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Para empresários, Bolsonaro fala em menos direitos para mais empregos

Presidenciável criticou a legislação trabalhista. Para ele, com menos direitos aumentam-se as vagas de trabalho.

Bolsonaro foi recebido por empresários na sede da Fecomércio no Espírito Santo e falou sobre suas propostas para a economia
Bolsonaro foi recebido por empresários na sede da Fecomércio no Espírito Santo e falou sobre suas propostas para a economia
Foto: Rafael Silva

Após participar de um evento promovido na última terça-feira (31) por seus apoiadores no Espírito Santo, o deputado federal e presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) fez uma palestra na manhã desta quarta-feira (1) para empresários na sede Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio), em Vitória.

Em seu discurso, Bolsonaro falou o que pensa sobre a economia do país. Entre os pontos levantados, criticou o imposto sindical e afirmou que a legislação trabalhista, mesmo após a reforma, ainda é um entrave para o crescimento.

"Minha família diz que sou insano por concorrer à presidência, mas insano mesmo é ser patrão no Brasil. Não quero trabalhar que nem escravo para perder meu patrimônio. A legislação trabalhista me faz não querer empreender. Dizer isso não é ir contra o empregado, mas mostrar a realidade para ele. O trabalhador vai ter que decidir: ou terá todos o direitos e enfrenta o desemprego, ou terá menos direitos, mas terá empregos. É igual casamento, é um perde-ganha", discursou.

"SEM SEGURANÇA, NÃO HÁ ECONOMIA"

No campo econômico, o pré-candidato voltou a falar da influência que o economista Paulo Guedes, um dos fundadores do Banco Pactual, terá em seu governo. Bolsonaro diz "confiar 100%" em Guedes e "concordar com 90%" do que o economista apresenta.

Caso eleito, o presidenciável disse que irá focar suas ações em reduzir a Taxa Selic e no controle do dólar. Ele ainda garantiu que aumento de impostos está fora de cogitação.

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"Outra coisa que atrapalha o desenvolvimento é a insegurança e a violência do país. Sem segurança, não tem economia. Propriedade privada é sagrada, por isso, se alguém colocar patrimônio em risco, é chumbo. No período militar, quando se podia comprar arma em loja de departamento, a violência diminuiu e a economia cresceu. Tanto é que passamos da 49ª economia do mundo para a 8ª", alegou.

CONTROLE EM EXPORTAÇÕES PARA A CHINA

Bolsonaro também falou sobre as exportações para o continente asiático e, principalmente, para a China. Em sua análise, o país "não pode continuar exportando suas commodities que poderão acabar um dia". Para ele, é preciso ter mais rigor com a concessão de estradas e terrenos para os chineses, caso contrário, o Brasil pode colocar "em risco" sua segurança alimentar.

"Com toda a certeza, nossas commodities vão acabar um dia, a terra uma hora chega à exaustão e o subsolo, aquilo que a gente minera, vai se esgotar. O Brasil não pode continuar negociando tudo com a China. Ela já não está mais comprando do Brasil, está comprando o Brasil. Eles já tomaram conta de grande parte da África e estão tomando conta do Brasil. Os chineses são mais de um bilhão de habitantes, sendo que metade está nos centros urbanos. Eles tem necessidade de alimentos e, ao começar a comprar terras no Brasil, eles colocam em risco nossa segurança alimentar", defendeu.

DESBUROCRATIZAR LICENCIAMENTOS AMBIENTAIS

O presidenciável também falou da burocratização excessiva nos processos de licenciamentos ambientais. Bolsonaro, que é a favor da fusão dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, disse que é a favor da preservação ambiental, mas que a gestão da pasta, atualmente, age de maneira radical.

"Temos que acabar com a briga da Agricultura com o Meio Ambiente. Eu quero proteger o meio ambiente, mas não de forma xiita como é hoje. Precisamos desburocratizar e desregulamentar muita coisa. Costumo dizer que o meu governo não é para fazer muita coisa no Brasil, não. É desfazer muita coisa. Esse é o primeiro passo, desconstruir o que está aí", afirma.

DEPUTADO OUVE DEMANDAS DO ESPÍRITO SANTO

Antes de iniciar sua palestra, às 7h30 da manhã, Bolsonaro teve uma reunião com representantes de alguns sindicatos patronais do Estado, que se iniciou por volta das 6h20. Segundo o presidente do Sindicato de Comércio de Café do Espírito Santo (Sindicafé), Jorge Luiz Nicchio, que esteve no encontro, os empresários capixabas levantaram alguns pontos das deficiências da infraestrutura logística do Estado.

"Falamos dos nossos problemas da nossa malha rodoviária, do nosso porto de Vitória, que já está obsoleto e dos impactos que temos, em ter que exportar parte da nossa produção por outros Estados. Ele entendeu a importância de um porto de águas profundas no Espírito Santo. É o terceiro presidenciável que recebemos, já tivemos essa conversa com o Geraldo Alckmin (PSDB) e com o João Amôedo (Novo)", contou.

Bolsonaro também recebeu um documento do departamento capixaba da Associação Brasileira de Engenheiros Civis (Abenc). Nele, a entidade traz sugestões de adaptações na política de licitações e propõe a criação de uma Engenharia-Geral da União.

"É um órgão semelhante à Advocacia-Geral da União (AGU). Nós vivemos em um cenário de muita judicialização de obras públicas, que inviabilizam os projetos e atrasam as entregas das obras. Nossa ideia é que as licitações tenham um projeto mais detalhado, para que os vencedores das licitações apenas executem. Para isso, a Engenharia-Geral da União seria a responsável por fazer esses projetos, em vez de se licitar uma empresa para isso, como é feito hoje. Isso vai evitar a criação de aditivos e, até, diminuir os casos de corrupção e desvios de recursos públicos", argumenta o presidente da Abenc no Estado, Walter de Aguiar.

VICE E INDICAÇÕES PARA O STF

Bolsonaro também falou sobre sua dificuldade em encontrar um nome para ser vice em sua candidatura à presidência. A advogada Janaína Paschoal (PSL), que também é co-autora do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), ainda é, segundo ele, uma das principais possibilidades, apesar de Bolsonaro admitir que tem divergências com ela.

"Eu e a Janaína temos algumas coisas em conflito, outras não. O príncipe Luiz Philippe de Orléans e Bragança é um outro nome, uma pessoa que apesar de ser príncipe é inteligentíssima e muito humilde. O outro é o General Mourão", contou.

O pré-candidato voltou a falar sobre a possibilidade de aumentar de 11 para 21 o número de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

"Penso, sim, aumentar o número de ministros, mas só se fossem mais dez ministros do nível do juiz Sérgio Moro", finalizou.

 

 

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