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Ações para moradores de ruas devem levar em conta particularidades de cada caso

"Não existe solução imediata para um problema tão complexo como o fenômeno 'situação de rua', visto que para uma pessoa chegar nessa condição passa por várias experiências marcantes e individuais", pontua leitor

O crescimento da população de rua é incontestável. A Grande Vitória tem, hoje, 1.047 pessoas nessa situação. Na última semana, perguntamos a leitores do Gazeta Online e de A GAZETA qual seria uma solução viável para o problema social. Os participantes ressaltaram, principalmente, que não se deve uniformizar a população de rua: cada um deles possui uma história e particularidades que precisam ser levadas em conta na hora de colocar em prática políticas públicas para mudar esse cenário. "Não existe solução imediata para um problema tão complexo como o fenômeno 'situação de rua', visto que para uma pessoa chegar nessa condição passa por várias experiências marcantes e individuais", pontuou Thalis N. Castro. Para tanto, é preciso conhecer quem está na rua, o que exige um trabalho multidisciplinar, com a participação do poder público. Sugestões de parcerias com a iniciativa privada também foram feitas. Confira abaixo as principais ideias dos leitores.

 

Os moradores de rua trazem para a cidade um dilema importante, que envolve o espaço público urbano de maneira inconteste. Trata-se de uma população para a qual o espaço público é 'espaço privado', ou seja, local de morada. E por isso também deveria estar na pasta de Habitação, e não apenas de Assistência Social. O assunto poderia ser mais discutido na área, mas normalmente é abordado apenas do lado social. É um equívoco partir do pressuposto de que o problema será resolvido com as políticas sociais apenas: quem foge do alcance dessas políticas permanece nas ruas e o problema persiste.

Geraldo Nardi, por e-mail, de São Gabriel da Palha

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Um projeto social em conjunto com empresas privadas e governo estadual, onde o poder público os capacitariam e as empresas apresentariam oportunidades temporárias, para reinserir o morador de rua de uma forma que eles adquiram um propósito no meio social. O governo seria responsável por aplicar incentivos nas empresas participantes do projeto.

Gabriel Ferreira, via Facebook.

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De que problema estamos falando? Do problema dos serviços e entidades que lidam com essa demanda, tão complexa, mas que vivenciam o sucateamento e o descaso dos gestores e da sociedade? Ou seria o problema da "construção social" que se tem do "mendigo", do "morador de rua", do "andarilho", que são percebidos pela sociedade como a escória da humanidade, fruto de um senso comum preconceituoso, cruel e desumano? É o problema da Segurança Pública, que acredita na intervenção truculenta, quando sua necessidade (e sua raiz) é proporcionar segurança, sobretudo de maneira ostensiva, preventiva e universal? Talvez seja o problema dos sujeitos que vivem às margens das políticas públicas, sem acesso aos merecidos serviços de educação, das essenciais intervenções de saúde e das necessárias ações de assistência social, trabalho, cidadania? Então, não ficou muito claro a pergunta, e se for algum desses problemas, ou de tantos outros que são associados à vida dessas pessoas em situação de rua, a "solução" não pode (nem deve) ser superficial, genérica e desconsiderar que cada sujeito é um caso, complexo e grave (não há, ao meu ver, gravidade maior do que viver nas condições que essa população vive, independentemente das nuances que se percebem). Agora, se o "problema" é a esteticada sociedade ou o incômodo que a situação causa, sugiro uma boa "maquiagem social", muitas vezes chamada de internação compulsória, remoção dos sujeitos dos espaços públicos e outras ações higienistas absurdas. Não resolvem a essência da questão, mas jogam muita coisa pra debaixo do tapete e melhoram a sensação da "população de bem".

Wender Regatieri, via Facebook, de Colatina.

