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Imagens atribuídas a suposto "kit gay" não foram distribuídas em escolas

Material não faz parte de conteúdo distribuído em colégios

Circulam nas redes sociais imagens de um material informativo sobre doenças sexualmente transmissíveis que mostram casais praticando sexo. O material é atribuído como parte do que ficou pejorativamente conhecido como "kit gay", uma cartilha que teria sido preparada pelo Ministério da Educação (MEC) para ser distribuída nas escolas públicas do país. Tal informação não procede: as imagens não fazem parte de material elaborado pelo MEC.

Fachada do Ministério da Educação (MEC), na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, DF
Fachada do Ministério da Educação (MEC), na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, DF
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado-6/2/2015

Uma das postagens enganosas, publicada no Facebook pela página "Lava Jato Notícias" em 27 de agosto de 2018, diz que a cartilha foi elaborada durante a gestão do ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT), que comandou o órgão de 2005 a 2012. Haddad é vice-candidato à Presidência da chapa do PT.

Por meio de uma busca reversa desta imagem no Google, o Comprova descobriu que a imagem foi retirada de um post do blog Apocalink, de 22 de maio de 2011. Este, por sua vez, publicou as imagens de sexo entre vários casais, em preto e branco, com informações sobre doenças sexualmente transmissíveis, e alega que os materiais seriam distribuídos nas escolas pelo Ministério da Saúde – o que não ocorreu.

As imagens de casais fazendo sexo foram retiradas de uma cartilha produzida de fato pelo Ministério da Saúde sobre prevenção das IST e do HIV, mas utilizada para capacitação de profissionais que trabalham com redução de danos com usuários de álcool e outras drogas, principalmente injetáveis. De acordo com o próprio Ministério, esse material nunca foi destinado para escolas.

O Apocalink também publicou uma cartilha chamada "Caderno das Coisas Importantes", erroneamente chamado pelo site de "Kit Gay" (termo pejorativo para o projeto Escola sem Homofobia, vetado pelo governo federal em 2011). O material foi elaborado pelo Ministério da Saúde e teve o apoio do MEC, Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Segundo o Ministério da Saúde, o "Caderno das Coisas Importantes" foi publicado em 2006 e fazia parte de um conjunto de materiais educativos para o Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), trabalhado com professores em turmas do ensino médio (jovens de 15 a 18 anos, aproximadamente) de escolas públicas. O material trazia informações sobre formas de transmissão e prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e do HIV/Aids, além de informações sobre corpo e sexualidade. De acordo com o órgão, processo de produção do material foi amplo e contou com a colaboração de especialistas e técnicos da área de educação.

Segundo o CrowdTangle, ferramenta de análise das redes sociais, a postagem do Apocalink teve 2,7 mil interações (reações, comentários e compartilhamentos) no Facebook. Também há registros do mesmo conteúdo falso em grupos no Facebook e em correntes do WhatsApp. Leia mais sobre este assunto no site do projeto Comprova

 

 

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