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Crônica: O sublime gesto de casais que espremem espinhas em público

É uma demonstração pública do afeto mais genuíno. Do fazer e do ceder. Uma entrega sem tamanho das duas partes, se você parar para pensar.

Casal se espremendo. Imagem meramente ilustrativa
Casal se espremendo. Imagem meramente ilustrativa
Foto: Divulgação

Passei mais cedo por um lindo casal na praça praticando um dos gestos mais cúmplices da história do amor na modernidade:

espremer espinhas.

Digo modernidade porque não tenho dados para embasar quando esse prazer teve início. Talvez no Egito ou na Grécia Antiga já rolava e a gente não sabe.

Mas a verdade é que atinge uma infinidade de casais.

Não tem classe social.

A moça quase sempre toma a iniciativa, pelo menos em minhas observações. O garoto assume posição de estátua. Um boneco em público aguardando o procedimento cirúrgico da amada.

A concentração dela é digna de jogador profissional de xadrez.

É uma demonstração pública do afeto mais genuíno. Do fazer e do ceder. Uma entrega sem tamanho das duas partes, se você parar para pensar.

Alguns garotos, de fato, chegam ao final com aquela cara de Rocky Balboa gritando alguma coisa no fim do filme.

Já certas garotas apresentam verdadeira obsessão por analisar cada poro em busca de um pequenino momento de prazer. Search and destroy, baby.

Frente a frente, ela olha para você, mas você sabe que ela está prestando mais atenção na sua testa.

Tem o lado pesadão também. A turma que invade o Youtube em busca de vídeos onde coisas são espremidas sem dó nem piedade.

Mas se for com jeitinho e sem exagero, tá legal.

Constatação: quando se começa a reparar nos tais casais, aí é que surgem aos montes.

Pontos de ônibus, parques, banquinhos escolares…

Almoço de fim de ano tem sempre o casalzinho no sofá nesse tesão à flor da pele. Literalmente.

Causa tanto admiração quanto repulsa. Só não faço ideia sobre qual seria a porcentagem de cada uma.

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