Notícia

Um aceno de confiança

Pela primeira vez desde que o Brasil perdeu o selo de bom pagador, a agência Fitch admite que a nota do país pode melhorar

Desde o final de 2015/início de 2016, quando as três maiores agências de classificação de risco do mundo retiraram do Brasil o selo de bom pagador, volta a se cogitar agora, pela primeira vez, a melhoria do conceito do país.

Essa perspectiva é anunciada pela agência Fitch, uma das que rebaixaram a nota brasileira. A chave da virada, segundo declarou a sua diretoria, pode ser a realização de uma reforma na Previdência que tenha eficácia fiscal, facilitando o equilíbrio nas contas públicas e a retomada do crescimento.

O cenário está mais otimista em 2017. Neste ano, o país sairá da recessão, segundo as mais abalizadas projeções. No entanto, a situação das finanças governamentais é delicada, e não terá chance de reabilitação se não for reduzido o gasto com a Previdência, hoje equivalente a 32% de todos os desembolsos da União.

O motivo central do rebaixamento do Brasil pelas agências que avaliam risco (de calote aos credores de títulos do país) foi a deterioração das contas estatais, que em 2015 apresentaram déficit (despesas maiores do que receita) de R$ 114,9 bilhões. Em 2016, o rombo aumentou para R$ 154,3 bilhões, embora tenha ficado abaixo da meta de R$ 170,5 bilhões estipulada pelo Planalto.

Hoje, o governo admite dificuldade para cumprir o prometido para 2017, ou seja, um buraco de R$ 139 bilhões no Orçamento. Já fala até em aumentar impostos para evitar que chegue a R$ 200 bilhões.

De onde vem tanto revés? Da Previdência Social, principalmente. A previsão é de que vão faltar R$ 181,2 bilhões para os desembolsos do INSS neste ano. Está claro: sem reforma previdenciária não haverá ajuste fiscal.

A possibilidade de melhorar a nota de risco do Brasil é um aceno de confiança nos rumos do país. Trata-se de condição fundamental para atrair investimentos e implantar negócios.

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