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No ES, Alckmin tenta se colocar como alternativa a Bolsonaro

Presidenciável do PSDB criticou adversários, fez corpo a corpo com eleitores e conversou com empresários em Vitória

Três meses depois da última visita, o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), agora em campanha oficial, voltou ao Espírito Santo. Em Vitória, nesta quinta-feira (13), o tucano se colocou como alternativa ao candidato de extrema-direita que lidera as pesquisas de intenção de voto, Jair Bolsonaro (PSL), acenando para causas como a segurança pública – mas com críticas à ideia de armar a população – e se colocando como a verdadeira opção anti-PT.

Candidato Geraldo Alckmin (PSDB) visita o Espírito Santo
Candidato Geraldo Alckmin (PSDB) visita o Espírito Santo
Foto: Marcelo Prest

Alckmin, mesmo com maior tempo de TV e rádio no horário eleitoral, não deslanchou e está empatado tecnicamente, em segundo lugar, com Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Fernando Haddad (PT).

"Muita gente bem intencionada vota no Bolsonaro para derrotar o PT. Só que você pode votar em A e eleger B. O Bolsonaro perde para qualquer um no segundo turno", afirmou, em entrevista durante caminhada na Avenida Marechal Campos, na Capital do Estado.

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"Se não for o PT é o PT 2, o PT 3. Vários tons de vermelho. Ciro (PDT) é ministro do Lula. A Dilma... (quis dizer Marina e depois corrigiu-se), Marina (Rede), ministra do Lula. O lá do PSOL, Boulos. Você tem o PT e tem os adoradores do Lula", complementou.

Já em palestra a empresários na sede do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Espírito Santo (Setpes), questionado sobre propostas para a segurança, falou sobre a própria gestão à frente do governo de São Paulo, que contou ter reduzido os homicídios de 13 mil para 3,5 mil ao ano.

Se der um revólver para cada um não vai ter 13 mil assassinatos, vai ter 100 mil, é óbvio. Quem tem que enfrentar bandido é a polícia
Geraldo Alckmin

Ele defendeu leis mais rígidas para o combate ao crime organizado, uso de tecnologia para vigiar as fronteiras e propôs a criação de uma guarda nacional, com integrantes fixos, para substituir a Força Nacional.

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Tudo isso sem alterar o tom da voz, o que até seria bom para capturar a plateia. Já no contato com o público nas ruas, o tucano foi cortês e igualmente cumprimentado, mas sem arroubos, para o bem ou para o mal. Somente em um momento, no meio da entrevista, um homem gritou "Bolsonaro" e foi solenemente ignorado.

GOVERNO TEMER

Crítico do governo Temer (MDB), o tucano chegou a atacar o teto de gastos imposto pelo governo federal, com aprovação do Congresso, medida que considerou "ridícula". Mas, lembrado da participação do próprio PSDB no mesmo governo, desconversou, ressaltando que foi contrário ao embarque da sigla: "E já saímos há muito tempo".

TUCANOS NO ALVO

O PSDB ainda vive uma espécie de "inferno astral". Nos últimos dias, operações da Polícia Federal miraram o ex-governador do Paraná Beto Richa e o atual governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, ambos tucanos. "Defendo as instituições, transparência absoluta. Todos vão prestar contas, vida pública é prestação de contas", limitou-se a comentar Alckmin.

Além da breve caminhada e da exposição a empresários, o presidenciável esteve ainda na inauguração do comitê do PSDB, na Avenida Vitória. Lá, foi otimista. "Estamos embolados no segundo lugar. É só dar mais um passinho e estamos no segundo turno."

Já na saída do evento, questionado pela reportagem sobre uma possível mudança de tom na campanha após o atentado sofrido por Bolsonaro – ele foi esfaqueado e segue hospitalizado –, Alckmin negou qualquer alteração: "Uma coisa é a solidariedade ao candidato, à sua família, vítima desse ato vil, covarde. Outra coisa é a campanha eleitoral. O Brasil não pode errar mais. E o populismo, nem de esquerda, nem de direita".

PROPOSTAS

ECONOMIA

Teto

"PEC do Teto é uma coisa ridícula. Em São Paulo não tem PEC do Teto. O que tem é corte de gastos. Em São Paulo cortamos tudo: aviões, até carros. Hoje os servidores pedem Uber."

Imposto

"Simplificar. Cinco impostos virarem um só, que é o IVA (Imposto sobre Valor Agregado). Reduzir imposto corporativo, para atrair mais empresas."

Preço do combustível

"Reajuste diário (no preço dos combustíveis) não pode ter. Defendemos a cada 30, 60 dias. Se o barril do petróleo subir, você diminui impostos."

SEGURANÇA

Fronteiras

"Temos 17 mil km de fronteira seca. Temos que ampliar o controle que as Forças Armadas têm com tecnologia."

Guarda

"Uma guarda nacional permanente. Cada brigada com 5 mil homens e mulheres."

EDUCAÇÃO

Infantil

"Nossa meta é nenhuma criança fora da pré-escola, ser o presidente do ensino infantil."

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