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Bolsonaro defende criar mais escolas militares no país

Deputado federal defendeu em Vitória educação com mais disciplina e hierarquia

Evento do PSL, com visita do candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, no Álvares Cabral, em Vitória
Evento do PSL, com visita do candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, no Álvares Cabral, em Vitória
Foto: Fernando Madeira - GZ

Com a proposta de implantar colégios militares em todas as capitais e Estados do Brasil, para que os resultados da educação pública melhorem a base de hierarquia e disciplina, o deputado federal e pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL-RJ) reuniu centenas de apoiadores na noite desta terça-feira (31), em agendas em Vitória.

Durante quase meia hora de discurso, no evento organizado pelo partido no Ginásio Álvares Cabral, Bolsonaro também reforçou suas bandeiras, como a reivindicação pelo voto impresso, a liberação do porte de arma e as críticas à doutrinação em escolas. O deputado afirmou que seu plano é que haja um colégio militar em todas as capitais do país.

Precisamos de escola que ensine de verdade. As verdadeiras escolas são as escolas militarizadas, ou os colégios militares do Exército
Jair Bolsonaro - Pré-candidato do PSL à Presidência

Ele cogita também ter um militar à frente do Ministério da Educação. "Vamos formar pessoas aptas ao trabalho, e não formar militantes ou pessoas que apenas têm senso crítico. No mercado, ninguém quer saber quem tem senso crítico. Quer saber quem sabe Física, Química, que seja cientista, empreendedor", defende.

Sobre o currículo escolar, Bolsonaro também se posicionou contra o que chama de "ideologia de gênero", referindo-se às diretrizes educacionais com orientações ao respeito à diversidade sexual. "Chega de assistir a filme de sacanagem na sala de aula em nome da diversidade."

LOCAIS

O deputado chegou ao Estado no início da noite, e já no aeroporto tirou fotos e fez discurso em cima do "Mito Car", junto ao senador Magno Malta (PR). 

Jair Bolsonaro é saudado pelos correligionários em evento do PSL em Bento Ferreira, em Vitória
Jair Bolsonaro é saudado pelos correligionários em evento do PSL em Bento Ferreira, em Vitória
Foto: Fernando Madeira - GZ

De lá, foi para o evento do partido, onde manifestou apoio à pré-candidatura do tenente-coronel Carlos Alberto Foresti (PSL) ao governo do Estado por seu partido.

Em sua fala, Magno pleiteou a volta do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap). "Te faço esse pedido público. Devolva o Fundap, porque pertence ao Espírito Santo".

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Em resposta, Bolsonaro abriu o discurso afirmando "que iria recuperar o que Geisel fez pelo Estado", mas em seguida, em entrevista coletiva, disse que não poderia se comprometer com o pedido. O Fundo acabou desde 2013 por uma resolução do Senado e causou perdas bilionárias para o Estado.

SEGURANÇA

Bolsonaro também aproveitou para fazer um aceno aos apoiadores da área de segurança pública. "O policial, após o cumprimento de sua missão, tem que ser condecorado, e não processado. Daremos o direito à legítima defesa a vocês, para o cidadão de bem poder comprar armas e munições", disse.

O pré-candidato também aproveitou o palanque para criticar os partidos de esquerda e os "políticos tradicionais".

"Estou causando um transtorno na cabeça dos políticos tradicionais. Grande parte está comigo, do outro lado está a esquerda, que quer que um presidiário volte à cadeira presidencial. Roubaram nosso futuro, mancharam nossa bandeira. Jogam branco contra negro, homo contra hétero, temos que unir nosso Brasil".

Ele ainda apontou o PT e o PSDB como irmãos univitelinos. "O pai de Lula chama-se Fernando Henrique Cardoso. Eu o chamo de Princesa Isabel da maconha, o boca murcha. Tenho a metade do tempo de TV Enéas Carneiro e vamos ganhar a eleição", disse.

