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Empresários preveem colapso na economia de Anchieta com paralisação da Samarco

Empresas já demitiram metade de seus funcionários e o comércio registra queda de 60% no faturamento

Metade dos funcionários das empresas que prestavam serviços direta e indiretamente para a mineradora Samarco, em Anchieta, no Sul do Estado, foram demitidos. O levantamento do número de desligamentos foi divulgado pelos empresários do setor nesta sexta-feira (29). O comércio da região, com uma queda de 60% no faturamento, também sentiu os reflexos da paralisação das atividades da mineradora.

De acordo com os empresários da região Sul, existe a previsão de um colapso na economia caso as atividades não sejam retomadas em um prazo máximo de três meses. O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico (SindiFer), Manoel Pimenta, disse que cerca de 500 pessoas que atuavam em empresas terceirizadas já foram desligadas de seus postos de trabalho.

“Tínhamos aproximadamente mil terceirizados. A maioria ficou de licença coletiva remunerada até dezembro, mas após dezembro muitas empresas resolveram desligar por falta de perspetivava de curto prazo. Cerca de 500 pessoas já estão sendo desligadas. Se não tiver uma retomada urgente da Samarco, as outras empresas vão fechar também porque eles não tem outra perspetiva de trabalho que não seja nessa área aqui. Estamos fazendo reuniões para tentar minimizar essa situação junto ao Sindicado dos Metalúrgicos”, explicou.

O empresário José Costa Lima trabalha há 25 anos com a locação de equipamentos. Cerca de 70% de suas atividades giravam em torno da mineradora em Anchieta. Após a paralisação das atividades, ele reduziu cerca de 65% do quadro de funcionários. Dos 220 funcionários, apenas 80 continuam empregados.

“Hoje a Samarco ainda nos ajudou porque estamos desde Colatina a Mariana prestando serviços de domingo a domingo. Se eles não me chamassem para lá a situação poderia ser pior. Tivemos que demitir 140 funcionários pois aqui não tem serviço. Isso corta o meu coração”, lamentou.

Somente no comércio a queda no faturamento foi de 60% nos últimos três meses, de acordo com o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Anchieta, Vinicius Alcântara. “O setor não contrata e tivemos demissões agora no final de ano. O fato dos funcionários da Samarco não estarem comprando têm representado uma queda de 60% no faturamento. No setor de vestiário e calçado tem sido o maior impacto. Mas os reflexos serão sentidos em 2017 quando não teremos a arrecadação de impostos”, disse Alcântara.

Funcionário da mineradora há 16 anos, Fernando Queiróz contou que seu salário representa 80% da renda da família. Ele garante que o salário está em dia, mas está receoso que as atividades da empresa não sejam retomadas. “Estamos há três meses parados e a Samarco tem honrado todos os benefícios que os funcionários têm direito. A gente ainda não tem previsão de quando retornaremos ao trabalho”.

Cachoeiro

Em Cachoeiro de Itapemirim, que fica a 67 km de Anchieta, a situação não é diferente. Cerca de 80 empresas do polo metal-mecânico e da indústria de calcário são fornecedoras da mineradora. O prefeito Carlos Casteglione garante que é um cenário de dificuldade. “A movimentação financeira na área de comércios e serviços com certeza vai reduzir no município e na região sul. Em torno de 80 empresas são fornecedores direta e indiretamente da Samarco e acabam sofrendo”, disse.

Reunião

Cerca de 100 pessoas, entre empresários, políticos e representantes da sociedade Civil participaram da reunião geral que discutiu a a importância da Samarco para a região Sul do Espírito. Durante o encontro foram definidas ações para fomentar a retomada da operação da unidade industrial da Samarco em Anchieta.

O idealizador do evento, o empresário Durval Freitas, garante que será formada uma comissão para discutir a retomada das atividades da Samarco em Anchieta. “Essa comissão terá oito representantes do poder público e privado de Anchieta , Piúma e Guarapari, e será formada a partir da próxima semana”, disse.

Ainda na próxima semana está prevista uma reunião com os governadores de Minas Gerais e do Espírito Santo e da Federação das Indústrias dos dois Estados.

 

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