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O problema é social, as causas as mais variadas possíveis, geralmente tem início em conflitos familiares: seja por falta de estrutura, cultura, descaso, omissão, e vai muito além... O vício já se sabe é uma doença que tem cura, pelo menos remediada que passa principalmente pelo seio familiar: não tendo "colo", nada, nenhum remédio resolve! Porém as ações de resolutividade são estritamente de responsabilidade dos poderes constituídos: Executivo, Legislativo e Judiciário, que no meu entender são totalmente omissos, não se entendem (famosa fogueira de vaidades!!!). Tenho 51 anos, morei na Capital, e na época de adolescente vi inúmeras vezes na famosa Rua 7 pessoas serem "abordadas e enquadradas" por "vadiagem". Hoje não se pode (segundo a legislação) cercear o "ir e vir" do cidadão, ou seja, se o cidadão estiver em situação de risco, a autoridade constituída não pode abordar, pois estar em "surto por drogas ou álcool, dormindo ao relento, esmolando, incomodando"... não é impeditivo ou motivo para sequer reprimenda!!! Sou empresário e comerciante, e apesar de morar no interior, convivo diariamente com cenas deprimentes no que tange à situação de moradores de rua (entenda-se, não só quem dorme ao relento se inclui nessa situação, existem os que se abrigam (pernoitam) em casa, porém seu cotidiano é tão vulnerável quanto. Penso eu que a solução seria o entendimento entre as autoridades competentes e sociedade (parar de jogo de empurra). Socializar é a única solução... mas como se fazer isso convivendo com um cenário de tantas incertezas??? Hoje nossa crise "moral" suplanta qualquer iniciativa em que se precise envolver os poderes constituídos, e sem tal harmonia o que se pode fazer é remediar...

Marcelo Tunholi, via Facebook, de Mimoso do Sul.

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Acho que a solução seria dar uma casa popular, qualificação para conseguir um trabalho e encaminhamento para emprego... ou trabalharem numa usina de reciclagem. Acho que também poderiam trabalhar em mercados duas vezes na semana e receber um ticket-refeição como pagamento para usarem no próprio estabelecimento. Vejo que seria uma ótima solução para ascensão do pobre não gastar com aluguel e comida. Também acho que deveriam ter aulas de finanças pessoais, é imprenscendível para a classe baixa saber como deve gastar seu dinheiro.

Juliana Magna Amorim, via Facebook, de Curitiba.

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Para começar, quero pontuar que não existe solução imediata para um problema tão complexo como o fenômeno “situação de rua”, visto que para uma pessoa chegar nessa condição passa por várias experiências marcantes e individuais. Segundo ponto que acho interessante frisar é que, ainda que não sejam todos, mas a maioria que se encontra em situação de rua hoje na Grande Vitória faz uso constante de alguma substância psicoativa, seja álcool, cigarro ou alguma outra droga ilícita, como por exemplo o crack. Lidar com a dependência química requer um olhar clínico que vá muito além do assistencialismo. Precisamos expandir os serviços socioassistenciais que hoje não possuem vaga suficiente para atender toda demanda, principalmente o abrigo noturno que tem apenas 40 vagas e em dias de chuva precisa fechar as portas para muita gente por não comportar e repensar o modelo de tratamento atual e o modo como a abordagem de rua é feita. As clínicas e os trabalhos voluntários sem vínculo com o governo têm dado mais frutos, pois as abordagens são feitas com o intuito de estabelecer vínculo com a população em situação de rua, com uma preocupação real com sua condição e não por higienização das vias públicas. Precisamos repensar e estabelecer políticas públicas eficazes voltadas a essas pessoas.

Thalis N. Castro, via Facebook, de Vitória.

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Muito louvável o levantamento da população de rua da Grande Vitória, feito por esse periódico, com fim estritamente de sensibilizar as autoridades públicas de nossa Estado e do país, principalmente próximo ao inverno que se aproxima. Há de convir que é muita gente carente, num país com dimensões continentais e com tantos latifúndios, sem produzir absolutamente nada. Por outro lado, existem pequenos municípios em nosso país que possuem população igual ou até menor do que os atuais moradores de rua da Grande Vitória. Penso que os prefeitos dos municípios envolvidos devem criar uma força-tarefa, visando cadastrá-los para dar a eles um tratamento digno, consultando-os, posteriormente, no sentido de retorná-los aos seus locais de origem, com o pagamento de uma passagem de volta. Em caso negativo e da impossibilidade de tal retorno, encaminhá-los para abrigos públicos decentes, até que possam recuperá-los emocionalmente.

Aristeu Bolonha, por e-mail, de Jardim da Montanha, Santa Teresa.