Bolsonaro fez uma espécie de votação, com a plateia, para ajudá-lo a definir o seu candidato a vice. Entre as opções, citou a jurista Janaína Paschoal, o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança e o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB). Já o senador Magno Malta (PR) foi citado por ele como “vice de honra", após ter recusado convite para a chapa.

ENTREVISTA 

O pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL) concedeu uma entrevista coletiva aos jornalistas, após o evento organizado pelo partido. 

O senhor vai, de fato, tentar reverter a mudança no Fundap?

Eu não posso assumir um compromisso desses, porque não estou em campanha. Lógico que tem um sentimento de que não poderia ter retirado um fundo desses, mas não posso ir além. Não posso fazer promessa, porque seria campanha antecipada.

O senhor falou que em todo país vai ter uma escola militar? O que vai ter nessas escolas?

Vai ter o que tem nos colégios militares: hierarquia, disciplina, um currículo escolar adequado, colocar essa garotada em competições internacionais. A gente quer produtividade. Hoje quem vai para a 9ª série do ensino fundamental não sabe fazer uma regra de três simples, como mostra o Pisa.

O ensino vai contemplar educação sexual?

É o pai e a mãe que decidem o sexo da criança. Ele que dá a educação sexual para seus filhos, não professor, porque sabemos que existe a deturpação. Nós retiramos a ideologia de gênero. Hoje em dia que voltou a se discutir isso no currículo escolar, não tem porquê. Não vai ter esse papo de sexo na escola.

O senhor disse que convidaria um militar para o Ministério da Educação. Permanece com esta ideia?

Pode ser um civil também. Quero alguém que tenha autoridade e respeito com a nossa juventude. E que esqueça a questão de ideologia de gênero, de doutrinação. Não é que não possa discutir política em sala de aula. Mas se um garoto pode falar em Marx, porque não falar em Mises, para o lado de cá?

O senhor apoiou a greve da PM no Espírito Santo?

Eu não estive no Espírito Santo. Não posso coadunar com qualquer greve. Se bem, que o que vi no Espírito Santo foi uma paralisação, nada além disso. Isso já passou. Se é justo ou injusto a Justiça vai decidir. Eu nunca apoiei motim. Não acho que foi motim nem greve aqui.

O senhor se coloca como alguém à parte da classe política, mas possui 7 mandatos. Como explicar isso? 

Eu não faço a política tradicional. Eu não coaduno com os políticos tradicionais, de sempre. A política  é para buscar o bem da população. Alckmin se juntou com um monte de partidos pensando em tempo de televisão. Já acertou com Paulinho da Força (SDD) a volta do imposto sindical com outro nome. Se ele for presidente, vai só pegar a cadeira do Temer, e continuar tudo como está.

Qual é o gargalo da saúde e o que deve ser feito?

Não podemos largar a saúde na mão de políticos. Tudo é loteado em Brasília. Quem era o ministro? Ricardo Barros (PP), que saiu para ser candidato. A saúde está a serviço de grupos políticos. Quero botar na Ciência e Tecnologia alguém do ITA, do IME. E botar na saúde um médico, que seja gestor. Para cobrar responsabilidade e produtividade.

Qual é a saída para solucionar a crise econômica no Brasil?

Falam que não entendo de economia. Mas foram os economistas que botaram o Brasil nessa desgraça que está aí. Quem congelou salários no passado, confiscou poupança, fez o plano Collor, foram economistas. Quem tem a solução para isso é o economista Paulo Guedes. Ele vai conseguir fazer uma taxa de juros compatível, que não seja uma das maiores do mundo. Foi o PT que botou o Brasil nisso. Temos que desburocratizar, fazer com que quem quer empreender, venha para o governo. O BNDES não tem que estar aberto para amigos do rei. É para o povo brasileiro.

O corporativismo travou a possibilidade de uma reforma da Previdência?

Se você quiser botar os militares para ganhar o teto da Previdência, tudo bem, mas vamos dar para eles todos os direitos do artigo 7º da Constituição, inclusive o direito à greve. O problema maior da Previdência é a previdência pública, e temos proposta para ela.

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