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Feirão das concessões

O saldão Temer vende Casa da Moeda, 15 aeroportos, incluindo o de Vitória, e companhias docas. Mas dará tempo neste governo?

Foi estrondoso o aplauso dos meios econômicos à proposta de privatização da Eletrobras. Imediatamente, as ações ordinárias da empresa subiram 49,3%. As preferenciais avançaram 32%. O eco dessa repercussão e o desejo de criar fato econômico impactante para dividir espaço na mídia com escândalos de corrupção levaram o governo a lançar um grande feirão de venda de ativos. Serão ofertados outros 57, além da Eletrobras.

Exagerou. A alegria que o mercado demonstrou com a Eletrobras não se repete em relação ao saldão do Temer. O anúncio de concessões às carradas gera sérias desconfianças.

Nenhum governo conseguiu transferir 58 ativos em menos de um ano. Esse é o tempo útil da atual administração. Depois, o país estará mergulhado nas eleições. Conseguirá? Seria um recorde curioso de um presidente politicamente tão fraco, constantemente atingido na credibilidade.

Não há dúvida de que as concessões são necessárias para modernizar a economia, dar-lhe mais competitividade, ampliar a taxa de investimento e impulsionar o PIB. Por isso, foram anunciadas por Temer desde que assumiu. Mas o atraso se acumulou e tornou-se irreversível.

É temerário tentar implantar ritmo frenético de leilões. Preparar uma empresa ou uma área de infraestrutura e definir o modelo de transferência que priorize o interesse público e seja atrativo para investidores são procedimentos complexos e vagarosos. Exigem não apenas competência técnica, mas também tempo.

O saldão Temer inclui linhas de transmissão de energia, Casa da Moeda, 15 aeroportos, entre eles o de Vitória, terminais rodoviários e portuários e companhias docas. Um grande bazar. Mas as circunstâncias deverão reduzi-lo e, consequentemente, limitar sua repercussão na economia. O provável é que as concessões tenham amplitude bem menor do que a prometida.

 

 

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