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Vídeo em que o pastor Silas Malafaia critica Jair Bolsonaro é de 2017

Postagem usa vídeo de 2017 para sugerir que pastor teria rompido apoio durante campanha de 2018

Tarja Passando a Limpo Eleições

Não é verdade que o pastor Silas Malafaia "abriu os olhos" e "atacou" o candidato à presidência do PSL, Jair Bolsonaro, às vésperas da eleição de segundo turno, como diz a descrição de um vídeo publicado no dia 10 de outubro de 2018 em um canal de apoio à campanha petista no YouTube.

O pequeno texto que acompanha o vídeo também traz a hashtag #EleNão, nome de um movimento criado por eleitores contra Bolsonaro às vésperas do primeiro turno da eleição de 2018.

As informações foram checadas pelo projeto Comprova, coalizão que reúne 24 veículos de imprensa do Brasil para combater a desinformação na eleição presidencial. A verificação foi desenvolvida por jornalistas de O Povo e da Folha de S. Paulo. Antes de ser publicada, passou pelo "crosscheck" de Gazeta Online, Jornal do Commercio, BandnewsFM, Nexo e UOL.

Vídeo em que Malafaia critica Bolsonaro é de 2017
Vídeo em que Malafaia critica Bolsonaro é de 2017
Foto: Reprodução

Como verificado pelo Comprova, o vídeo é verdadeiro, mas foi publicado pelo canal neste pleito de forma enganosa e fora de contexto, já que a filmagem é de mais de um ano atrás - e a informação sobre a data não é disponibilizada ao espectador de forma clara.

O próprio pastor desmentiu que teria rompido recentemente com Bolsonaro. Malafaia, que hoje faz campanha aberta para Bolsonaro, publicou um vídeo, em seu canal no YouTube, dizendo que o PT está "espalhando notícia falsa".

"O PT pegou um vídeo meu lá de trás, quando eu tive um entrevero com o Bolsonaro, e espalhou agora para os evangélicos do Brasil como se meus olhos foram abertos e eu mudei de lado" (sic).

No vídeo enganoso publicado neste pleito, Malafaia aparece dizendo que, "assim como a turma da esquerda radical tem seus contratados para plantar notícia contra quem é contra eles, a turma da direita radical também tem. E se você não falar o que eles querem, mandam o pau em cima de vocês".

Não há, entretanto, nem sequer a menção ao nome de Bolsonaro no trecho do vídeo antigo, republicado no início de outubro deste ano.

Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, o desentendimento entre os dois começou após Malafaia ser indiciado na Operação Timóteo, em fevereiro de 2017 - a Polícia Federal o citou sob suspeita de lavagem de dinheiro num esquema de corrupção em cobranças de royalties da exploração mineral.

Ainda de acordo com o texto, Malafaia ficou magoado com Bolsonaro por achar que capitão reformado não ficou ao seu lado de forma enfática.

"Na tribuna da Câmara, achei que a defesa dele foi fraca. Ele sabe que não tive envolvimento algum com essa vagabundagem. Quem toma a pancada é que sabe a dor", disse Malafaia à Folha.

O vídeo enganoso publicado no começo de outubro teve, até a publicação deste texto, mais de 250 mil visualizações, e foi recebido com sugestão de verificação no WhatsApp do Comprova.

Neste sábado e domingo a equipe do Comprova se uniu a outras cinco agências de checagens de notícias no Brasil para checar as mensagens de conteúdo suspeito nesta reta final das eleições. A ideia de juntar forças é para ganhar mais agilidade e aumentar o alcance das checagens. A parceria reúne Agência Lupa, Aos Fatos, Boatos.org, E-Farsas, Fato ou Fake e Projeto Comprova.

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