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Bolsonaro nega ter apoiado greve de PMs no ES

Durante entrevista ao programa Roda Viva, Bolsonaro foi questionado sobre um suposto apoio a Greve da PM no Estado. Presidenciável gravou vídeo chamando governo de covarde e defendendo a categoria

Bolsonaro durante entrevista no programa Roda Viva, nesta segunda-feira (30)
Bolsonaro durante entrevista no programa Roda Viva, nesta segunda-feira (30)
Foto: Reprodução/TV Cultura

O deputado federal e pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) foi questionado na última segunda-feira (31), durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, sobre sua influência na greve dos policiais militares no Espírito Santo, em fevereiro de 2017. O jornalista Leonêncio Nossa, do Estadão, o acusou de ter apoiado o movimento paredista, algo que Bolsonaro negou.

Na entrevista, o presidenciável afirmou que nunca disse que “os militares tinham que permanecer nos quartéis”. Bolsonaro contou que é amigo do ex-deputado federal Capitão Assumção, que foi preso após ser apontado como um dos suspeitos de iniciar a greve nos quartéis, mas que não teve contato com ele e nem o influenciou a manter a paralisação.

“Me mostra eu dizendo que eles (policiais) tinham que permanecer nos quartéis. Não existe esse vídeo. O capitão Assumção foi meu amigo enquanto parlamentar. Não sei a condição dele e o que estava fazendo lá. Eu não tive qualquer contato. O capitão é extremamente responsável pelo o que ele faz. Nunca participei de greve, motim ou amotinagem. Não defendi em redes sociais, não procede”, disse o deputado em resposta a Nossa.

O repórter, que também é capixaba, citou um vídeo postado por Bolsonaro em sua página no Facebook no dia 6 de fevereiro de 2017, dois dias após o início da greve. Nele, Bolsonaro nega existir uma greve de policiais, diz que os militares estão impedidos por seus familiares de sair dos quartéis e joga para o governador em exercício na época, César Colnago (PSDB), a responsabilidade pela onda de violência no Espírito Santo.

“Sabemos que a polícia militar não está em greve, o que aconteceu foi que seus familiares bloquearam a saída de alguns batalhões, as viaturas não saíram e o policial não foi para a rua. Meu apelo é para o vice-governador, que ele abra um caminho de negociação urgente. O senhor já demitiu um comandante e botou outro, não deu certo. Chame os representantes das associações e vamos negociar. Sabemos das dificuldades que vocês têm, mas o policial também tem. Vocês não podem se prevalecer da disciplina do militar para subjulgá-lo”, defendeu Bolsonaro, à época.

BOLSONARO SOBRE GOVERNO: "VOCÊS TEM QUE DEIXAR DE SEREM COVARDES"

A postagem foi visualizada por 2 milhões de internautas e compartilhada, inclusive, por páginas que apoiavam a greve dos policiais. Em outro trecho do vídeo, que foi transmitido ao vivo na rede social, Bolsonaro diz que o Governo do Estado está sendo “covarde” e critica a proposta da Reforma da Previdência, que coloca policiais dentro das mesmas regras dos demais trabalhadores, com a idade mínima de 65 anos para se aposentar.

“Vocês (Governo do Estado) tem que deixar de ser covarde e discutir a decisão previdenciária no seu Estado. Não dá para ficar esperando a votação de PEC para colocar todos (os militares) no regime geral da previdência. Não passa na minha cabeça um militar, seja soldado, sargento, cabo ou até mesmo um coronel, se aposentar com 65 anos e ficar até essa idade combatendo a bandidagem. Sempre tive respeito aos meus amigos militares do Espírito Santo, como o capitão Assumção, que deve tá preocupadíssimo com o que está acontecendo aí. Lamento ele não ser deputado federal. Mas faço um apelo para que busquem uma maneira de solucionar o caso”, declarou, na ocasião.

Na época da greve, o jornal Estado de São Paulo mostrou que políticos ligados a Bolsonaro estavam relacionados à comunicação e à logística da greve. Assumção e o deputado Carlos Manato eram dois deles. Manato, hoje, preside o partido de Bolsonaro no Espírito Santo, o PSL. O tenente-coronel Carlos Alberto Foresti era outra peça importante do movimento paredista. Chegou a ser demitido da corporaçãoForesti é pré-candidato ao governo do Estado e tem o apoio de Jair Bolsonaro.

BOLSONARO VISITA HOJE O ESPÍRITO SANTO

Nesta terça-feira (31), está prevista a chegada de Jair Bolsonaro (PSL) às 18 horas para participar de um evento promovido por seu partido no Álvares Cabral, em Vitória.

Bolsonaro ainda vai permanecer no Espírito Santo durante a quarta-feira, fazendo agendas com empresários e com profissionais da área da segurança pública.

LEIA E VEJA O TRECHO EM QUE BOLSONARO FALA SOBRE A GREVE DA PM, DURANTE O RODA VIVA

Leonêncio Nossa: O senhor fez greve no Exército, em motins de militares o senhor sempre está perto, agora teve greve de caminhoneiro que o senhor apoiou. Qual é a ordem que tá na bandeira do ex-capitão do Exército?

Bolsonaro: Eu greve no Exército? Eu amotinado? Pode ter certeza que se tivesse feito isso seria mais do que uma cadeia, isso é crime militar. Com toda certeza o Superior Tribunal Militar teria me excluído. No tocante a greve dos caminhoneiros, o senhor nunca me viu na pista. Eu tava acompanhando os caminhoneiros, o absurdo de se cobrar por eixos levantados, a questão da indústria das multas, dos roubos de cargas. Eles tinham esses problemas e o governo dizendo que foram pegos de calças curtas? Não. Eu os apoiei em um primeiro momento e alguns dias depois, fiz um comunicado a eles e pedi para que encerrassem porque o Brasil ia quebrar.

Eu não participei de nenhum (motins dos policiais). Você não me viu, não tem nenhuma troca de mensagem minha com nenhuma pessoa.

Leonêncio Nossa: Mas botou vídeo no Facebook, com mais de um milhão de curtidas...

Bolsonaro: Qual greve?

Leonêncio Nossa: Da greve de fevereiro do ano passado, na greve da polícia militar do Espírito Santo.

Bolsonaro: Me mostra eu dizendo que eles tinham que permanecer nos quartéis. Não existe esse vídeo.

Leonêncio Nossa: Inclusive dando apoio ao capitão Assumção.

Bolsonaro: O capitão Assumção foi meu amigo enquanto parlamentar.

Leonêncio Nossa: Que foi o líder da greve...

Bolsonaro: Não sei a condição dele e o que tava fazendo lá. Eu não tive qualquer contato com ele. Grampos telefônicos foram feitos. Eu teria o meu identificado se tivesse feito qualquer contato com ele. O capitão Assumção é extremamente responsável pelo o que ele faz. Agora, não me acusem do que não fiz. Na minha bandeira é ordem e progresso. Nunca participei de greve, motim ou apoiei amotinagem.

Leonêncio Nossa: Mas essa ordem do senhor tem muita confusão, não?

Bolsonaro: Mas porque citam meu nome sempre. Reparou que eu tô em todas?.

Leonêncio Nossa: Sim, porque o senhor que vai nas redes sociais defender esses movimentos

Bolsonaro: Não, defendi em redes sociais, não procede.

Leonêncio Nossa: Sim, essa greve no Espírito Santo o senhor defendeu.

Bolsonaro: Não procede.

 

 

 

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