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Aquisição de uma área onde possa ser construído uma cidade com toda a infraestrutura, tipo Minha Casa Minha Vida. A priori deverá ter um departamento multidisciplinar administrado pelo poder público para acolher e cuidar da saúde física e mental dos habitantes. Essa cidade deverá ter um organograma administrativo formado por setores de acordo com a instrução e a aptidão de cada morador. Ex. as pessoas conciliadoras formariam os conselhos para a discussão das condutas e normas do bem viver do lugar que seriam votadas por esses moradores. Os que gostam de lidar com a terra iriam construir um setor para produzir e zelar pelo alimento da comunidade e o excedente poderá ser vendido para aquisição de novas sementes e insumos. Talvez seja uma das minhas "belas utopias". Mas é só uma ideia. Espero que alguma coisa seja acolhida e que contribua para minorar o sofrimento do nosso próximo - aquele que Jesus tanto recomendou.

Norita Mendes de Oliveira Soares, via Facebook, da Serra.

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Políticas públicas mais eficientes. Principalmente na área de segurança, combatendo o tráfico de drogas, e juntamente a saúde e assistência social para acolher essas pessoas e realizar os tratamentos necessários. E depois educação e qualificação profissional para reinserção na sociedade e mercado de trabalho.

Paulo Azevedo, via Facebook, de Vitória.

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Sugiro fazer uma ficha completa de cada pessoa. Definir cursos de capacitação, talvez de trabalhos manuais, respeitando a experiência ou vontade de cada um. Paralelamente, um pequeno auxílio financeiro de sobrevivência. Após o curso, se for o caso, financiamento inicial subsidiado pelo Banestes ao empreendedor e, às outras atividades, indicação para conseguir emprego. Garanto que boa parcela terá êxito.

Humberto Schuwartz Soares, por e-mail, de Vila Velha.

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É preciso identificar e tratar a causa do problema. Isto é: fazer um levantamento estatístico acerca dos motivos pelos quais os moradores foram parar nas ruas e aplicar políticas específicas às distintas situações. Pela experiência própria lidando com moradores de rua afirmo que não dá para pensar em soluções gerais, pois ainda que a principal causa seja econômica, existem outros N fatores por trás em cada caso.

Mauricio Souza Rodrigues, via Facebook, de Vitória.

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O abrigo ser de passagem. Reabilitando o cidadão, preparando-o para uma vida profissional, sendo uma casa apenas de passagem para seu restabelecimento na sociedade. Com direito a emprego, logo assim, moradia e vida digna.

Lorena Loretti Zamprogno, via Facebook, de Ibiraçu.

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Os cerca de mil moradores de rua da Grande Vitória, cuja população é de 2 milhões de pessoas, estão comparativamente aquém dos 16 mil de São Paulo, que tem 12 milhões de habitantes. Mesmo assim, é uma triste situação obviamente nada fácil de solucionar. Cada vez há mais desempregados, pessoas sem ocupação, sem casa, também quem veio do interior em função de dificuldades no campo, etc. A atual crise afetou de forma mais cruel os mais pobres, os desvalidos, aqueles sem esperança, sem oportunidades. É preciso, de posse de um mapa do perfil dos sem-teto, buscar solução primeiramente para os dependentes de drogas ou álcool. Porém, os centros de reabilitação jamais podem ser simples depósitos de gente com o único objetivo de "limpar" as ruas, varrer drogados e alcoólicos para "baixo do tapete". Sem recursos para recuperá-los de uma forma minimamente eficaz, chega a ser melhor deixar como estão.

Carlos Carrion Torres, por e-mail, de Santa Helena, Vitória.

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Tem que haver primeiramente boa vontade por parte de nossas autoridades para buscarmos uma solução, em seguida um trabalho conjunto com todas entidades (poderes públicos estadual e municipal), em nosso Estado juntos para que consigamos uma solução, não digo solucionar o problema em um todo, mas possivelmente consigamos diminuir e amenizar o sofrimento tanto daqueles que estão na ruas, quanto seus familiares, que sofrem juntos por não conseguirem tirar seus entes queridos das ruas e nem sequer conseguem ajuda nos órgãos competentes que em tese foram criados para tal finalidade. Infelizmente no nosso país vemos tanto dinheiro sendo usado de forma errada, e falta investimento onde deveria, para dar uma qualidade de vida melhor aos cidadãos. Infelizmente temos uma cultura de que cada um quer se dar bem sem se importar ou pensar no próximo, o famoso jeitinho brasileiro para tudo, o importante é o “eu”.

Pedro Antonio Estevão Lopes, via Facebook, de Cariacica.

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