel, o Jair Bolsonaro sabe da vontade que Witzel tem de receber a faixa presidencial.

Desejo sucesso na gestão do presidente Bolsonaro. Desde o início eu sempre apoiei a sua eleição e continuo apoiando o seu governo. Eu já disse a ele que a minha vontade é sucedê-lo na presidência da república
Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro

"Isso não significa que, ao longo desses período, nós vamos estar em lados opostos. Estamos do mesmo lado. Eu tenho ajudado o presidente Bolsonaro e quero, com a Graça de Deus, lá na frente, quando assim for, que ele me passe a faixa presidencial. Esse é um acordo meu e dele", disse o governador do Rio.

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As divergências entre os dois, inclusive, surgiram em uma das polêmicas em que o líder do Executivo esteve envolvido nesta semana. Em contraponto à interferência de Bolsonaro na escolha do diretor-geral da Polícia Federal, nesta quinta-feira (22), Witzel defendeu a autonomia da PF na escolha de seu chefe. Segundo o jornal Valor Econômico, ele afirmou que não concorda com as recentes declarações do presidente.

Além disso, o governador criticou o presidente em entrevista publicada também nesta quinta pela revista Época. Ele disse que "Bolsonaro anima as redes, mas o Brasil não sai do lugar". "O que o Bolsonaro fala, eu não falaria. Sou um pouco mais preocupado com aquilo que tenho de expressar. Meio ambiente, por exemplo. Eu não falaria em fazer cocô dia sim, dia não, como o presidente fez. Até porque isso é simplesmente inexequível. É como editar uma medida provisória sobre o uso diário de banheiro", declarou.

Witzel chegou ao Espírito Santo na manhã desta sexta-feira e fica no Estado até este sábado (24), onde também irá participar de um encontro com governadores das regiões Sul e Sudeste no Palácio Anchieta, centro de Vitória.

SNIPERS 

Witzel é conhecido por seu posicionamento extremo quanto à segurança pública.  Nesta terça-feira (20), o governador do Rio comemorou a morte de um sequestrador que estava em um ônibus com 39 reféns na Ponte Rio-Niterói. Sobre um caminhão dos bombeiros, um sniper atirou contra o homem.

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Ao comentar o caso, antes da morte, Bolsonaro havia dito que "não tem que ter pena" do homem que fez o sequestro.

Depois, Witzel disse que vai ao Supremo Tribunal Federal (STF) para defender sua política de "abate" de pessoas que portam fuzis. Ele afirmou que pretende fazer uma consulta sobre em que possibilidades os policiais podem matar suspeitos de cometer um crime. O posicionamento do governador do Rio é criticada por especialistas e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que assinalou em nota que "não há legislação no Brasil que permita a polícia matar indiscriminadamente".

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