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Bolsonaro mira antipetismo e Haddad pede virada contra 'ditadura'

Horário eleitoral se encerra nesta sexta-feira; candidatos à Presidência tentaram reforçar rejeição um do outro

Fernando Haddad e Jair Bolsonaro
Fernando Haddad e Jair Bolsonaro
Foto: Reprodução

Os candidatos à Presidência focaram na rejeição do adversário em seus discursos no rádio nesta sexta-feira, último dia de horário eleitoral. Jair Bolsonaro (PSL) voltou ao tom mais agressivo contra o rival, a quem relacionou a escândalos de corrupção, à promoção do kit gay (já desmentido pela Justiça Eleitoral) e ao ateísmo. Fernando Haddad (PT), que reforçou ser cristão durante a campanha, frisou que o militar representa o "perigo da ditadura", despreza os pobres e confiou na virada - pesquisa Datafolha mostrou, nesta quinta-feira que diferença de intenções de voto caiu seis pontos percentuais.

O programa de Bolsonaro, logo de início, destacou que o PT "se tornou especialista em corrupção" e citou os escândalos do mensalão e do petrolão. A equipe do PSL reproduziu ainda áudios que indicariam o uso de caixa dois na campanha de Haddad à Prefeitura de São Paulo. Segundo o militar, a sigla rival "inventou o (Michel) Temer" e, com ele, causou "estrago sem precedentes". O candidato se apresentou como representante do antissistema e "ameaça aos corruptos".

"Corrupção é a praga que tira comida da mesa do brasileiro, deixa pessoas na fila da saúde e tira crianças da escola", diz a propaganda. "O segundo poste de Lula age como fantoche. Durante a campanha toda, foi a Curitiba pedir a benção (do ex-presidente preso)". O PSL ainda ressaltou que Haddad e Manuela (D'Ávila, vice da chapa) são ateus e "desrespeitaram a fé do povo indo a missas" na campanha. O petista destacou ser cristão desde jovem e criticou as suposições do rival sobre a fé.

A propaganda ainda atacou Haddad como "o pior prefeito do Brasil" e o acusou de ter "criado o kit gay" - o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a remoção de vídeos críticos a este assunto ao considerar que este material nunca foi distribuído em escolas e promovia "desinformação" aos eleitores. "Por mais que tentem esconder, a gente mostra a verdade", destacou a campanha, que citou a imagem de um beijo lésbico em suposto material de educação. O PSL ainda apostou no elo entre PT e Venezuela, acenou para o eleitorado nordestino com ataques à interrupção de obras na região, críticas dos petistas ao Judiciário e insinuações sobre o elo entre os rivais e a morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel. Segundo Bolsonaro, o PT quer "soltar o presidiário, mudar a Constituição e nunca mais sair".

Em seu horário eleitoral, Fernando Haddad voltou a criticar a ausência do adversário nos debates. O petista ressaltou que "muita esperava" pelos encontros para definir o voto, mas não terá esta oportunidade porque o rival "se esconde para não ter que assumir suas ideias autoritárias". A campanha disse que Bolsonaro despreza os pobres e reproduziu um áudio em que o militar cita eleitores com "título (de eleitor) na mão e diploma de burro na outra". O PT frisou que o candidato do PSL "defende a ditadura" e a tortura, ao mostrar um vídeo em que o capitão apoia a repressão e diz "Se morrer inocentes, tudo bem".

"Bolsonaro é a velha política, que vocês tanto querem mudar", ressaltou Haddad, segundo o qual o rival "vota contra os direitos do povo" e mantém as próprias mordomias, em referência ao recebimento de auxílio-moradia. A campanha reproduziu áudio em que o militar diz usar o benefício para "comer gente". "Bolsonaro é ódio e violência".

Na avaliação do PT, Bolsonaro "não é o candidato do povo, é o candidato dos milionários". "Se está ruim com Temer, com Bolsonaro pode ser muito pior". A campanha pede que, no domingo, o eleitor vote com esperança, e não com ódio e celebrou o viés de alta nas pesquisas - sinal, para os petistas, que o Brasil "está percebendo quem é" Bolsonaro.

"O Brasil acordou para o perigo da ditadura que Bolsonaro representa", diz a propaganda, que voltou a fazer aceno ao eleitorado de Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede), ao se apresentar como "único caminho no campo democrático", única possibilidade de haver oposição (sem ditadura) e única chapa comprometida com a defesa do meio ambiente. O PT ainda reproduziu depoimento de eleitora não petista - ela disse que teria "vergonha" frente à filha caso votasse em Bolsonaro, representante de tudo o que não acredita.

"Sei que você está descontente com tudo o que está acontecendo no Brasil. A mudança que você quer é a mesma que eu quero. Um presidente que defenda nossas riquezas e nossos direitos, que pare de entregar nosso patrimônio aos estrangeiros", frisou Haddad. "Meu adversário representa um salto no escuro. Minha luta não é pelo poder, mas para reunir pessoas que querem país mais justo, com menos desigualdade".

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