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Contrariando previsões, resultados das urnas surpreendem nos Estados

Para o diretor do Instituto Futura, José Luiz Orrico, é preciso prestar mais atenção aos eleitores indecisos e às pesquisas espontâneas

Funcionários de cartório eleitoral em Vila Velha conferem urnas eletrônicas antes das eleições
Funcionários de cartório eleitoral em Vila Velha conferem urnas eletrônicas antes das eleições
Foto: Carlos Alberto Silva

Enquanto a vitória de Renato Casagrande (PSB) como governador do Espírito Santo já era prevista pelas pesquisas desde o início do processo eleitoral, o resultado dos eleitos para o Senado trouxe uma novidade.

Durante toda a corrida eleitoral, os atuais senadores Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PSDB) lideraram as pesquisas para serem reeleitos ao cargo. Na véspera da eleição, as pesquisas mostraram que o cenário estava embolado e que o delegado Fabiano Contarato (Rede) tinha chances de ficar com uma das vagas, o que aconteceu neste domingo (07).

Contarato virou o jogo e saiu das urnas como o senador mais votado no Espírito Santo. Em segundo lugar ficou o consultor de segurança Marcos do Val (PPS).

Em outros Estados, como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina, os levantamentos não conseguiram captar os movimentos do eleitorado, tornando o resultado final das urnas surpreendente.

> Veja o raio-x completo da apuração dos votos no ES

Em Minas, por exemplo, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) era apontada como favorita a uma vaga no Senado, mas acabou ficando em quarto lugar na disputa. No mesmo Estado, o atual governador Fernando Pimentel (PT), que era cotado para o segundo turno, perdeu o posto para o empresário Romeu Zema (Novo), que até a véspera da votação ocupava a terceira posição nas pesquisas e agora disputará a segunda rodada com Antonio Anastasia (PSDB).

Já no Rio de Janeiro, o candidato do PSL ao governo, Wilson Witzel, tornou-se o primeiro colocado na votação, seguido de Eduardo Paes (DEM). Já Romário (Podemos), que aparecia em segundo lugar nas pesquisas, ficou de fora do segundo turno.

José Luiz Orrico, diretor do Instituto Futura
José Luiz Orrico, diretor do Instituto Futura
Foto: João Paulo Rocetti

Para o diretor do Instituto Futura, José Luiz Orrico, as mudanças são resultado, entre outros fatores, da polarização da campanha eleitoral de 2018 e das decisões tomadas no último momento pelos eleitores. Orrico aponta também a necessidade de se dar mais atenção ao peso dos votos dos indecisos e às pesquisas espontâneas, nas quais o nome dos candidatos não são citados para os entrevistados. Confira a entrevista:

Por que ocorrem tais divergências?

Na pesquisa estimulada, nós perguntamos: Se a eleição fosse hoje, em qual desses candidatos você votaria? Isso força o eleitor a tomar a decisão, mas não garante que ele vá votar naquele candidato. Temos que trabalhar mais com as informações espontâneas, pois são aquelas em que o eleitor já está seguro sobre em quem vai votar.

Existem fatores, nesta eleição, que levam a essas mudanças?

Tivemos uma eleição polarizada, com um crescimento forte do Bolsonaro no final e ele puxou outras candidaturas. Acho também que o PT, em segundo lugar, pode ter assustado alguns eleitores. Digo isso, pois Dilma Rousseff não se elegeu em Minas, Eduardo Suplicy não se elegeu em São Paulo, Fernando Pimentel não vai para o segundo turno em Minas Gerais. Precisamos olhar as pesquisas de forma diferente, como informação para o momento em que ela sai. Alguém olha aquele resultado e, com base nele, decide o voto.

Indecisos têm papel importante nisso?

Fundamental. Principalmente em uma eleição polarizada como essa. Todos têm dúvida em eleição. Não somos um país politizado, onde as pessoas discutem claramente suas posições. Os partidos políticos não têm ideologia. Nos acostumamos a decidir o voto de última hora e isso é um problema que os institutos de pesquisa têm hoje. Então, precisamos dar mais valor aos indecisos e à pesquisa espontânea.

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