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A Grande Pedra Azul

Pedra Azul cresce como opção não mais sazonal, mas permanente ao longo do ano. Vocação se constrói com empreendedorismo. O país não sabe o que está perdendo

O Espírito Santo começa a consolidar uma vocação inequívoca para o turismo de montanha, que pode ser ainda muitas vezes ampliada se decisões na direção certa forem tomadas. O distrito de Pedra Azul está crescendo como opção não mais sazonal, mas permanente ao longo de todo o ano. A Rota do Lagarto, charmosa e sofisticada, e o seu Quadrado se expandem a cada dia com novos restaurantes e novo comércio, alimentados pelo público que lota antigos e novos hotéis e pousadas, criados por empreendedores ousados e persistentes.

A sofisticação vai além, em direção ao vizinho Caxixe, em Venda Nova, e no caminho para Vargem Alta, no que se poderia chamar de a Grande Pedra Azul. Ali, temos restaurantes, cervejarias, pubs e opções de arvorismo, cavalgadas, agroturismo, trilhas e passeios ecológicos a pé ou em quadriciclos, emoldurados na grandiosidade e beleza da Pedra do Lagarto e de toda a região. Os eventos empresariais se multiplicam e surgem festivais de música. Um dos motivos do sucesso é a qualidade dos serviços prestados por uma população local educada na comunidade de imigrantes. O novo Aeroporto de Vitória pode crescer o potencial de eventos da região, além da esperança local para a reabertura dos cassinos.

As pessoas de fora do Estado que participam dos eventos ficam impressionados com a beleza da região e sempre cobram porque escondemos essa preciosidade. Realmente, há um potencial enorme de se tornar um lugar de atração turística importante como Itaipava/Petrópolis, Campos de Jordão ou Gramado.

O boom do turismo começa a criar bons problemas para serem resolvidos. O principal é, sem dúvida, a BR 262. Esburacada, engarrafada e perigosa, desanima muita gente de aparecer. Uma volta em domingo de feriadão pode custar três horas ou mais. Urge que seja resolvida a duplicação, ainda mais considerando que é a rota de interiorização para a nossa vocação logística e para o turista de Minas.

O sucesso traz problemas. A Rota do Lagarto já não comporta o trânsito da região, onde acontecem nós paralisantes. Cabe uma adequação de estacionamentos e disciplina, inclusive para a entrada do Parque Estadual de Pedra Azul, muito demandado. A região do Caxixe pode também crescer muito com um trato melhor na estrada, que fica um pouco difícil de percorrer em dias de chuva.

Esse turismo de montanha tem potencial de crescimento em outras cidades, principalmente em Santa Teresa e seu gabaritado Festival de Jazz, e na região do Caparaó, com a atração nacional do Pico da Bandeira. Vocação se constrói com determinação e empreendedorismo. O Brasil não sabe o que está perdendo.

*O autor é consultor, membro do Conselho de Administração do Ibef/ES

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